domingo, 2 de agosto de 2026

Travessia Lapinha x Tabuleiro - MG (2 dias)

A Travessia Lapinha x Tabuleiro em MG é um dos trekkings mais clássicos do Brasil e cruza a Serra do Espinhaço numa extensão de aproximados 36 km. (Sem o Pico do Breu).

Essa rota liga o vilarejo de Lapinha da Serra, que pertence a Santana do Riacho, à portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro, já em Conceição do Mato Dentro.

O trajeto tem um visual dos gerais bem deslumbrante e finaliza na icônica Cachoeira do Tabuleiro (a maior de Minas Gerais, com 273 metros de queda).

- Trilha de nível fácil orientação/técnica, mas pela exigência física vai de moderado a difícil.

- Trilha possui bons pontos de água e exposição ao sol.

Segue o tracklog que gravei:

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travessia-lapinha-x-tabuleiro-mg-2-dias-fev-26-250740192

Cachoeira Tabuleiro

Relato:

Determinado a realizar essa notável travessia, logo pesquisei sobre a logística que seria aplicada. Basicamente me deslocaria de ônibus até Santana do Riacho e então pagaria algum transporte até a Lapinha da Serra ou iria na caminhada por uns 12km – inclusive deixei o wikiloc do trajeto já baixado no aplicativo. Esta última opção apenas se nada mais desse certo. Já pra volta eu teria que embarcar num ônibus de Conceição do Mato Dentro, mas sem antes conseguir um transfer até a rodoviária desde a portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro – que fica no final da travessia.

Da rodoviária do Tietê, em SP, segui rumo a Belo Horizonte, num feriado prolongado de carnaval. O plano era chegar no sábado pela manhã na rodoviária de BH a tempo de embarcar no próximo ônibus, que sairia às 07h30, rumo a Santana do Riacho. Acontece que por poucos minutos não foi possível ir nesse horário, daí tive que esperar até à tarde. A única opção seria às 15h00, uma passagem que custava em torno de R$60,00 pela Saritur. Como eu estava sozinho decidi não procurar outra opção, pois certamente sairia mais caro. Além do mais, esse dia seria reservado para deslocamentos mesmo e já com um plano de acampar em Lapinha da Serra uma noite.

Lapinha da trilha

O trajeto durou mais de 3 horas, com um caminho bonito e passando pela Serra do Cipó. Fato é que cheguei e Santana do Riacho já estava escuro. O motorista perguntou quem iria descer lá na praça, que é o final da linha. Nessa eu já fui pros assentos da frente e tinha um casal lá, perguntei se iriam pra Lapinha e disseram que sim. Ofereci-me pra repartir o valor se caso tivesse vaga e disseram ok. Pessoal gente boa. Assim estava garantida a minha ida, sem precisar ir a pé na noite escura.

Esse trecho foi no modo emoção, o motorista colocou o uno pra jogo na estrada de chão batido, enquanto falava um pouco sobre Lapinha da Serra e sobre a abertura daquela estrada. Rapidamente chegamos à vila, e assim me pus a ir pro Camping Central, onde eu passaria a noite por R$60,00. Montei a barraca eu fui atrás de um lugar pra tomar uma breja e a vila tava numa vibe boa. Não estiquei muito, pois teria que acordar cedo no dia seguinte.

chegando Prainha

Dia 1

Iniciei a caminhada no dia 15/02/26, às 07h, tomei um café da manhã reforçado na padaria. O tempo estava aberto, céu limpo, nesse começo do dia. Logo cheguei num ponto que teria que atravessar um trecho alagado, perto da barragem. Como eu não queria molhar o tênis, tirei e atravessei. Nesse momento passou por mim outro trilheiro e durante todo o percurso nos encontramos algumas vezes nas paradas pra descanso de cada um. Acho que nos cruzamos pelo menos 2 vezes depois.

