quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Travessia Uricanal + Pico do Alcobaça - Petrópolis - RJ (Caxambú x Bonfim)

“Meu caminho é cada manhã/ Não procure saber onde vou

Meu destino não é de ninguém/ Eu não deixo os meus passos no chão

Se você não entende, não vê/ Se não me vê, não entende

Não procure saber onde estou/ Se o meu jeito te surpreende

Se o meu corpo virasse sol/ Minha mente virasse sol

Mas só chove e chove/ Chove e chove”

(Primeiros erros - Chove)

Poisé, só chove e a previsão era mesmo de chuva, mas chuva leve, talvez passageira, então decidi ir pra Petrópolis, lugar que me agradou de tal maneira a me fazer voltar na primeira oportunidade de tempo. No caso feriado prolongado. A missão da vez seria a Travessia Uricanal em um dia, e a Travessia Petrô x Terê, noutro dia. Seria ousado, mas o tempo não ajudou pra fazer os dois dias e por segurança preferi ou só deu para trilha a Uricanal com o Pico Alcobaça.

Travessia Uricanal + Pico do Alcobaça - Petrópolis - RJ (Caxambú x Bonfim) https://www.wikiloc.com/hiking-trails/travessia-uricanal-pico-do-alcobaca-rj-09-2026-284147741

- Trilheiro: Fuca

- Entrada Gratuita - Não possui portaria ou estrutura de parque.

- Preferi fazer o sentido Caxambú x Bonfim, pois pretendia emendar com a Petrô x Terê no dia seguinte, mas é possível fazê-la no sentido inverso.

Cume do Albobaça

Na Praça Duque de Caxias (vulgo Praça do Skate), centro, pegar a linha 194 Santa Isabel, não faça como eu fiz de pegar a linha 135 e ter que andar até a Padaria São Thomé pra então de lá seguir a Estrada Caxambú, virando à esquerda. (Se vc pegar o busão correto é só descer no ponto da Padaria São Thomé e vai poupar uns 2km.)

A Trilha Uricanal (ou Travessia Uricanal) é um percurso de aproximadamente 6km (sem o pico) que liga os bairros do Bonfim e do Caxambu, em Petrópolis (RJ), fazendo parte da rota de longo percurso Caminhos da Serra do Mar. Essa parte não é exposta, constitui-se na sombra de Mata Atlântica densa, com trechos de calçamento da época colonial e leito de rio na borda. O caminho é acompanhado de perto pelo Rio Bonfim, formando poços cristalinos e pequenas cachoeiras ótimas para banho.

Já o Pico do Alcobaça, de grande destaque na região, no seu cume promove um visual 360º de muitas das principais montanhas de Petrópolis, bem como pode-se visualizá-lo de muitas localidades e de outras travessias. Assim como a Serra Maria Comprida, em Araras, o Alcobaça fiquei imaginando dia após dia uma visita em seu topo. Sua trilha é de nível moderado a difícil pois o ganho de elevação é bastante considerável. O trajeto é bem sinalizado e de fácil orientação. A rota também oferece uma rica fauna e flora, vegetação de Mata Atlântica com orquídeas e bromélias.

Essa junção de roteiros foi bem agradável, a parte que exige um pouco mais é o ataque final ao Alcobaça que tem mais de 1800 metros de altitude e, até alcança-lo, tem-se um desnível forte de uns 600 metros. Já a Trilha Uricanal estava bem sinalizada e demarcada. Fiquei impressionado com a quantidade de água disponível e com os vários poços que passei durante a trilha, pois, após deixar a estrada de Caxambu, rodeada de plantações e com aquele clima rural, logo é possível sentir a imersão na mata atlântica. É de grande valia carregar um mapa, até porque em alguma continuidade de trilha pode haver erros.

Tive sorte de no dia pegar só um pouco de chuva quando estava já descendo do Alcobaça, daí segui direto pro bairro Bonfim. Após a entrada para a Trilha da Mãe D’água – devidamente marcada no tracklog – trombei com um senhor, morador da região, que foi me acompanhando e proseando até chegarmos no restaurante Tourinhos. Como o seu Antônio já havia almoçado, não quis fazer uma parada por lá, já eu precisava repor as energias. Uma pena que a partir dali a chuva não cessou e o dia seguinte amanheceu chovendo, decidi não continuar os planos. Ficou pra uma próxima.

Obs: a trilha uricanal faz parte do trajeto de trilhas de longo curso chamado Caminhos da Serra do Mar.

"A versatilidade é um dos pontos fortes dos Caminhos da Serra do Mar. A rota pode ser percorrida de forma contínua ou dividida em seções independentes. O primeiro núcleo da trilha reúne itinerários como o Caminho do Ouro, a Travessia Cobiçado–Ventania, a trilha uricanal, o Morro do Açu, a Travessia Petrópolis–Teresópolis e a Pedra do Sino."

Obs2: “A Reserva Ecológica do Alcobaça é uma área de preservação permanente da floresta. Em seu entorno, brotam diversas nascentes de água responsáveis por abastecer grande parte da região. O Alcobaça fazia parte da antiga Fazenda Alcobaça, que era propriedade da Companhia Petropolitana de Tecidos. Após a sua falência, essa área foi vendida para construção de condomínio, mas a população local se mobilizou e barrou a construção. Depois de muitas idas e vindas, em 1989 foi criada a Reserva Ecológica do Alcobaça e em 2008 passou a fazer parte do Parnaso. A área possui mais de 6.000.000 m² e ainda preserva trechos de mata primária da Mata Atlântica.” https://descubrapetropolis.com.br/trilha-do-pico-do-alcobaca/

Trilhas feitas em Petrópolis:

Travessia Cobiçado x Ventania – PARNASO - Petrópolis - RJ – 2026

https://pedenatureza.blogspot.com/2026/09/travessia-cobicado-x-ventania-parnaso.html

Portais de Hércules + Cachoeira e Morro do Alicate – PARNASO

https://pedenatureza.blogspot.com/2026/08/portais-de-hercules-cachoeira-e-morro.html



terça-feira, 8 de setembro de 2026

Travessia Cobiçado x Ventania – PARNASO - Petrópolis - RJ - 2026

- Entrada Gratuita.

- Fui por conta, sozinho.

- Fui de Ônibus Linha 148 Alto do Pedro Ivo, desci no final e numa rampa de paralelepípedo é que começa o trecho desse tracklog.

- Pra quem vai de carro costuma estacionar na Igreja Três Pedras.

- Essa travessia faz parte do Parque Nacional Serra dos Órgãos, porém não há estrutura de portaria, banheiros, estacionamento, etc.

- Então leve seu lanche e toda água pra travessia, não vi nenhum ponto de água. Só já após o Pico Ventania, já na descida pelos km finais, é que há aquela fonte salvadora de água. Fui com 3 litros e tive que racionar até chegar nessa fonte.

- A trilha é demarcada, mas a mata é fechada em boa parte da travessia (o renascimento após o incêndio de uns 2 anos atrás), principalmente na crista até chegar no Ventania. Daí é trilha aberta.

Obs: atenção após o ponto do Mirante Pedra do Diabo, pois ao chegar na base dessa pedra a trilha fica confusa em um ponto, a trilha correta é a mais próxima da rocha mesmo. (No caso não subi esse pico, segui a travessia direto).

