Em busca dos Muriquis no Sitio Cheiro de Mato - São Francisco Xavier - SP
21 e 22 de Junho de 2017
"Eu sou tão inseguro porque o muro é muito alto
E pra dar o salto
Me amarro na torre no alto da montanha"
Mais um dia em que fui pra bela São Francisco Xavier, dessa vez com meu amigo pio Neto, tirando a zueira do pio, Neto é um grande artista, músico, esportista, educador, sociólogo. E trampamos no mesmo local, só que em turnos diferentes. Mas dessa vez trabalhamos no mesmo horário e já foi a deixa pra fazermos esse bate volta depois do expediente.
Primeiramente, colocamos as opções de lugares a visitar e como ele conhecia um pessoal em São Francisco, que fazia um certo tempo que ele não visitava, pra lá fomos. Eu só não imaginava que seria do jeito que foi. Fomos muito bem recebidos por pessoas que vivem a boa energia da tranquilidade.
Encaramos a estrada de carro, saímos de Santo Amaro, região sul de sp, pra em menos de duas horas já iniciarmos as curvas sinuosas da Rodovia Monteiro Lobato (SP-50), viagem agradável por demais e fomos sem pressa, apreciando a paisagem já na estrada. Neto, no volante, fazia questão de deixar os mais apressados passarem, chegava até a estacionar no acostamento. Sim, era pra curtir o trajeto, o momento. Velocidade nos 20, 30, 40, bem lento.
Primeira parada em São Xico foi na casa do Tiago, e lá já foi momento pra organizarmos um churrasco, meio que quebrando a dieta vegana/vegetariana do pessoal. E lógico muito som rolou, energia fantástica a tarde toda. O pessoal acredito ser do Xamãs nas Montanhas, de São Francisco Xavier.
Depois, já ao entardecer, partimos rumo ao Sitio Cheiro de Mato, agora lá no meio da montanha. Mais uma recepção acalorada da amiga de outras datas do Neto, a Silvana. Ao anoitecer teve o luau regado de mais música, mas eu já cansado do dia de trampo e fui dormir.
O Sítio tem uma vasta área para camping, lugar organizado, muito bem cuidado e arborizado. Fica bem na entrada da trilha para o Mirante Pedra da Onça e também de onde parte para a travessia São Francisco x Monte Verde. Quem não quiser ou não puder acampar lá no mirante, a melhor opção é passar nesse sítio. Além disso, mesmo que não seja pra ir até o mirante, vale a pena passar o dia ou vários dias pelo sítio mesmo, pois se têm diversas trilhas com lugares interessantes e contato com a natureza exuberante de São Xico.
Andamos por essas trilhas tendo a companhia da Silvana que nos guiava em meio ao paraíso. O dia já tinha começado com uma graciosa manhã, e a expectativa era de ver o grupo de muriquis, mas dessa vez não tivemos sorte, após muito ir atrás contando ainda com a ajuda dos cachorros do sítio, nada. Não foi dessa vez, mas não reduziu nosso rolê. Foi mágico!
Bateu a tarde e já era hora de voltar pra sampa, mesmo que a vontade seja nem voltar mais pra sp rs.
São Francisco Xavier é um distrito do município brasileiro de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, estado de São Paulo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população no ano de 2010 era de 3 852 habitantes, sendo 1 965 homens e 1 887 mulheres, possuindo um total de 2 117 domicílios particulares. Foi criado pela lei nº 59, de 16 de agosto de 1892.O distrito fica a 59 quilômetros do centro de São José dos Campos e o acesso é feito por estrada asfaltada, utilizando a rodovia SP-50, através do município de Monteiro Lobato. A estrada até o distrito é em meio à Serra da Mantiqueira, sendo que o trecho entre Monteiro Lobato e São Francisco Xavier foi restaurado no início de 2009. Outra opção é a ligação por trilhas e estrada de terra para o distrito de Monte Verde de Camanducaia, em Minas Gerais.Possui uma área de preservação ambiental (APA) que abriga inúmeros animais como jaguatiricas, pacas, capivaras, esquilos, cobras, lagartos e o famoso macaco muriqui; e tem várias cachoeiras, como as Cachoeiras Pedro David, das Couves, e do Roncador. fonte wikipédia
Pico do Queixo D'anta - São Francisco Xavier - SP
30 / 31 de maio 2017
Da primeira vez que fui pra São Francisco Xavier, fiquei sabendo do Pico Queixo D'anta, que fica distante 10 km do centro, e vale lembrar que São Francisco é um distrito de São José dos Campos, interior de SP. O ponto culminante do Queixo D'anta tem em torno de 1700 metros de altitude.