É importante carregar um mapa pra fazer essa travessia, pois existem algumas bifurcações pra outras travessias ou outros atrativos na região, as opções são muitas, uma região muita rica para os amantes de caminhadas na natureza, faz parte da chamada cordilheira do espinhaço. O nome Espinhaço vem do aspecto da cadeia montanhosa, que lembra uma "espinha dorsal" atravessando parte do território brasileiro. Em resumo, a Cordilheira do Espinhaço é uma longa cadeia de montanhas que atravessa Minas Gerais e Bahia, destacando-se pela riqueza geológica, pelas nascentes de rios e pela impressionante biodiversidade.

Existem também, nessa trilha, muitas porteiras ao longo do trajeto, me parece que indicam que há vários proprietários particular e trechos de parque propriamente dito. Acho que há uma transição com relação a isso, ou não.

vista p/ Ana Benta
O primeiro ponto de referência e de pausa é a Capela de Nossa Senhora Aparecida, quando passei tinha um trilheiro lá dentro ajoelhado rezando. Até aqui andei uns 3,5 km e já quase marcando o fim de uma subida inicial com um visual bem legal da Vila ao fundo e de toda lagoa abaixo. Fazia um tempo que o céu estava nublado e assim fui poupado de se ter um sol sobre mim, nisso a caminhada se dava num ambiente bem tranquilo. Logo pude visualizar a imensidão dos gerais, coisa linda demais que nem cabe numa foto, é ver pra crer.

Adiante, a caminhada fica tranquila, sem muitos aclives ou declives acentuados, lembrando que não subi o pico do breu. Com uns 7km desde o início, fiz outra pausa num ponto de água. A seguir veio a Prainha Ana benta e depois a pousada Ana Benta/Lucas. Eu só passei pela porteira desse estabelecimento que é histórico para a consolidação dessa travessia. A partir de agora vem um trecho de subida e quando já passados os 15km de caminhada eu cheguei no ponto de apoio Chico Lages/Celi. Lá faço uma pausa, bebo uma cerveja, como um queijinho, troco uma prosa e sigo a caminhada, pois faltam apenas uns 3km pra se chegar no ponto de apoio Zé de Olinta. Quando chego no Zé de Olinta já vou logo montar a barraca, o espaço de camping é um pouco mais abaixo do ponto de apoio. Reservei minha janta e fui pro banho. Depois encontrei o Augusto do RJ, o trilheiro que eu tinha trombado na trilha e gente boa demais, ele utilizou a mesma parada como base. Trocamos uma ideia sobre o trajeto do dia seguinte e combinamos de trilhar juntos a segunda parte da travessia. Então, com isso, faríamos em 2 dias. E eu como tava com essa parte do roteiro em aberto, declinei em fazer em 3 dias e foi a melhor opção mesmo. Já que Augusto tinha um resgaste combinado lá na portaria do parque.

vista camping Olinta
Dia 2

Não tivemos um nascer do sol devido à neblina, mas o dia não prometia chuvas. Deitei mais um pouco aguardando o café da manhã, porém devia acordar um pouco mais cedo para ajeitar tudo e depois partir, pois esse dia seria de despedida do ponto de apoio Zé Olinta. O plano seria ir até a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, passar pelo mirante da parte alta e depois ir pra parte baixa, passando pelo mirante da parte baixa e portaria do parque.

Pra ir na pauta alta, algumas pessoas escondem a mochila na bifurcação que separa os dois trajetos e levam somente o básico para parte alta. Até chegar essa bifurcação, saindo do Zé Olinta, deu em torno de uns 2km. Preferi ir de mochila mesmo já que estávamos num ritmo bom. Passamos uns 3 grupos que saíram na frente, mas todos com os guias bem legais, o pessoal de lá é muito solicito com informações e trocas de ideias: Tabuleiro Eco Aventuras, também outro guia do Eco vivência que faz o Parna Cipó 360º, etc.

cachoeira no canion

Logo veio um trecho de descida, mas lembrando que voltaríamos por esse mesmo trecho pra enfim ir sentido portaria. Então na volta seria subida. Na parte alta é preciso um pouco mais de atenção, tanto quanto aos riscos de queda durante a navegação quantos aos risco de tromba d’água em tempo de chuva, neste último caso é preciso abortar a missão.