- A gravação foi finalizada em Santa Isabel/Caxambu, bem no final da linha de ônibus para o centro de Petrópolis.

Confira esta trilha do @Wikiloc!

https://loc.wiki/t/273665881?wa=share&og=JzFsGY63NQ8

Travessia Cobiçado-Ventania

Numa manhã de sol, acordei na disposição de fazer mais uma trilha. No dia anterior, eu havia feito um bate e volta no portais de Hércules, algo que foi bem exigente, mas a paisagem recompensou demais. (veja aqui: https://pedenatureza.blogspot.com/2026/08/portais-de-hercules-cachoeira-e-morro.html)

Como eu estava acampado no Camping do Ser, próximo da portaria do PARNASO, então após tomar um café reforçado, com as coisas que eu tinha levado, fui sentido centro de Petrópolis, de ônibus.

Peguei a linha 611 para o Terminal Corrêas, de lá fiz integração pra um ônibus Centro. Já no centro paguei outra passagem na linha Alto Pedro Ivo e desci no final. Nesse ponto dei início à gravação do tracklog a seguir:https://loc.wiki/t/273665881?wa=share&og=JzFsGY63NQ8

Após descer do busão, antes ainda das 09h, eu já tava caminhando. Existe a possibilidade de acessar o início da trilha do Morro do Cobiçado por duas rotas:  pra quem vai de carro e costuma estacionar na Igreja Três Pedras, Santa Isabel, em Caxambu, ou por Pedro Ivo, Morin, esta última foi a que fiz.

A partir do encontro desses caminhos, é só seguir uma subida por cerca de dez minutos até a ponte de madeira, que passa um córrego ao lado da rocha. Daqui já é possível ver o Cobiçado à frente e a imponência do Alcobaça à esquerda. Continuei na estradinha por mais 15 minutos até a bifurcação à esquerda. Entrei nessa trilha bem batida e arborizada. Mais adiante, passei por um novo desvio, onde me mantive à esquerda, ignorando o caminho da direita. O trecho segue em ziguezague bem demarcado com o cume sempre à vista, cercado por uma vegetação rasteira, mas que já vai arranhando os braços aos poucos.

A subida é puxada, não era só questão do meu cansaço acumulado das trilhas anteriores, aqui foi preciso sim ir na cautela e fazendo as devidas paradas para retomar o fôlego. Ao alcançar o amplo cume do Cobiçado, aproveitei as lajes de pedra para descansar brevemente e contemplar uma das vistas mais impressionantes de Petrópolis.

Para prosseguir, atravessei toda a crista do cume e iniciei a descida pelo lado oposto. Logo em seguida cheguei no Pico dos Vândalos. Com 1.740 metros de altitude, este é o ponto mais alto do percurso e oferece um visual impressionante, de onde se pode avistar toda a Baía de Guanabara.

Ao sair do Pico dos Vândalos, tomei cuidado para não pegar o atalho fechado à esquerda, mantendo-me na crista para não perder o visual. Quase chegando na Pedra do Diabo a trilha adentra em uma mata que normalmente está mais fechada. A trilha continuou bem encostada na base da pedra para depois se chegar na crista da Pedra do Diabo. Nesta crista o caminho da direita dá acesso para o cume da Pedra do Diabo e o da esquerda segue para o Pico do Tridente, que é o próximo cume dessa travessia. No caso segui direto a travessia sem subir a Pedra do Diabo.

Ao perpassar pela crista do Tridente, há uma ligeira descida à direita para seguir o caminho para o Ventania. Agora sim, esta descida é bem íngreme e escorregadia, não para menos escorreguei quase entregue ao descidão se não fosse uma corda que já estava lá para me segurar, sem antes deixar minha mão com algumas bolhas por causa do atrito repentino, puxei essa corda como se estivesse puxando a corda para dar sinal de desembarque num ônibus rs. 

No fim dessa descida veio tipo uma área de pasto. Alguma bifurcação à direita aparece, mas para outras trilhas da região. Seguindo a trilha por uma bela crista com um capim baixinho e uma paisagem maravilhosa com o Pico Grande de Magé à direita, o Açu ao fundo e o Alcobaça à esquerda, Enfim, cheguei então no Ventania, o Alto da Ventania não possui um cume definido, pois é um platô onde a serra não é tão escarpada, servindo de passagem para quem quer descer a serra em outra travessia (Caxambu - Santo Aleixo). Por ali fiz mais uma pausa e comi meu lanche final para adiante encarar o trecho final da travessia. Mas pode-se dizer que o pior já passou e a trilha das torres é bem de boa e com alguns minutos depois, pude me abastecer de água que veio com muita comemoração, uma benção esse ponto de água faltando menos de 2km para o final da travessia. Finalizei a caminhada bem de boa num bar que fica bem no final do ônibus 194 Santa Isabel x Centro. Foi onde parei a gravação do tracklog também.

“Eu tenho o destino do vento, e tenho a vida presa nas teias de uma esperança desconhecida. A rosa dos ventos. Tenho destino dos pássaros. Voando, voando até a queda final. Tenho destino de água, sempre correndo em todas as formas, umas vezes nascente, outras vezes rio. Outras vezes suor e lágrimas. Dilúvio. Gota de orvalho na garganta de um passarinho. Sou vapor aquecido pela vida. Sou gelo e neve na câmara do congelador. Mas sempre água, o movimento é minha eternidade...” (Pauline Chiziane, O alegre canto da perdiz, 2019, p.13)

Maria Comprida

Obs: a trilha cobiçado-ventania faz parte do trajeto de Trilhas de longo curso chamado Caminhos da Serra do Mar. 

"A versatilidade é um dos pontos fortes dos Caminhos da Serra do Mar. A rota pode ser percorrida de forma contínua ou dividida em seções independentes. O primeiro núcleo da trilha reúne itinerários como o Caminho do Ouro, a Travessia Cobiçado–Ventania, a trilha uricanal, o Morro do Açu, a Travessia Petrópolis–Teresópolis e a Pedra do Sino."


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Portais de Hércules + Cachoeira e Morro do Alicate - PARNASO

 - Trilheiro: Fuca

- Entrada Gratuita

- No Parque têm banheiros e água na portaria.

- Não tem estacionamento do parque, só um pouco antes têm 2 privados.

Portais de Hércules -PARNASO

Portais de Hércules + Cachoeira e Morro do Alicate - PARNASO - 2 dias

Os Portais de Hércules ficam no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), região serrana do Rio de Janeiro. Trata-se de um esplendido mirante famoso pela vista espetacular de paredões de rocha e pelo nascer do sol acima das nuvens. A caminhada de acesso consiste numa empreitada exigente, geralmente é feita junto com a famosa Travessia Petrópolis-Teresópolis ou em acampamentos na área do Açu. No meu caso eu fiz num bate e volta a partir do Camping do Ser, próximo da portaria da sede de Petrópolis do PARNASO.

