sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Parque Nacional Serra da Bocaina: Tira Chapéu, Cachoeira do Santo Isidro e das Posses (2 dias)

No intuito de caminhar em mais um feriado prolongado do ano, meu primo e eu decidimos fazer uma trilha. Então a região escolhida foi a do Parque Nacional Serra da Bocaina, em São José do barreiro – SP. Mais especificamente o Pico do Tira Chapéu e depois a trilha do ouro. No Tira Chapéu seria um acampamento no topo pra apreciar um possível pôr do sol e o nascer do sol, no dia seguinte. Para tanto não precisaria de nenhum tipo de autorização, pois, apesar de estar nas imediações do parque, não se passa por uma portaria propriamente dita. Mas esse não é o caso pra se fazer a trilha do ouro, pra esta é preciso obter uma autorização prévia via e-mail. Como não fizemos isso, não pudemos fazer a travessia e nem ficar mais de um dia no parque, o jeito então foi realizar um bate e volta até a Cachoeira das Posses, visitando também a Cachoeira do Santo Isidro na volta.

Topo Tira Chapéu

Até tínhamos noção desse agendamento, mas achamos por melhor não alterar o local de viagem, apesar de se ter uma lista grande de trilhas e travessias interessantes que ainda não conhecemos. Com isso, pegamos estrada, meu primo revisou seu carro dias antes, passamos no posto de combustível, enchemos o tanque e foi ajustado o mapa no waze pra seguir sem problemas até São José do Barreiro. No portal da cidade, onde tem um posto policial, tinha um grupo coletando alguns itens para algum evento que não ouvi bem do que se tratava, nós apenas seguimos rumo à estrada de acesso à parte alta, ao Parna Serra da Bocaina. Em tal estrada seguiríamos por uns 26km num trajeto que mistura trechos de chão batido e outros de asfalto, meu primo subiu na cautela pra não danificar seu carro sedan.

Essa subida é repleta de mirantes, pelo menos uns 3 são estruturados para a apreciação da vista. Um pouco antes de se atingir a portaria do parque, terá uma bifurcação com uma placa indicando o acesso ao Pico do Tira Chapéu à direita. Então pra lá seguimos. Aqui o trecho ficou bem mais irregular, muitos buracos e bem barrento. Sorte que não era muito longo. Com isso, alguns minutos depois chegamos no ponto de estacionamento e lá foi onde iniciamos nossa gravação do tracklog, disponível no link: Wikiloc | Trilha Pico do Tira Chapéu - ida

Fiquei imaginando como seria essa estrada em sua continuidade, pois, a fim de cortar um caminho, o waze sugere que não se passe por São José do Barreiro e acesse essa estrada bem antes de se chegar ao portal da cidade. No caso preferimos não fazer isso. Agora falando acerca do estacionamento é só deixar o carro na beira de um caminho de acesso a uma fazenda, lá ninguém mexe e não há proibição, pois outros carros estacionam no mesmo local. Então foi só ajeitar as mochilas, os lanches, a água e começar a caminhada! O tempo estava nublado e às 11h10 já estávamos na ativa. (obs: atenção sobre água. Se for acampar no cume, é bom carregar bastante, pois não há ponto de coleta no trajeto até o Pico do Tira Chapéu.)
Sto Isidro

Esse trajeto inicial é mais aberto, se dá numa estrada erodida e com pouco acesso. Aos poucos vamos ganhando altitude até chegar na bifurcação que dá início à Trilha do Pai Thomaz, com um pouco mais de 1,5km de andança. Aqui então tomamos à direita, subindo e subindo, depois de passar por uma porteira pequena bem do lado da placa indicando o nome da trilha. Assim sendo, esse trecho passa a obter um aspecto mais de trilha mesmo.

Agora a subida vem constante, a trilha bem demarcada e sem bifurcações. Por vezes é preciso tomar fôlego, principalmente se estiver um tempo bem ensolarado – que não era nosso caso. Portanto, foi só subir na cautela. Visual? Pra nós dessa vez não iria dar certo, porém a esperança permanecia. Com mais 2km chegamos no alto da boa vista, vencendo o trecho mais sinuoso de subida e marcando o que seria uma segunda parte da trilha. A terceira parte consiste em menos de 4km até o topo, o trajeto fica sem muitas irregularidades pra então ter um ataque final bem de boa! Passamos por 2 rapazes que estavam descendo, fizeram um bate e volta e se surpreenderam ao saber que iriamos acampar lá em cima. No entanto, a previsão que vimos não era de tempo ruim, por isso a expectativa de o tempo abrir era real.