Já bem próximo do topo da queda dá uma certa vertigem, então, mais uma vez, cuidado redobrado. Passamos ainda por outro mirante que já está constando uma placa de risco de desmoronamento na beira do mirante. Depois dessas visitas inebriantes, voltamos pra bifurcação das mochilas e, adiante, rumo aos quilômetros finais da travessia, sem antes passar pelo mirante parte baixa.

topo tabuleiro
Após passar por cenários incríveis e num tempo relativamente bom, chegamos na portaria onde é cobrado R$10,00 de cada pessoa. Lá, por incrível que pareça, tinha um chuveiro disponível pra tomar um bom banho antes de seguir rumo à rodoviária de Conceição do Mato Dentro. Para se chegar na rodoviária, o resgaste que o Augusto agendou já estava lá, ainda almoçamos uma deliciosa refeição tipicamente mineira em Tabuleiro e partimos pra rodoviária, pra então seguir pra BH. E aqui também, direção no modo mais emoção possível rs.

Foi show de bola essa experiência! Sem sombra de dúvidas essa travessia é uma experiência marcante para os amantes do ecoturismo e do trekking. Foram cerca de 35 a 36 km de extensão, atravessando campos rupestres, cânions, riachos e mirantes de grande beleza cênica, exigindo bom preparo físico devido aos trechos íngremes e à duração de dois dias de caminhada. E, por fim, terminando próximo à imponente Cachoeira do Tabuleiro, considerada uma das mais altas do país. Sem contar a oportunidade de conversar com outras pessoas que curtem o mesmo mundo trekking e de montanhas.

Pé de Natureza.






sexta-feira, 24 de julho de 2026

Vale do Pati – Chapada Diamantina: circuito 3 dias via Guiné

Final de ano de 2025, dia 29/12, parti da região rural de Várzea, que fica distante uns 17km do centro de Piatã, para a região da Guiné e, após umas dicas, decidi ir via Mucugê. No entanto, a estrada que peguei judiou um pouco do carro sedan normal que eu tava. Realmente uma estradinha bem ruim fez com que não compensasse os quilômetros ganhos de distância se comparado ao outro trajeto – que ia sentido Boninal. Pra quem quiser saber sobre a primeira parte da viagem pra Piatã, deixarei o link aqui: https://pedenatureza.blogspot.com/2026/07/chapada-diamantina-pico-do-barbado-e.html

Com uma trajeto desse não deu outra e meu pneu dianteiro direito furou ou estourou, não sei. Pois ainda cheguei a rodar um pouco sem perceber o que estava acontecendo, mas a direção puxando e o cheio de borracha subindo fizeram com que eu parasse e observasse o ocorrido. Por bem dizer, não faltava muito pra chegar, porém não era esperado que perder mais tempo pra iniciar a trilha, até porque não tava contando com um locomoção tão lenta devido às condições já mencionadas.

Troquei o pneu sob aquele sol rachando a cuca. Depois disso fiquei até mais apreensivo porque nenhum pneu poderia mais furar, um lugar bem remoto não teria uma borracharia tão acessível. Contudo, até a chegada ao estacionamento Aleixo, nada mais ocorreu.

Logo quando cheguei, percebi uma placa informando que em breve cobraria uma taxa pra estacionamento, não estava vigente nessa época e com isso apenas deixei o carro, arrumei a mochila, conferi o mapa no celular e comecei a caminhada. O plano era o seguinte: 2 pernoites acampado na Casa Agnaldo e Miguel.