Roteiro

Dia 1: Chegada de SP e Trilha Cachoeira do Alicate, Morro do Alicate, Cachoeira Véu de Noiva, Andorinhas e Gruta do Presidente. (De volta ao Camping do Ser) – tracklog que gravei:

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/morro-do-alicate-cachoeiras-do-alicate-veu-da-noiva-e-andorinhas-parnaso-273317696

Dia 2: Portais de Hércules - bate e volta

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/portais-de-hercules-parnaso-bate-e-volta-273483068

Dia 3: Travessia Cobiçado x Ventania (PARNASO)

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travessia-cobicado-x-ventania-petropolis-rj-273665881

ponto Correas

Cheguei na Rodoviária de Petrópolis, peguei um ônibus até o terminal de Corrêas (Linha 150), e de lá peguei o ônibus para Bonfim, que foi integração (linha 611). Desci no ponto final e seguir rumo ao Camping do Ser, que fica bem ao lado da Portaria do Parque Nacional Serra dos Órgãos, sede Petrópolis - RJ.

Obs: do final de ônibus (perto do Restaurante Tourinhos) têm placas das Pousadas Cabanas do Açu e Paraíso do Açu, já que a entrada do Parque é vizinha a essas pousadas.

Relato:

O Morro do Alicate é uma montanha situada no Parque Nacional Serra dos Órgãos, sede Petrópolis, e, com uma altitude de aproximados 1680 metros, oferece uma vista ao Vale do Bonfim e à Maria Cumprida mais ao fundo.

Até certo ponto, sua trilha é a mesma que liga a parte alta do parte sentido Castelos do Açu, por isso o limite máximo pra subir é até as 10h.

Cachoeira do Alicate

Como dito, a trilha para o Morro do Alicate é a mesma do Morro do Açú, bastou seguir a trilha mantendo sempre em frente nas duas bifurcações sinalizadas. Após um trecho de ziguezague é possível ver em uma das curvas a trilha que desce na esquerda (essa não tem placa indicando), então de uma trilha mais aberta passa-se pra uma trilha mais fechada e bem íngreme inicialmente. Desci com cuidado, pois o risco de um escorregão é evidente. Foi necessário usar as mãos e me apoiar nas árvores e raízes ao longo do caminho.

Depois de vencer esse trecho, logo vai chegar o leito do rio e uma placa mencionando à esquerda Morro e, à direita, Cachoeira. Fui pra Cachoeira do Alicate primeiro, sempre seguindo o gps (tracklog), pois aqui a trilha já não é tão visitada como as outras do parque. A cachoeira é linda e tem dois poços pra banho. O volume de água da queda tava mais baixo, pois era inverno. Fiz uma pausa!

Adiante, voltei pra bifurcação e agora segui morro acima. A trilha continua mais fechada, porém demarcada. E logo começa um subidão quase sem fim e haja fôlego. Já não teve mais bifurcação e foi só subir que em algum instante eu iria chegar.

Do Topo Alicate

No topo, após uns 5km desde o início, fiz um merecido descanso de contemplação. Dava pra ver o Vale do Bonfim e o Pico da Glória, mais do lado. Um destaque sobre as nuvens era pra Maria Cumprida, bem imponente. Um pouco mais próximo eu via o Pico do Alcobaça.

Na volta fiz o mesmo caminho rumo à portaria do parque, mas sem antes passar pela Cachoeira Véu de Noiva e Cachoeira das Andorinhas, ambas mais frequentadas no parque e trilha bem tranquila, sinalizada e demarcada – passando pela Gruta do Presidente. Valem a pena!

A cachoeira Véu da Noiva tá situada a uns 3km da sede. Impressiona com seus 30 metros de altura, e embora estivesse menos volumosa nessa época, a cachoeira é um dos grandes destaques do PARNASO. Com apenas mais 5 minutos de caminhada, é possível então chegar na cachoeira das Andorinhas. São 15 metros de queda formando um poço mais fundo para banho. O local é cercado por 2 paredões, o que dá um ar legal ao local.

Visual do Açu

Dia 2 - Portais de Hércules - bate e volta - 10/09/2026

As palavras se perdem com o vento, por isso é bom registrar as aventuras na natureza. Numas altitudes acima de 2000 metros já têm o costume de ventar muito mais, mas sem a escrita permanecem apenas alguns flashs.

Acordei numa boa no Camping do Ser, preparei um bom café da manhã e um monte de lanche pra eu encarar esse bate e volta que seria bem desafiador – com mochila de ataque. Pois, no dia anterior, já tive um pouco da sensação de parte da trilha ao ir até o Alicate. Mas dessa vez seguiria direto até o Castelo Açu, sem entrar em nenhuma bifurcação. Sei que cheguei no Açu umas 11h00 da manhã, levando em consideração que iniciei a trilha umas 07h30, após preencher uma ficha na portaria da sede Petrópolis do PARNASO.

3 picos e Caledônia (fundo)

Lógico que antes de chegar ao Abrigo Açu, após uns 8,5km, eu passei pela Pedra do Queijo, pelo Ajax (ponto de abastecimento de água), Chapadão (uns 6km desde o início), Mirante Graças a Deus pra logo depois chegar nos Castelos do Açu. Vale lembrar que daqui em diante é seguir o caminho como se fosse fazer a Travessia Petrô x Terê e com uns 2,5km cheguei no Morro do Marco, às 11h50. Visual pros 3 picos bem ao fundo, bem como ao Pico Caledônia. Numa outra direção a Baía de Guanabara, noutra a Maria Cumprida, etc.  Aqui, no Morro do Marco, logo logo tive que tomar à direita (muita atenção nesse ponto) e é bom seguir o mapa e olhar as marcações nas rochas que indicam que o Mirante Portais de Hércules – PH – se encontra numa trilha não tão demarcada como a da travessia. No entanto, dessa bifurcação será apenas 2,5km ida e volta até esse inebriante Mirante. Uma das melhores cenas e paisagens que presenciei na vida. Realmente único!!!

Visual Baía

Quem faz a travessia por vezes vai até lá pra assistir o nascer do sol, eu no caso, após o merecido descanso de contemplação, fiz minha volta numa boa! Se é cansativo? De fato, é! Cheguei na portaria já era bem de noite. Tive que acionar a lanterna faltando uns 2km pra chegar na portaria de volta. Foi tudo muito bem nesse sentido.

No Camping eu já estava um bagaço, tomei banho e fui fazer um bom rango. Ainda tava avaliando se eu faria mesmo a Travessia Cobiçado x Ventania no dia seguinte. O jeito era monitorar como eu iria acordar, eu realmente me cansei bastante!!! Mas como disse Machado de Assis: “A pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas". Uma citação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), na qual o personagem Quincas Borba aconselha Brás Cubas a agir em vez de apenas reclamar da vida rsrs.

Certamente, enfim, fui dormir muito satisfeito com esse roteiro e por ter concluído essa trilha. Pé de Natureza!

Castelos Açu visto do Marco


Destaque Maria Cumprida

 Aqui o relato da primeira vez que fui no PARNASO

Pedra do Sino (PARNASO) - Teresópolis - RJ

(16/05/2017 até 17/05/2017)

https://pedenatureza.blogspot.com/2017/06/pedra-do-sino-parnaso-teresopolis-rj.html

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Pico da Pedra Furada - Parque Nacional do Itatiaia (PNI)

- Trilheiros: Fuca e Fepa

- Entrada Gratuita. 