Lugar ideal pra um bate-volta com pernoite, ou até mesmo para acrescentar aos outros atrativos em SFX. Então fui eu pra mais uma caminhada em meio à natureza.
---*São Francisco Xavier é um pequeno distrito de São José dos Campos SP e está localizado entre as montanhas da Serra da Mantiqueira. Com o passar do tempo o turismo no local foi crescendo por seus encantos naturais como cachoeiras, rios, trilhas, montanhas, picos de altitude, fauna e flora preservadas.---
Pra voltar em SFX eu tinha me programado pra ir nesse pico e emendar com outros atrativos, mas como o tempo foi justamente pra um bate-volta, decidi fazê-lo isolado. Aquela velha folga de Terça-feira não passou batida e sem nada pra fazer. Acordei de madrugada, ajeitei a mochila e recolhi as informações do local. Assim, logo cedo sai de casa, a previsão não falava de sol, mas do mesmo jeito não falava de chuva, então eu fui.
No Terminal Rodoviário do Tietê, embarquei no ônibus sentido São José dos Campos (R$32,14), que partiu às 6:00 da manhã. Em menos de duas horas cheguei na rodoviária de São José, ainda tive tempo pra tomar um café reforçado e parti no ônibus das 8:00 horas sentido São Francisco Xavier (R$8,45) (link da linha aqui). A viagem durou em torno de uma hora e meia, desci no ponto que dá acesso à estrada até o pico. (aqui).
A partir de então foi uma pernada legal. O tempo estava nublado, mas com um clima quente. Logo no inicio, uma placa mostrou a direção seguindo à direita e foi só seguir subindo e subindo. Uma outra bifurcação veio, mas bem depois de quase uma hora caminhando (foto 2). Depois dessa bifurcação a estrada ficou mais fechada e não tinha subida, mas antes teve alguns trechos pesados e íngremes. Se for de carro e tiver chovendo, tem o risco de não subir.
Uma região montanhosa de um verde bem lindo, no caminho vários pés de limão e mexerica. A cada parada para respirar fundo, via-se diversos pássaros. Os bois e as vacas, do outro lado da cerca, ficavam só de olho. Quando deu 11h15, cheguei no sítio onde eu iria acampar e onde se dá acesso ao pico. Eles cobram uma taxa de conservação de R$20,00 e o camping foi R$20,00 também. Não tem banho e nem refeição, é mais para acampar mesmo. Como eu tava sozinho e eles estavam com visitas, fechei de jantar com eles. Agora pensa numa comida boa? Pensa aí, pois aquela janta foi demais. Assim como a recepção muito boa da dona Ricardina e seu Janildo.
Mas antes de jantar ainda tinha a subida, montei a barraca e levei na mochila só o necessário. Meio dia iniciei a subida. Eu tinha na minha cabeça que seria algo bem de boa, porém me deparei com trechos difíceis, que exige um certo preparo e uma vontade a mais de subir. Foi subida demais, na primeira hora foi por uma trilha íngreme mas bem batida, passei por um ponto de água. Na segunda hora, foi o trecho de maior dificuldade, tendo diversas escalaminhadas que não acabavam mais. Fui me aliviar quando chegou um ponto de referência, uma pedra enorme indicava que o pico estava chegando. Ainda continuei...
Eis que às 14h00 cheguei no topo do Queixo D'anta, ufa! Foi uma atividade e tanto. O visual tava fechado, aparecia possibilidade de abrir e de fato abriu um pouco, mas isso após um cochilo que tirei lá em cima. Foi um sono abençoado, que revigorou pra eu continuar a apreciar o local. Quando deu 15h50 era hora de voltar, encarei as descidas íngremes sempre com o apoio das mãos. De fato foi mais rápida a descida, apesar de ter feito bem na cautela pra evitar acidentes. Então, às 17h00, eu já estava no camping de volta, deitei de cansado e veio um dos cachorros do sitio me dar boas vindas. Normalmente ele sobe com o pessoal, mas não quis ir comigo porque tinha visita lá, paciência!