Cachoeira das Posses

Mas nada, chegamos no topo sem visual, após vencer os aproximados 500 metros de desnível altimétrico. Montamos a barraca rapidamente, pois uma garoa ameaçava começar. Fiz um lanche pra poder esperar fazer o almoço só mais tarde, que já serviria de janta também. Com isso, rodei um pouco a crista do pico e depois fui tirar um cochilo. No topo tem algumas áreas mais protegidas do vento, boas pra montar acampamento, mas ainda assim faz um frio razoável à noite. Lá no alto há também uma cruz e uma placa instalada pela prefeitura.

Ao acordar, percebi que havia mais 4 campistas em 2 barracas. Uma barraca deles foi montada num lugar mais afastado, num pasto mais abaixo do topo, então nem tivemos contato. Já o outro casal cozinhou sua janta junto com nosso fogareiro, pois o deles tinha dado erro.



Uma questão muito importante é sobre os provimentos de água, sobretudo pra quem vai acampar, pois não há fonte hídrica na trilha toda e devido a isso precisei carregar pelo menos uns 4 litros.

Após um bom sono, acordei 1h da madrugada pra urinar, nesse momento vi o céu mais aberto, inclusive com estrelas. Com isso fiquei atento pra acordar a tempo de apreciar um possível nascer do sol. De fato teve algo muito breve, pois a neblina teimava em ofuscar o visual do horizonte, porém nas vezes que revelava tudo era muito bonito e impressionante.


Café da manhã tomado então era a hora da descida. O tempo nublou de vez com uma leve garoa. Não chegava a molhar a roupa, apenas a barra da calça e o tênis que molhou um pouco devido ao contato na trilha. Foram mais 7km até o carro, numa boa. Agora seguimos para a portaria do parque sede garrafão. Lá fomos ao banheiro, abastecemos de água, fizemos mais um lanche ao estacionar o carro. Após atestar que não poderíamos fazer a travessia planejada por não termos enviado um pedido de agendado, então nos pusemos a fazer um bete e volta até as Cachoeira das Posses.

Dicas Dia 2

- Trilheiros: Fuca e Felipe Fepa.
- Entrada Gratuita

- A Cachoeira do Santo Isidro e a Cachoeira das Posses ficam no Parque Nacional Serra da Bocaina em São José do Barreiro - SP.

- De lá que sai a famosa e clássica travessia até Angra dos Reis, a chamada Trilha Do Ouro (Caminhos de Mambucaba).

- Até tínhamos a intenção de fazê-la, porém não agendamos antecipadamente e não pudemos ir, mas o acesso pras cachoeiras num bate e volta era possível.

- Se o plano inicial era acampar na Dona Palmira, no dia seguinte fazer um bate e volta até a Cachoeira do Veado e então - no 3° dia - subir de volta pra entrada do parque, só fizemos essa trilha gravada num dia. E foi o suficiente pro dia, pois já tínhamos voltado do Pico do Tira Chapéu, andando um total de 7km até iniciar essa trilha.

- A travessia fica pra uma próxima, mas as Cachoeiras valem a pena demais. E, apesar de se estar em meio à mata, a trilha na verdade é uma pequena estrada de terra. Nos trechos de atalho aí sim é trilha.

Obs:
- Como dito, esta caminhada coincide com o trecho inicial da Trilha do Ouro. A cachoeira das Posses tem uma queda de cerca de 40m de altura e fica a aproximados 8 km da portaria do Parque.

- Já a Cachoeira do Santo Isidro visitamos na volta. Ela é um dos destaques do Parque e sua queda possui impressionantes 70 metros de altura. Está localizada a apenas 1,5 km da entrada e a trilha é bem sinalizada - possui alguns degraus e corrimões.

Obs2: na noite anterior tínhamos acampado no Pico do Tira Chapéu e fizemos uns 7km de trilha voltando de lá. Pegamos o carro o fomo até a portaria do parque, onde estacionamos o carro de graça e é seguro.

- na portaria tem água, lixeiras e banheiros.

- no dia tinha wifi livre também, conexão boa!

Pé de Natureza!!!

domingo, 2 de agosto de 2026

Travessia Lapinha x Tabuleiro - MG (2 dias)

A Travessia Lapinha x Tabuleiro em MG é um dos trekkings mais clássicos do Brasil e cruza a Serra do Espinhaço numa extensão de aproximados 36 km. (Sem o Pico do Breu).

Essa rota liga o vilarejo de Lapinha da Serra, que pertence a Santana do Riacho, à portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro, já em Conceição do Mato Dentro.