Pico da Pedra Furada - Parque Nacional do Itatiaia (PNI)
 
O Pico da Pedra Furada, no Parque Nacional do Itatiaia -MG/RJ (parte alta), possui 2.589 metros de altitude. Sua trilha tem extensão total de menos 6 km (ida e volta) com nível de dificuldade de fácil a moderado, bem na Serra da Mantiqueira. Do cume, os visitantes têm uma ampla vista panorâmica que abrange montanhas da Mantiqueira, o Planalto do Itatiaia e áreas dos estados de Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Portanto, é um ótimo custo-benefício, pois se tem uma vista esplêndida e a entrada é gratuita porque o acesso se dá antes da chegada no Posto Marcão (portaria parte alta). 

Pedra Furada 2.589m

"O caminho não diz ao caminhante o que o espera adiante."

Precisávamos de um bate e volta não tão puxado, já que havíamos caminhado os 2 dois anteriores: um dia no Pico do Tira Chapéu e um bate e volta no Parque Nacional Serra da Bocaina. Como não enviamos um e-mail sobre a autorização pra fazer a Travessia de Mambucaba ou Trilha do Ouro – SP, daí sobrou mais 2 dias do feriado prolongado de junho. 
  
Pois bem, saímos do Camping Mantiqueira (Itamonte-MG) e fomos de carro até o começo da trilha e deste tracklog gravado. Esse camping foi mais um achado muito legal nessa região e fica bem próximo da Garganta de Registro e é um camping perto da rodovia. Possui banheiros com chuveiro quente, wifi com boa conexão e um ótimo atendimento. É possível reservar um café da manhã fresquinho e saboroso também, com produtos naturais deles mesmo, vale a pena! Fica só a 3km da Garganta de Registro, ou seja, 5 minutos de carro.
 
O dia tava ensolarado, então logo seguimos pra jornada do dia. Até o início da trilha, um carro baixo sobe normal a estrada, mas com muita cautela pois é uma via com muitos buracos. Lembrando que é o mesmo caminho pra quem vai rumo à portaria do PNI. 
 
Já a trilha tem aclives suaves e exige pouca ou nenhuma dificuldade técnica. No topo, tem uma formação rochosa que tem um furo, o local é bem bacana para fotos e oferece uma vista de 360° da Serra da Mantiqueira (Serra Fina), vales e montanhas icônicas como os picos das Agulhas Negras e a Pedra do Altar. Além do mais, o trajeto passa por campos de altitude, afloramentos rochosos e áreas típicas dos ambientes de montanha do parque. 

outros picos PNI

Os 400 metros iniciais são mais tranquilos até que chegar uma bifurcação que tomamos à esquerda e assim já começa uma subida básica. Logo temos um bom visual à esquerda enquanto vamos ganhando altitude numa boa.

O dia estava fresco, muito embora o sol já estivesse presente. Após quase 2km, chegamos noutra bifurcação e mais uma vez tomamos à esquerda, agora a subida se inclina bem mais, pois é o ataque final ao pico. Aqui é ter cautela e paciência que aos poucos vai se ganhando mais metros de altitude. Nesses dia percebi muitas crianças fazendo essa trilha além de pessoas de variadas idades. É uma trilha gostosa de se fazer e compensa muito.
 
É possível fazer trilha noturna pra pegar o nascer do sol e acredito que tem gente que fica até o sol se pôr. No entanto, faz frio e é proibido acampar no local, bem como fazer fogueiras. Preserve!  
 
Em resumo, a Pedra Furada é um destino ideal para quem deseja conhecer uma das paisagens mais emblemáticas do Parque Nacional do Itatiaia, combinando uma caminhada acessível, contato com a natureza e vistas impressionantes da Serra da Mantiqueira. Assim sendo, aos poucos vamos conhecendo mais e mais essa paisagem única que nos oferece diversas possibilidades de trilha. Eu mesmo já estou de olho nas grandes travessias como Rancho Caído e Serra Negra. O caminho não revela o futuro. Cada passo traz surpresas, desafios e novas descobertas que você só conhece ao viver o momento. Isso (é) Pé de Natureza!
 
Obs: Não há estrutura de banheiros, lanchonete, nem wifi e portaria. Leve seu lanche e água. 


Outras trilhas por lá:

9º Pico mais alto BR – Pedra do Sino de Itatiaia

8º Pico Mais Alto BR – Circuito Morro do Couto x Base Prateleiras – PNI

Pico das Agulhas Negras – Parque Nacional Itatiaia – MG/RJ (2019)

Pedra do Altar e Morro do Couto – Parque Nacional do Itatiaia (2022)
https://pedenatureza.blogspot.com/2023/04/pedra-do-altar-e-morro-do-couto-parque.html

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Parque Nacional da Serra da Bocaina: Tira Chapéu, Cachoeira do Santo Isidro e das Posses (2 dias)

No intuito de caminhar em mais um feriado prolongado do ano, meu primo e eu decidimos fazer uma trilha. Então a região escolhida foi a do Parque Nacional Serra da Bocaina, em São José do barreiro – SP. Mais especificamente o Pico do Tira Chapéu e depois a trilha do ouro. No Tira Chapéu seria um acampamento no topo pra apreciar um possível pôr do sol e o nascer do sol, no dia seguinte. Para tanto não precisaria de nenhum tipo de autorização, pois, apesar de estar nas imediações do parque, não se passa por uma portaria propriamente dita. Mas esse não é o caso pra se fazer a trilha do ouro, pra esta é preciso obter uma autorização prévia via e-mail. Como não fizemos isso, não pudemos fazer a travessia e nem ficar mais de um dia no parque, o jeito então foi realizar um bate e volta até a Cachoeira das Posses, visitando também a Cachoeira do Santo Isidro na volta.

Topo Tira Chapéu

Até tínhamos noção desse agendamento, mas achamos por melhor não alterar o local de viagem, apesar de se ter uma lista grande de trilhas e travessias interessantes que ainda não conhecemos. Com isso, pegamos estrada, meu primo revisou seu carro dias antes, passamos no posto de combustível, enchemos o tanque e foi ajustado o mapa no waze pra seguir sem problemas até São José do Barreiro. No portal da cidade, onde tem um posto policial, tinha um grupo coletando alguns itens para algum evento que não ouvi bem do que se tratava, nós apenas seguimos rumo à estrada de acesso à parte alta, ao Parna Serra da Bocaina. Em tal estrada seguiríamos por uns 26km num trajeto que mistura trechos de chão batido e outros de asfalto, meu primo subiu na cautela pra não danificar seu carro sedan.

Essa subida é repleta de mirantes, pelo menos uns 3 são estruturados para a apreciação da vista. Um pouco antes de se atingir a portaria do parque, terá uma bifurcação com uma placa indicando o acesso ao Pico do Tira Chapéu à direita. Então pra lá seguimos. Aqui o trecho ficou bem mais irregular, muitos buracos e bem barrento. Sorte que não era muito longo. Com isso, alguns minutos depois chegamos no ponto de estacionamento e lá foi onde iniciamos nossa gravação do tracklog, disponível no link: Wikiloc | Trilha Pico do Tira Chapéu - ida

Fiquei imaginando como seria essa estrada em sua continuidade, pois, a fim de cortar um caminho, o waze sugere que não se passe por São José do Barreiro e acesse essa estrada bem antes de se chegar ao portal da cidade. No caso preferimos não fazer isso. Agora falando acerca do estacionamento é só deixar o carro na beira de um caminho de acesso a uma fazenda, lá ninguém mexe e não há proibição, pois outros carros estacionam no mesmo local. Então foi só ajeitar as mochilas, os lanches, a água e começar a caminhada! O tempo estava nublado e às 11h10 já estávamos na ativa. (obs: atenção sobre água. Se for acampar no cume, é bom carregar bastante, pois não há ponto de coleta no trajeto até o Pico do Tira Chapéu.)
Sto Isidro

Esse trajeto inicial é mais aberto, se dá numa estrada erodida e com pouco acesso. Aos poucos vamos ganhando altitude até chegar na bifurcação que dá início à Trilha do Pai Thomaz, com um pouco mais de 1,5km de andança. Aqui então tomamos à direita, subindo e subindo, depois de passar por uma porteira pequena bem do lado da placa indicando o nome da trilha. Assim sendo, esse trecho passa a obter um aspecto mais de trilha mesmo.