- 1° dia: Mirante Aleixo; Mirante Vale do Pati; Igrejinha; Cachoeiras Lajeado, Funis, Bananeiras; Camping Agnaldo e Miguel. (10,5km);

- 2° dia: Morro do Castelo; Mirante Pati Baixo; Camping Agnaldo e Miguel. (7km);

- 3° dia: Subida da Fenda; Mirante da Fenda; Mirante Cachoeirão; Mirante Aleixo e Estacionamento Aleixo. (17km);

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/vale-do-pati-circuito-3-dias-via-guine-chapada-diamantina-dez-25-245467478

Mirante do Pati

Dia 1

Por volta das 11h30, do dia 29/12, iniciei a trilha sob um sol forte, ainda bem que eu estava com meu chapéu de palha pra salvar um pouco. Eu olhava pra frente e via um paredão a ser vencido, praticamente logo de cara, pra mostrar que o trekking do vale do pati não é só molezinha e visuais esplendidos proporcionados pelos chapadões da natureza. Era uma segunda-feira e já havia alguns grupos mais pra frente e outros que iriam começar ainda, só estavam numa resenha lá no estacionamento. Como eu estava sozinho já fui no meu ritmo sem tantas paradas de início, isso até chegar na metade da subida, aí sim senti um pouco o calor, a mochila e as pernas rs. Sem crise, num ritmo mais de boa, logo cheguei no Mirante dos Aleixos, somos agraciados até com um abrigo natural das rochas. Lá, uma trilheira estava passando mal e seu guia a ajudou. Ofereci uma banana que minha mãe fez questão que eu levasse, mas não era caso de câimbra e eles agradeceram.

Até aqui foi rodado apenas 1,5km, enquanto uma galera fazia sua pausa ali, eu segui. Agora o cenário era mais plano e já podia avistar três morros imponentes bem mais ao fundo. Sim, um trecho bem agradável até a chegada do Rio Preto, onde abasteci de água usando clorin. Aproveitei e perguntei pra um guia se estavam bebendo dessa água normal, daí ele me disse que pra ele era de boa, mas que alguns clientes já passaram mal por não ter o costume. Enfim, eu também não tive problemas. Nessa travessia do rio é possível fazer a pausa pra banhos e uma galera fazia isso também. Eu segui!

vista da subida do Aleixo

Com uns 5km, desde o início, cheguei no Mirante do Pati. Um cenário incrível aquilo ali, coisa de outro mundo que custei a acreditar em tamanha beleza. Isso só faz reforçar que estar ali valeu muito a pena. E revigora pra continuar a caminhada, agora enfrentar uma íngreme descida. Após, segui à esquerda, que é o caminho que contorna o morro e passa pela igrejinha e pelas cachoeiras. Se eu seguisse a trilha reta, daria no Morro do Cruzeiro.

Mais 1,5km desde o Mirante, ou seja, 6,5 desde o início, cheguei na Igrejinha e logo reabasteci a garrafa de água, pra mim é bom sempre andar com muita água porque no calor eu consumo bastante. Percebi que tinha uma galera montando acampamento, mas o ideal ali é para se hospedar nos quartos. Inclusive depois encontrei com essa galera que lá acampou e disseram mesmo não ser estruturado pra camping.

Altina

Mais uns 500 metros passo por um cemitério, pra mais adiante chegar a primeira cachoeira do dia, no meu mapa diz Cachoeira da Altina. Digo isso porque analisei outros mapa e continha outro nome, mas, enfim, lá foi onde tomei aquele banho refrescante e merecido. Sensacional! Aquela pausa pra contemplação e lanches.

Continuei meio que uma trilha ao lado do leito do rio, até interceptar a trilha pra chegada na Cachoeira dos Funis, esta com uma característica já diferente da anterior, pois possui um belo poço é mais estreita e fechada. Como já havia me banhado, só fiz uma breve pausa. A trilha continua na outra margem do rio e em pouco tempo – bem de boa – cheguei na Cachoeira das Bananeiras. Tinha um grupo lá, inclusive reconheci um guia que era de sp, mas eu segui já na vontade chegar ao Abrigo Agnaldo e Miguel.