O trajeto tem um visual dos gerais bem deslumbrante e finaliza na icônica Cachoeira do Tabuleiro (a maior de Minas Gerais, com 273 metros de queda).

- Trilha de nível fácil orientação/técnica, mas pela exigência física vai de moderado a difícil.

- Trilha possui bons pontos de água e exposição ao sol.

Segue o tracklog que gravei:

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travessia-lapinha-x-tabuleiro-mg-2-dias-fev-26-250740192

Cachoeira Tabuleiro

Relato:

Determinado a realizar essa notável travessia, logo pesquisei sobre a logística que seria aplicada. Basicamente me deslocaria de ônibus até Santana do Riacho e então pagaria algum transporte até a Lapinha da Serra ou iria na caminhada por uns 12km – inclusive deixei o wikiloc do trajeto já baixado no aplicativo. Esta última opção apenas se nada mais desse certo. Já pra volta eu teria que embarcar num ônibus de Conceição do Mato Dentro, mas sem antes conseguir um transfer até a rodoviária desde a portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro – que fica no final da travessia.

Da rodoviária do Tietê, em SP, segui rumo a Belo Horizonte, num feriado prolongado de carnaval. O plano era chegar no sábado pela manhã na rodoviária de BH a tempo de embarcar no próximo ônibus, que sairia às 07h30, rumo a Santana do Riacho. Acontece que por poucos minutos não foi possível ir nesse horário, daí tive que esperar até à tarde. A única opção seria às 15h00, uma passagem que custava em torno de R$60,00 pela Saritur. Como eu estava sozinho decidi não procurar outra opção, pois certamente sairia mais caro. Além do mais, esse dia seria reservado para deslocamentos mesmo e já com um plano de acampar em Lapinha da Serra uma noite.

Lapinha da trilha

O trajeto durou mais de 3 horas, com um caminho bonito e passando pela Serra do Cipó. Fato é que cheguei e Santana do Riacho já estava escuro. O motorista perguntou quem iria descer lá na praça, que é o final da linha. Nessa eu já fui pros assentos da frente e tinha um casal lá, perguntei se iriam pra Lapinha e disseram que sim. Ofereci-me pra repartir o valor se caso tivesse vaga e disseram ok. Pessoal gente boa. Assim estava garantida a minha ida, sem precisar ir a pé na noite escura.

Esse trecho foi no modo emoção, o motorista colocou o uno pra jogo na estrada de chão batido, enquanto falava um pouco sobre Lapinha da Serra e sobre a abertura daquela estrada. Rapidamente chegamos à vila, e assim me pus a ir pro Camping Central, onde eu passaria a noite por R$60,00. Montei a barraca eu fui atrás de um lugar pra tomar uma breja e a vila tava numa vibe boa. Não estiquei muito, pois teria que acordar cedo no dia seguinte.

chegando Prainha

Dia 1

Iniciei a caminhada no dia 15/02/26, às 07h, tomei um café da manhã reforçado na padaria. O tempo estava aberto, céu limpo, nesse começo do dia. Logo cheguei num ponto que teria que atravessar um trecho alagado, perto da barragem. Como eu não queria molhar o tênis, tirei e atravessei. Nesse momento passou por mim outro trilheiro e durante todo o percurso nos encontramos algumas vezes nas paradas pra descanso de cada um. Acho que nos cruzamos pelo menos 2 vezes depois.

É importante carregar um mapa pra fazer essa travessia, pois existem algumas bifurcações pra outras travessias ou outros atrativos na região, as opções são muitas, uma região muita rica para os amantes de caminhadas na natureza, faz parte da chamada cordilheira do espinhaço. O nome Espinhaço vem do aspecto da cadeia montanhosa, que lembra uma "espinha dorsal" atravessando parte do território brasileiro. Em resumo, a Cordilheira do Espinhaço é uma longa cadeia de montanhas que atravessa Minas Gerais e Bahia, destacando-se pela riqueza geológica, pelas nascentes de rios e pela impressionante biodiversidade.

Existem também, nessa trilha, muitas porteiras ao longo do trajeto, me parece que indicam que há vários proprietários particular e trechos de parque propriamente dito. Acho que há uma transição com relação a isso, ou não.

vista p/ Ana Benta
O primeiro ponto de referência e de pausa é a Capela de Nossa Senhora Aparecida, quando passei tinha um trilheiro lá dentro ajoelhado rezando. Até aqui andei uns 3,5 km e já quase marcando o fim de uma subida inicial com um visual bem legal da Vila ao fundo e de toda lagoa abaixo. Fazia um tempo que o céu estava nublado e assim fui poupado de se ter um sol sobre mim, nisso a caminhada se dava num ambiente bem tranquilo. Logo pude visualizar a imensidão dos gerais, coisa linda demais que nem cabe numa foto, é ver pra crer.