Agora a subida vem constante, a trilha bem demarcada e sem bifurcações. Por vezes é preciso tomar fôlego, principalmente se estiver um tempo bem ensolarado – que não era nosso caso. Portanto, foi só subir na cautela. Visual? Pra nós dessa vez não iria dar certo, porém a esperança permanecia. Com mais 2km chegamos no alto da boa vista, vencendo o trecho mais sinuoso de subida e marcando o que seria uma segunda parte da trilha. A terceira parte consiste em menos de 4km até o topo, o trajeto fica sem muitas irregularidades pra então ter um ataque final bem de boa! Passamos por 2 rapazes que estavam descendo, fizeram um bate e volta e se surpreenderam ao saber que iriamos acampar lá em cima. No entanto, a previsão que vimos não era de tempo ruim, por isso a expectativa de o tempo abrir era real.

Cachoeira das Posses

Mas nada, chegamos no topo sem visual, após vencer os aproximados 500 metros de desnível altimétrico. Montamos a barraca rapidamente, pois uma garoa ameaçava começar. Fiz um lanche pra poder esperar fazer o almoço só mais tarde, que já serviria de janta também. Com isso, rodei um pouco a crista do pico e depois fui tirar um cochilo. No topo tem algumas áreas mais protegidas do vento, boas pra montar acampamento, mas ainda assim faz um frio razoável à noite. Lá no alto há também uma cruz e uma placa instalada pela prefeitura.

Ao acordar, percebi que havia mais 4 campistas em 2 barracas. Uma barraca deles foi montada num lugar mais afastado, num pasto mais abaixo do topo, então nem tivemos contato. Já o outro casal cozinhou sua janta junto com nosso fogareiro, pois o deles tinha dado erro.



Uma questão muito importante é sobre os provimentos de água, sobretudo pra quem vai acampar, pois não há fonte hídrica na trilha toda e devido a isso precisei carregar pelo menos uns 4 litros.

Após um bom sono, acordei 1h da madrugada pra urinar, nesse momento vi o céu mais aberto, inclusive com estrelas. Com isso fiquei atento pra acordar a tempo de apreciar um possível nascer do sol. De fato teve algo muito breve, pois a neblina teimava em ofuscar o visual do horizonte, porém nas vezes que revelava tudo era muito bonito e impressionante.


Café da manhã tomado então era a hora da descida. O tempo nublou de vez com uma leve garoa. Não chegava a molhar a roupa, apenas a barra da calça e o tênis que molhou um pouco devido ao contato na trilha. Foram mais 7km até o carro, numa boa. Agora seguimos para a portaria do parque sede garrafão. Lá fomos ao banheiro, abastecemos de água, fizemos mais um lanche ao estacionar o carro. Após atestar que não poderíamos fazer a travessia planejada por não termos enviado um pedido de agendado, então nos pusemos a fazer um bete e volta até as Cachoeira das Posses.

Dicas Dia 2

- Trilheiros: Fuca e Felipe Fepa.
- Entrada Gratuita

- A Cachoeira do Santo Isidro e a Cachoeira das Posses ficam no Parque Nacional Serra da Bocaina em São José do Barreiro - SP.

- De lá que sai a famosa e clássica travessia até Angra dos Reis, a chamada Trilha Do Ouro (Caminhos de Mambucaba).

- Até tínhamos a intenção de fazê-la, porém não agendamos antecipadamente e não pudemos ir, mas o acesso pras cachoeiras num bate e volta era possível.

- Se o plano inicial era acampar na Dona Palmira, no dia seguinte fazer um bate e volta até a Cachoeira do Veado e então - no 3° dia - subir de volta pra entrada do parque, só fizemos essa trilha gravada num dia. E foi o suficiente pro dia, pois já tínhamos voltado do Pico do Tira Chapéu, andando um total de 7km até iniciar essa trilha.

- A travessia fica pra uma próxima, mas as Cachoeiras valem a pena demais. E, apesar de se estar em meio à mata, a trilha na verdade é uma pequena estrada de terra. Nos trechos de atalho aí sim é trilha.



Obs:
- Como dito, esta caminhada coincide com o trecho inicial da Trilha do Ouro. A cachoeira das Posses tem uma queda de cerca de 40m de altura e fica a aproximados 8 km da portaria do Parque.

- Já a Cachoeira do Santo Isidro visitamos na volta. Ela é um dos destaques do Parque e sua queda possui impressionantes 70 metros de altura. Está localizada a apenas 1,5 km da entrada e a trilha é bem sinalizada - possui alguns degraus e corrimões.

Obs2: na noite anterior tínhamos acampado no Pico do Tira Chapéu e fizemos uns 7km de trilha voltando de lá. Pegamos o carro o fomo até a portaria do parque, onde estacionamos o carro de graça e é seguro.

- na portaria tem água, lixeiras e banheiros.

- no dia tinha wifi livre também, conexão boa!

Pé de Natureza!!!

domingo, 2 de agosto de 2026

Travessia Lapinha x Tabuleiro - MG (2 dias)

A Travessia Lapinha x Tabuleiro em MG é um dos trekkings mais clássicos do Brasil e cruza a Serra do Espinhaço numa extensão de aproximados 36 km. (Sem o Pico do Breu).

Essa rota liga o vilarejo de Lapinha da Serra, que pertence a Santana do Riacho, à portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro, já em Conceição do Mato Dentro.

O trajeto tem um visual dos gerais bem deslumbrante e finaliza na icônica Cachoeira do Tabuleiro (a maior de Minas Gerais, com 273 metros de queda).

- Trilha de nível fácil orientação/técnica, mas pela exigência física vai de moderado a difícil.

- Trilha possui bons pontos de água e exposição ao sol.

Segue o tracklog que gravei:

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travessia-lapinha-x-tabuleiro-mg-2-dias-fev-26-250740192

Cachoeira Tabuleiro

Relato:

Determinado a realizar essa notável travessia, logo pesquisei sobre a logística que seria aplicada. Basicamente me deslocaria de ônibus até Santana do Riacho e então pagaria algum transporte até a Lapinha da Serra ou iria na caminhada por uns 12km – inclusive deixei o wikiloc do trajeto já baixado no aplicativo. Esta última opção apenas se nada mais desse certo. Já pra volta eu teria que embarcar num ônibus de Conceição do Mato Dentro, mas sem antes conseguir um transfer até a rodoviária desde a portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro – que fica no final da travessia.