Cachoeira dos Funis

No caso minha preocupação era quanto à refeição, porque eu não agendei nada! Como minha viagem eu mesclava os compromissos com minha mãe em leva-la pra visitar as pessoas e das minhas aventuras trilheiras, ficou difícil pra eu cravar a data que realmente eu iria fazer essa travessia. Vide que a primeira parte da viagem, relatada no post anterior, eu fazia mais uns bate e volta, como escape.

Sei que com uns 10km desde o início eu cheguei na Pousada Agnaldo e Miguel. De fato eu não teria janta naquele dia, mas tinham outras opções pra comer algo. Assim sendo, montei minha barraca, relaxei e fui pro banho. Se eu não me engano os chuveiros são frios, não são energizados. Eu mesmo que não tomaria banho quente num dia de calor daquele. O valor do camping nesta data foi de R$60,00 e a janta é o mesmo valor. Além de deliciosos pasteis, eles vendem refrigerantes e cervejas. Tomei algumas latinhas pra relaxar junto com pastéis. A cerveja sai mais cara devido ao trabalho de se chegar até lá. Lembrem-se que é uma acomodação bem remota, não se chega veículo motorizado com facilidade. Agora tem a opção de camas em quartos compartilhados e acredito que um quarto individual, daí é preciso checar e fazer reservas. A energia chega através de placas solares.

 

Bananeiras

Dia 2

Acordei bem cedo, rodeado pelas montanhas e aquela neblina costumeira de uma manhã em meio à serra. Esperei o café da manhã, farto por demais, já pra dar energia pra trilha do dia: Morro do Castelo.

O Morro do Castelo é o ponto culminante do Vale do Pati, pra alcança-lo é necessário fazer uma trilha íngreme e irregular, porém bem batida, sem tantas dificuldades de navegação – nesse dia seria um bate e volta até a pousada (mochila de ataque). Logo nos primeiros quilômetros tem um ponto de água que achei impressionante, água geladinha e limpa. Na volta foi a salvação, pois eu estava com sede já.

Já quase no topo tem uma gruta, que estava interditada e por isso não acessei, mas vi algumas pessoas que acessaram. Deviam estar sendo guiados por guias de fora da região, ou de cidades adjacentes. Enfim, pela preservação e pelo risco de dano, eu preferi não ir e seguir na trilha mais recente pra evitar a gruta.

Mirante Pati Baixo

Ainda sem nenhum visual, visitei o Mirante do Pati de Baixo. Lá aguardei o tempo abrir e assim se fez. Mais um espetáculo na Chapada Diamantina. Adiante, aí sim, fui pra outra parte do Morro do Castelo, tempo já aberto também. Um visual de 360º podendo ver várias regiões, a Cachoeira do Calixto – que eu não iria visitar nessa ocasião.

A volta foi tranquila e à noite teria a tão esperada janta, que de fato me surpreendeu. Comida local sem frescuras e em grande quantidade. O tempero maravilhoso e na hora lembrei da minha mãe e minhas tias, pois muitas coisas eu já tinha o costume de comer. Feijão Andu, Arroz Vermelho, Palma, Abobora com quiabo, vixi – muita coisa. Um caldo/creme de ervilha saboroso pra opção de proteína sem origem animal. Incrível! Imagino pros gringos como deve ser essa experiência de alimentação, de muito valor!

Por fim, foi só dormir, sem antes pegar o celular que estava carregando, mas a carga foi lenta. Sorte que eu tava com o power bank – é necessário esse item pra quem tiver acompanhando o mapa pelo celular durante os 3 dias.

 

visual no Castelo

Dia 3

É dia 31/12, véspera de ano novo, todo mundo combinando onde passar o réveillon, alguns falavam de algum forró pelo Pati, outros em fogueira e luar, enfim, no meu caso seria o dia da volta, fechar o circuito de volta pro Aleixo passando pelo Mirante do Cachoeirão, mas sem antes vencer a subida da Fenda. A questão é que esse dia já seria trilha com cargueira mesmo.