Adiante, a caminhada fica tranquila, sem muitos aclives ou declives acentuados, lembrando que não subi o pico do breu. Com uns 7km desde o início, fiz outra pausa num ponto de água. A seguir veio a Prainha Ana benta e depois a pousada Ana Benta/Lucas. Eu só passei pela porteira desse estabelecimento que é histórico para a consolidação dessa travessia. A partir de agora vem um trecho de subida e quando já passados os 15km de caminhada eu cheguei no ponto de apoio Chico Lages/Celi. Lá faço uma pausa, bebo uma cerveja, como um queijinho, troco uma prosa e sigo a caminhada, pois faltam apenas uns 3km pra se chegar no ponto de apoio Zé de Olinta. Quando chego no Zé de Olinta já vou logo montar a barraca, o espaço de camping é um pouco mais abaixo do ponto de apoio. Reservei minha janta e fui pro banho. Depois encontrei o Augusto do RJ, o trilheiro que eu tinha trombado na trilha e gente boa demais, ele utilizou a mesma parada como base. Trocamos uma ideia sobre o trajeto do dia seguinte e combinamos de trilhar juntos a segunda parte da travessia. Então, com isso, faríamos em 2 dias. E eu como tava com essa parte do roteiro em aberto, declinei em fazer em 3 dias e foi a melhor opção mesmo. Já que Augusto tinha um resgaste combinado lá na portaria do parque.

vista camping Olinta
Dia 2

Não tivemos um nascer do sol devido à neblina, mas o dia não prometia chuvas. Deitei mais um pouco aguardando o café da manhã, porém devia acordar um pouco mais cedo para ajeitar tudo e depois partir, pois esse dia seria de despedida do ponto de apoio Zé Olinta. O plano seria ir até a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, passar pelo mirante da parte alta e depois ir pra parte baixa, passando pelo mirante da parte baixa e portaria do parque.

Pra ir na pauta alta, algumas pessoas escondem a mochila na bifurcação que separa os dois trajetos e levam somente o básico para parte alta. Até chegar essa bifurcação, saindo do Zé Olinta, deu em torno de uns 2km. Preferi ir de mochila mesmo já que estávamos num ritmo bom. Passamos uns 3 grupos que saíram na frente, mas todos com os guias bem legais, o pessoal de lá é muito solicito com informações e trocas de ideias: Tabuleiro Eco Aventuras, também outro guia do Eco vivência que faz o Parna Cipó 360º, etc.

cachoeira no canion

Logo veio um trecho de descida, mas lembrando que voltaríamos por esse mesmo trecho pra enfim ir sentido portaria. Então na volta seria subida. Na parte alta é preciso um pouco mais de atenção, tanto quanto aos riscos de queda durante a navegação quantos aos risco de tromba d’água em tempo de chuva, neste último caso é preciso abortar a missão.

Já bem próximo do topo da queda dá uma certa vertigem, então, mais uma vez, cuidado redobrado. Passamos ainda por outro mirante que já está constando uma placa de risco de desmoronamento na beira do mirante. Depois dessas visitas inebriantes, voltamos pra bifurcação das mochilas e, adiante, rumo aos quilômetros finais da travessia, sem antes passar pelo mirante parte baixa.

topo tabuleiro
Após passar por cenários incríveis e num tempo relativamente bom, chegamos na portaria onde é cobrado R$10,00 de cada pessoa. Lá, por incrível que pareça, tinha um chuveiro disponível pra tomar um bom banho antes de seguir rumo à rodoviária de Conceição do Mato Dentro. Para se chegar na rodoviária, o resgaste que o Augusto agendou já estava lá, ainda almoçamos uma deliciosa refeição tipicamente mineira em Tabuleiro e partimos pra rodoviária, pra então seguir pra BH. E aqui também, direção no modo mais emoção possível rs.

Foi show de bola essa experiência! Sem sombra de dúvidas essa travessia é uma experiência marcante para os amantes do ecoturismo e do trekking. Foram cerca de 35 a 36 km de extensão, atravessando campos rupestres, cânions, riachos e mirantes de grande beleza cênica, exigindo bom preparo físico devido aos trechos íngremes e à duração de dois dias de caminhada. E, por fim, terminando próximo à imponente Cachoeira do Tabuleiro, considerada uma das mais altas do país. Sem contar a oportunidade de conversar com outras pessoas que curtem o mesmo mundo trekking e de montanhas.

Pé de Natureza.






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