Da rodoviária do Tietê, em SP, segui rumo a Belo Horizonte, num feriado prolongado de carnaval. O plano era chegar no sábado pela manhã na rodoviária de BH a tempo de embarcar no próximo ônibus, que sairia às 07h30, rumo a Santana do Riacho. Acontece que por poucos minutos não foi possível ir nesse horário, daí tive que esperar até à tarde. A única opção seria às 15h00, uma passagem que custava em torno de R$60,00 pela Saritur. Como eu estava sozinho decidi não procurar outra opção, pois certamente sairia mais caro. Além do mais, esse dia seria reservado para deslocamentos mesmo e já com um plano de acampar em Lapinha da Serra uma noite.

Lapinha da trilha

O trajeto durou mais de 3 horas, com um caminho bonito e passando pela Serra do Cipó. Fato é que cheguei e Santana do Riacho já estava escuro. O motorista perguntou quem iria descer lá na praça, que é o final da linha. Nessa eu já fui pros assentos da frente e tinha um casal lá, perguntei se iriam pra Lapinha e disseram que sim. Ofereci-me pra repartir o valor se caso tivesse vaga e disseram ok. Pessoal gente boa. Assim estava garantida a minha ida, sem precisar ir a pé na noite escura.

Esse trecho foi no modo emoção, o motorista colocou o uno pra jogo na estrada de chão batido, enquanto falava um pouco sobre Lapinha da Serra e sobre a abertura daquela estrada. Rapidamente chegamos à vila, e assim me pus a ir pro Camping Central, onde eu passaria a noite por R$60,00. Montei a barraca eu fui atrás de um lugar pra tomar uma breja e a vila tava numa vibe boa. Não estiquei muito, pois teria que acordar cedo no dia seguinte.

chegando Prainha

Dia 1

Iniciei a caminhada no dia 15/02/26, às 07h, tomei um café da manhã reforçado na padaria. O tempo estava aberto, céu limpo, nesse começo do dia. Logo cheguei num ponto que teria que atravessar um trecho alagado, perto da barragem. Como eu não queria molhar o tênis, tirei e atravessei. Nesse momento passou por mim outro trilheiro e durante todo o percurso nos encontramos algumas vezes nas paradas pra descanso de cada um. Acho que nos cruzamos pelo menos 2 vezes depois.

É importante carregar um mapa pra fazer essa travessia, pois existem algumas bifurcações pra outras travessias ou outros atrativos na região, as opções são muitas, uma região muita rica para os amantes de caminhadas na natureza, faz parte da chamada cordilheira do espinhaço. O nome Espinhaço vem do aspecto da cadeia montanhosa, que lembra uma "espinha dorsal" atravessando parte do território brasileiro. Em resumo, a Cordilheira do Espinhaço é uma longa cadeia de montanhas que atravessa Minas Gerais e Bahia, destacando-se pela riqueza geológica, pelas nascentes de rios e pela impressionante biodiversidade.

Existem também, nessa trilha, muitas porteiras ao longo do trajeto, me parece que indicam que há vários proprietários particular e trechos de parque propriamente dito. Acho que há uma transição com relação a isso, ou não.

vista p/ Ana Benta
O primeiro ponto de referência e de pausa é a Capela de Nossa Senhora Aparecida, quando passei tinha um trilheiro lá dentro ajoelhado rezando. Até aqui andei uns 3,5 km e já quase marcando o fim de uma subida inicial com um visual bem legal da Vila ao fundo e de toda lagoa abaixo. Fazia um tempo que o céu estava nublado e assim fui poupado de se ter um sol sobre mim, nisso a caminhada se dava num ambiente bem tranquilo. Logo pude visualizar a imensidão dos gerais, coisa linda demais que nem cabe numa foto, é ver pra crer.

Adiante, a caminhada fica tranquila, sem muitos aclives ou declives acentuados, lembrando que não subi o pico do breu. Com uns 7km desde o início, fiz outra pausa num ponto de água. A seguir veio a Prainha Ana benta e depois a pousada Ana Benta/Lucas. Eu só passei pela porteira desse estabelecimento que é histórico para a consolidação dessa travessia. A partir de agora vem um trecho de subida e quando já passados os 15km de caminhada eu cheguei no ponto de apoio Chico Lages/Celi. Lá faço uma pausa, bebo uma cerveja, como um queijinho, troco uma prosa e sigo a caminhada, pois faltam apenas uns 3km pra se chegar no ponto de apoio Zé de Olinta. Quando chego no Zé de Olinta já vou logo montar a barraca, o espaço de camping é um pouco mais abaixo do ponto de apoio. Reservei minha janta e fui pro banho. Depois encontrei o Augusto do RJ, o trilheiro que eu tinha trombado na trilha e gente boa demais, ele utilizou a mesma parada como base. Trocamos uma ideia sobre o trajeto do dia seguinte e combinamos de trilhar juntos a segunda parte da travessia. Então, com isso, faríamos em 2 dias. E eu como tava com essa parte do roteiro em aberto, declinei em fazer em 3 dias e foi a melhor opção mesmo. Já que Augusto tinha um resgaste combinado lá na portaria do parque.

vista camping Olinta
Dia 2

Não tivemos um nascer do sol devido à neblina, mas o dia não prometia chuvas. Deitei mais um pouco aguardando o café da manhã, porém devia acordar um pouco mais cedo para ajeitar tudo e depois partir, pois esse dia seria de despedida do ponto de apoio Zé Olinta. O plano seria ir até a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, passar pelo mirante da parte alta e depois ir pra parte baixa, passando pelo mirante da parte baixa e portaria do parque.

Pra ir na pauta alta, algumas pessoas escondem a mochila na bifurcação que separa os dois trajetos e levam somente o básico para parte alta. Até chegar essa bifurcação, saindo do Zé Olinta, deu em torno de uns 2km. Preferi ir de mochila mesmo já que estávamos num ritmo bom. Passamos uns 3 grupos que saíram na frente, mas todos com os guias bem legais, o pessoal de lá é muito solicito com informações e trocas de ideias: Tabuleiro Eco Aventuras, também outro guia do Eco vivência que faz o Parna Cipó 360º, etc.

cachoeira no canion

Logo veio um trecho de descida, mas lembrando que voltaríamos por esse mesmo trecho pra enfim ir sentido portaria. Então na volta seria subida. Na parte alta é preciso um pouco mais de atenção, tanto quanto aos riscos de queda durante a navegação quantos aos risco de tromba d’água em tempo de chuva, neste último caso é preciso abortar a missão.

Já bem próximo do topo da queda dá uma certa vertigem, então, mais uma vez, cuidado redobrado. Passamos ainda por outro mirante que já está constando uma placa de risco de desmoronamento na beira do mirante. Depois dessas visitas inebriantes, voltamos pra bifurcação das mochilas e, adiante, rumo aos quilômetros finais da travessia, sem antes passar pelo mirante parte baixa.

topo tabuleiro
Após passar por cenários incríveis e num tempo relativamente bom, chegamos na portaria onde é cobrado R$10,00 de cada pessoa. Lá, por incrível que pareça, tinha um chuveiro disponível pra tomar um bom banho antes de seguir rumo à rodoviária de Conceição do Mato Dentro. Para se chegar na rodoviária, o resgaste que o Augusto agendou já estava lá, ainda almoçamos uma deliciosa refeição tipicamente mineira em Tabuleiro e partimos pra rodoviária, pra então seguir pra BH. E aqui também, direção no modo mais emoção possível rs.