Desmontei a barraca e arrumei a mochila. Tomei mais um café da manhã reforçado, acertei as contas e parti. Este é o dia derradeiro e onde mais se caminha, serão mais de 16km. A trilha segue de boa, passei pela Pousada da Léia, depois da Dona Raquel e, ao avistar a Pousada do Zé Preto, virei à direita rumo à ascensão até a Fenda. Essa subida eu sabia que seria braba. Não foi pra menos. Nesse dia eu segui praticamente sozinho, pois não era o plano de ninguém deixar o Pati no dia da virada do ano.  Depois de uns 2km de subida árdua, cheguei no Mirante da Fenda e me aloquei numa espécie de abrigo, ali com cuidado fui caminhando. Em seguida veio a subida final da Fenda, neste local a trilha deu uma confundida, mas seguindo a direção do tracklog ajuda demais a se orientar.

Aqui já passei a racionar mais a água já que na subida eu bebi bastante. Impressionante que, além da beleza cênica, os tipos de trilha são variados. Até aqui já passei por morros íngremes, por leito de rio, por rochas, por areias, por lugares mais planos dos gerais, perto de gruta, cumes, vales, etc. É demais, um sonho sendo realizado, um desejo de anos atrás que parecia distante, mas que nessa ocasião se fez real.

chegando na Fenda

Esse dia, uma caminhada mais longa, fui na cautela até chegar o Cachoeirão. Um espetáculo novamente. No caso eu não consegui ver a queda nitidamente, pois, pelo horário, estava sombreado o local da cachoeira. Mas o mirante é magnifico, não tinha ninguém também quando cheguei, não pude tirar aquela foto que o pessoal se arrisca mais rs. Apesar de que nem é muito meu perfil me arriscar por uma foto, mas ter uma fotinha dali seria loko demais.

O sol estralava, água já no limite. O próximo ponto de abastecimento hídrico estava por chegar. A caminhada continuava sentido o Mirante Aleixo, tinha chão ainda. Cruzei o Rio Preto novamente e lá fiz uma pausa.

Só sei que no fim da tarde eu cheguei no estacionamento e fu direto na vendinha que estava aberta, na verdade quase pra fechar! Dei sorte e pedi um refri e uma cerveja pra comemorar. Utilizei o wifi do local pra pagar no pix e já carreguei o caminho de volta pra Piatã. Decidido a não fazer o mesmo trajeto da ida. Foi aí que o rapaz do estacionamento me indicou o melhor caminho e, como ele já estava fechando, disse pra segui-lo que ele ia mostrar os caminhos até ele chegar na casa dele e de lá eu poderia seguir numa boa que iria dar na estrada rumo à Boninal.

Mirante Cachoeirão

Dito e feito, segui sua moto por umas estradas de chão batido, mas bem transitável, esse rapaz foi super gente boa, ainda convidou pra fazer uma pausa lá com seu pessoal, já era clima de ano novo, mas eu disse que ainda ia encontrar minha mãe e minha tia lá em Piatã. Já em Boninal eu abasteci de combustível – que tava na reserva já. Nenhum pneu a mais furado. A única questão é que cheguei bem cansado na roça onde estava hospedado. Tomei uma ducha rápida e ainda tive que levar minha mãe lá pra cidade, pra ver os fogos da virada em Piatã. Contudo eu nem aproveitei, nem do carro eu sai. Infelizmente no dia seguinte tivemos a notícia do falecimento de minha querida tia Bela, em sp. Mantivemos a volta pro dia 4, pois não daria pra voltar pra sp tão rápido assim. Também não dei continuidade em outros roteiros que tinha no pente, fica pra uma próxima! O misto de sentimento tava instaurado, não poderíamos nos despedir da minha tia, a mais grudada com minha mãe e a que muito conversava comigo. Dias antes eu havia visitado, pela primeira vez adulto, o local onde elas nasceram e cresceram – uma casa já sem telhas, na roça, cercada pelas montanhas. As memórias permanecerão!

Pé de Natureza!

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