Foi show de bola essa experiência! Sem sombra de dúvidas essa travessia é uma experiência marcante para os amantes do ecoturismo e do trekking. Foram cerca de 35 a 36 km de extensão, atravessando campos rupestres, cânions, riachos e mirantes de grande beleza cênica, exigindo bom preparo físico devido aos trechos íngremes e à duração de dois dias de caminhada. E, por fim, terminando próximo à imponente Cachoeira do Tabuleiro, considerada uma das mais altas do país. Sem contar a oportunidade de conversar com outras pessoas que curtem o mesmo mundo trekking e de montanhas.

Pé de Natureza.






sexta-feira, 24 de julho de 2026

Vale do Pati – Chapada Diamantina: circuito 3 dias via Guiné

Final de ano de 2025, dia 29/12, parti da região rural de Várzea, que fica distante uns 17km do centro de Piatã, para a região da Guiné e, após umas dicas, decidi ir via Mucugê. No entanto, a estrada que peguei judiou um pouco do carro sedan normal que eu tava. Realmente uma estradinha bem ruim fez com que não compensasse os quilômetros ganhos de distância se comparado ao outro trajeto – que ia sentido Boninal. Pra quem quiser saber sobre a primeira parte da viagem pra Piatã, deixarei o link aqui: https://pedenatureza.blogspot.com/2026/07/chapada-diamantina-pico-do-barbado-e.html

Com uma trajeto desse não deu outra e meu pneu dianteiro direito furou ou estourou, não sei. Pois ainda cheguei a rodar um pouco sem perceber o que estava acontecendo, mas a direção puxando e o cheio de borracha subindo fizeram com que eu parasse e observasse o ocorrido. Por bem dizer, não faltava muito pra chegar, porém não era esperado que perder mais tempo pra iniciar a trilha, até porque não tava contando com um locomoção tão lenta devido às condições já mencionadas.

Troquei o pneu sob aquele sol rachando a cuca. Depois disso fiquei até mais apreensivo porque nenhum pneu poderia mais furar, um lugar bem remoto não teria uma borracharia tão acessível. Contudo, até a chegada ao estacionamento Aleixo, nada mais ocorreu.

Logo quando cheguei, percebi uma placa informando que em breve cobraria uma taxa pra estacionamento, não estava vigente nessa época e com isso apenas deixei o carro, arrumei a mochila, conferi o mapa no celular e comecei a caminhada. O plano era o seguinte: 2 pernoites acampado na Casa Agnaldo e Miguel.

- 1° dia: Mirante Aleixo; Mirante Vale do Pati; Igrejinha; Cachoeiras Lajeado, Funis, Bananeiras; Camping Agnaldo e Miguel. (10,5km);

- 2° dia: Morro do Castelo; Mirante Pati Baixo; Camping Agnaldo e Miguel. (7km);

- 3° dia: Subida da Fenda; Mirante da Fenda; Mirante Cachoeirão; Mirante Aleixo e Estacionamento Aleixo. (17km);

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/vale-do-pati-circuito-3-dias-via-guine-chapada-diamantina-dez-25-245467478

Mirante do Pati

Dia 1

Por volta das 11h30, do dia 29/12, iniciei a trilha sob um sol forte, ainda bem que eu estava com meu chapéu de palha pra salvar um pouco. Eu olhava pra frente e via um paredão a ser vencido, praticamente logo de cara, pra mostrar que o trekking do vale do pati não é só molezinha e visuais esplendidos proporcionados pelos chapadões da natureza. Era uma segunda-feira e já havia alguns grupos mais pra frente e outros que iriam começar ainda, só estavam numa resenha lá no estacionamento. Como eu estava sozinho já fui no meu ritmo sem tantas paradas de início, isso até chegar na metade da subida, aí sim senti um pouco o calor, a mochila e as pernas rs. Sem crise, num ritmo mais de boa, logo cheguei no Mirante dos Aleixos, somos agraciados até com um abrigo natural das rochas. Lá, uma trilheira estava passando mal e seu guia a ajudou. Ofereci uma banana que minha mãe fez questão que eu levasse, mas não era caso de câimbra e eles agradeceram.

Até aqui foi rodado apenas 1,5km, enquanto uma galera fazia sua pausa ali, eu segui. Agora o cenário era mais plano e já podia avistar três morros imponentes bem mais ao fundo. Sim, um trecho bem agradável até a chegada do Rio Preto, onde abasteci de água usando clorin. Aproveitei e perguntei pra um guia se estavam bebendo dessa água normal, daí ele me disse que pra ele era de boa, mas que alguns clientes já passaram mal por não ter o costume. Enfim, eu também não tive problemas. Nessa travessia do rio é possível fazer a pausa pra banhos e uma galera fazia isso também. Eu segui!

vista da subida do Aleixo

Com uns 5km, desde o início, cheguei no Mirante do Pati. Um cenário incrível aquilo ali, coisa de outro mundo que custei a acreditar em tamanha beleza. Isso só faz reforçar que estar ali valeu muito a pena. E revigora pra continuar a caminhada, agora enfrentar uma íngreme descida. Após, segui à esquerda, que é o caminho que contorna o morro e passa pela igrejinha e pelas cachoeiras. Se eu seguisse a trilha reta, daria no Morro do Cruzeiro.

Mais 1,5km desde o Mirante, ou seja, 6,5 desde o início, cheguei na Igrejinha e logo reabasteci a garrafa de água, pra mim é bom sempre andar com muita água porque no calor eu consumo bastante. Percebi que tinha uma galera montando acampamento, mas o ideal ali é para se hospedar nos quartos. Inclusive depois encontrei com essa galera que lá acampou e disseram mesmo não ser estruturado pra camping.

Altina

Mais uns 500 metros passo por um cemitério, pra mais adiante chegar a primeira cachoeira do dia, no meu mapa diz Cachoeira da Altina. Digo isso porque analisei outros mapa e continha outro nome, mas, enfim, lá foi onde tomei aquele banho refrescante e merecido. Sensacional! Aquela pausa pra contemplação e lanches.

Continuei meio que uma trilha ao lado do leito do rio, até interceptar a trilha pra chegada na Cachoeira dos Funis, esta com uma característica já diferente da anterior, pois possui um belo poço é mais estreita e fechada. Como já havia me banhado, só fiz uma breve pausa. A trilha continua na outra margem do rio e em pouco tempo – bem de boa – cheguei na Cachoeira das Bananeiras. Tinha um grupo lá, inclusive reconheci um guia que era de sp, mas eu segui já na vontade chegar ao Abrigo Agnaldo e Miguel.

Cachoeira dos Funis

No caso minha preocupação era quanto à refeição, porque eu não agendei nada! Como minha viagem eu mesclava os compromissos com minha mãe em leva-la pra visitar as pessoas e das minhas aventuras trilheiras, ficou difícil pra eu cravar a data que realmente eu iria fazer essa travessia. Vide que a primeira parte da viagem, relatada no post anterior, eu fazia mais uns bate e volta, como escape.

Sei que com uns 10km desde o início eu cheguei na Pousada Agnaldo e Miguel. De fato eu não teria janta naquele dia, mas tinham outras opções pra comer algo. Assim sendo, montei minha barraca, relaxei e fui pro banho. Se eu não me engano os chuveiros são frios, não são energizados. Eu mesmo que não tomaria banho quente num dia de calor daquele. O valor do camping nesta data foi de R$60,00 e a janta é o mesmo valor. Além de deliciosos pasteis, eles vendem refrigerantes e cervejas. Tomei algumas latinhas pra relaxar junto com pastéis. A cerveja sai mais cara devido ao trabalho de se chegar até lá. Lembrem-se que é uma acomodação bem remota, não se chega veículo motorizado com facilidade. Agora tem a opção de camas em quartos compartilhados e acredito que um quarto individual, daí é preciso checar e fazer reservas. A energia chega através de placas solares.

 

Bananeiras

Dia 2

Acordei bem cedo, rodeado pelas montanhas e aquela neblina costumeira de uma manhã em meio à serra. Esperei o café da manhã, farto por demais, já pra dar energia pra trilha do dia: Morro do Castelo.

O Morro do Castelo é o ponto culminante do Vale do Pati, pra alcança-lo é necessário fazer uma trilha íngreme e irregular, porém bem batida, sem tantas dificuldades de navegação – nesse dia seria um bate e volta até a pousada (mochila de ataque). Logo nos primeiros quilômetros tem um ponto de água que achei impressionante, água geladinha e limpa. Na volta foi a salvação, pois eu estava com sede já.

Já quase no topo tem uma gruta, que estava interditada e por isso não acessei, mas vi algumas pessoas que acessaram. Deviam estar sendo guiados por guias de fora da região, ou de cidades adjacentes. Enfim, pela preservação e pelo risco de dano, eu preferi não ir e seguir na trilha mais recente pra evitar a gruta.

Mirante Pati Baixo

Ainda sem nenhum visual, visitei o Mirante do Pati de Baixo. Lá aguardei o tempo abrir e assim se fez. Mais um espetáculo na Chapada Diamantina. Adiante, aí sim, fui pra outra parte do Morro do Castelo, tempo já aberto também. Um visual de 360º podendo ver várias regiões, a Cachoeira do Calixto – que eu não iria visitar nessa ocasião.

A volta foi tranquila e à noite teria a tão esperada janta, que de fato me surpreendeu. Comida local sem frescuras e em grande quantidade. O tempero maravilhoso e na hora lembrei da minha mãe e minhas tias, pois muitas coisas eu já tinha o costume de comer. Feijão Andu, Arroz Vermelho, Palma, Abobora com quiabo, vixi – muita coisa. Um caldo/creme de ervilha saboroso pra opção de proteína sem origem animal. Incrível! Imagino pros gringos como deve ser essa experiência de alimentação, de muito valor!

Por fim, foi só dormir, sem antes pegar o celular que estava carregando, mas a carga foi lenta. Sorte que eu tava com o power bank – é necessário esse item pra quem tiver acompanhando o mapa pelo celular durante os 3 dias.

 

visual no Castelo

Dia 3

É dia 31/12, véspera de ano novo, todo mundo combinando onde passar o réveillon, alguns falavam de algum forró pelo Pati, outros em fogueira e luar, enfim, no meu caso seria o dia da volta, fechar o circuito de volta pro Aleixo passando pelo Mirante do Cachoeirão, mas sem antes vencer a subida da Fenda. A questão é que esse dia já seria trilha com cargueira mesmo.

Desmontei a barraca e arrumei a mochila. Tomei mais um café da manhã reforçado, acertei as contas e parti. Este é o dia derradeiro e onde mais se caminha, serão mais de 16km. A trilha segue de boa, passei pela Pousada da Léia, depois da Dona Raquel e, ao avistar a Pousada do Zé Preto, virei à direita rumo à ascensão até a Fenda. Essa subida eu sabia que seria braba. Não foi pra menos. Nesse dia eu segui praticamente sozinho, pois não era o plano de ninguém deixar o Pati no dia da virada do ano.  Depois de uns 2km de subida árdua, cheguei no Mirante da Fenda e me aloquei numa espécie de abrigo, ali com cuidado fui caminhando. Em seguida veio a subida final da Fenda, neste local a trilha deu uma confundida, mas seguindo a direção do tracklog ajuda demais a se orientar.

Aqui já passei a racionar mais a água já que na subida eu bebi bastante. Impressionante que, além da beleza cênica, os tipos de trilha são variados. Até aqui já passei por morros íngremes, por leito de rio, por rochas, por areias, por lugares mais planos dos gerais, perto de gruta, cumes, vales, etc. É demais, um sonho sendo realizado, um desejo de anos atrás que parecia distante, mas que nessa ocasião se fez real.

chegando na Fenda

Esse dia, uma caminhada mais longa, fui na cautela até chegar o Cachoeirão. Um espetáculo novamente. No caso eu não consegui ver a queda nitidamente, pois, pelo horário, estava sombreado o local da cachoeira. Mas o mirante é magnifico, não tinha ninguém também quando cheguei, não pude tirar aquela foto que o pessoal se arrisca mais rs. Apesar de que nem é muito meu perfil me arriscar por uma foto, mas ter uma fotinha dali seria loko demais.

O sol estralava, água já no limite. O próximo ponto de abastecimento hídrico estava por chegar. A caminhada continuava sentido o Mirante Aleixo, tinha chão ainda. Cruzei o Rio Preto novamente e lá fiz uma pausa.

Só sei que no fim da tarde eu cheguei no estacionamento e fu direto na vendinha que estava aberta, na verdade quase pra fechar! Dei sorte e pedi um refri e uma cerveja pra comemorar. Utilizei o wifi do local pra pagar no pix e já carreguei o caminho de volta pra Piatã. Decidido a não fazer o mesmo trajeto da ida. Foi aí que o rapaz do estacionamento me indicou o melhor caminho e, como ele já estava fechando, disse pra segui-lo que ele ia mostrar os caminhos até ele chegar na casa dele e de lá eu poderia seguir numa boa que iria dar na estrada rumo à Boninal.

Mirante Cachoeirão

Dito e feito, segui sua moto por umas estradas de chão batido, mas bem transitável, esse rapaz foi super gente boa, ainda convidou pra fazer uma pausa lá com seu pessoal, já era clima de ano novo, mas eu disse que ainda ia encontrar minha mãe e minha tia lá em Piatã. Já em Boninal eu abasteci de combustível – que tava na reserva já. Nenhum pneu a mais furado. A única questão é que cheguei bem cansado na roça onde estava hospedado. Tomei uma ducha rápida e ainda tive que levar minha mãe lá pra cidade, pra ver os fogos da virada em Piatã. Contudo eu nem aproveitei, nem do carro eu sai. Infelizmente no dia seguinte tivemos a notícia do falecimento de minha querida tia Bela, em sp. Mantivemos a volta pro dia 4, pois não daria pra voltar pra sp tão rápido assim. Também não dei continuidade em outros roteiros que tinha no pente, fica pra uma próxima! O misto de sentimento tava instaurado, não poderíamos nos despedir da minha tia, a mais grudada com minha mãe e a que muito conversava comigo. Dias antes eu havia visitado, pela primeira vez adulto, o local onde elas nasceram e cresceram – uma casa já sem telhas, na roça, cercada pelas montanhas. As memórias permanecerão!

Pé de Natureza!