Só de pensar que eu tinha a intenção de subir 2 vezes, mas quando vi que exigia um certo esforço só subi uma mesmo. O dia seguinte fez um dia de céu limpo, o visual lá em cima deveria tá impecável, mas mesmo assim curti demais. Vale a pena!!!
Salve, salve! Segue o relato do rolê que fiz pelos lados do sul de Minas Gerais e divisa com o interior de SP. O plano era ir pra São Francisco Xavier em um dia, no outro dia fazer a Travessia até Monte Verde pela Trilha do Jorge, e no dia seguinte ir descansar na Pedra Chata em Itapeva. Rolê concluído com sucesso. Bora lá pro relato.
Dia 1: 30/03/2017
Indo pra São Francisco Xavier (SP)
Se você pretende saber quem eu sou
eu posso lhe dizer
Entre no meu relato, na estrada de São Xico
E você vai conhecer meu rolê
Era de manhã, 05h10, uma manhã de quinta-feira e eu com uma folga no pente, o jeito foi por em prática o roteiro que eu tinha em mãos, li vários relatos, naveguei nos mapas e assisti vários vídeos, até por isso me impulsionei a dividir como foi minha viagem solo pra São Francisco Xavier.
Saí do trampo direto pro terminal Rodoviário do Tietê, cheguei por volta das 06h20, saquei um dinheiro e já comprei minha passagem pra São José dos Campos, busão que saiu as 07h00 num valor de R$33,00. A empresa é viação Pássaro Marrom. Foi uma viagem tranquila, marcada por um cochilo aqui outro acola, então por volta das 08h40 desci na rodoviária de São José dos Campos. Chegando lá, bem rapidamente localizei as plataformas onde os ônibus intermunicipais paravam, o que ia pra São Francisco Xavier só viria as 10h10, então foi um momento pra eu procurar um banco e continuar o cochilo, sentado mesmo e só acordei com o despertador do celular. Essa linha passa por Monteiro Lobato e é possível ver os horário no site da EMTU (aqui), a passagem custou R$08,45.
O ônibus percorreu por um tempo na cidade de SJC pra depois seguir estrada até Monteiro Lobato, a curvas começaram e a paisagem também foi mudando ao longo dos quilômetros, trazendo cada vez mais um ar rural e um visual esverdeado. Por volta das 11h00, já na rodoviária de Monteiro Lobato, o busão fez uma breve pausa pra seguir novamente nas curvas da estrada pra São Francisco Xavier, que foi ganhando mais e mais altitude, na verdade essa rodovia é SP-50 (Rodovia Monteiro Lobato). Pra já aproveitar o dia decidi descer no ponto que vai pra Cachoeira do Roncador e logo quando desci, vi uma placa dizendo que funcionava de sábado, domingo e feriado apenas e que tinha mais 7km pra chegar (ver aqui). Na hora quase pensei em ir pra ver se tava aberto como disse no site, mas como o dia era de descanso ainda, resolvi ir direto pro camping "Canto dos Pássaros", que estava a um pouco mais de 40 minutos andando dali. (local aqui) Chegando no Canto dos Pássaros, percebi meu primeiro erro na programação, o de não ter reservado ou pelo menos ter entrado em contato com o camping, fiquei chamando por quase uma hora e não tinha ninguém nesse dia, até que chegou um funcionário da jardinagem e me disse que a diária começaria à partir das 16h00, já aproveitei e perguntei se servia almoço e ele disse que não. Então já foi a deixa pra eu ir pro centro, almoçar e partir pra cachoeira Pedro David.
Cachoeira Pedro David
Almocei na Padaria/ Restaurante que fica bem perto do final da linha de ônibus, na Praça Cônego Antonio Manzi. Comida muito boa, paguei por quilo. Fiz meu prato tranquilo e deu R$17,00, comprei mais alguns salgadinhos e um refri em lata, deu R$25,00 tudo. Dai então eu parti pra Cachoeira, foi coisa de 3km do centro, é tudo muito bem sinalizado. Saindo pela Rua XV de novembro, que fica atrás da Igreja Matriz, fui direto. Tive a companhia de um moço que estava caminhando um pouco a frente, mas parou pra seguir comigo. Foi coisa de 500 metros e já chegou a bifurcação que leva à esquerda pra cachoeira e ele seguiu pra direita, sentido que eu iria no dia seguinte, pois levava pro Bairro dos Ferreiras. Mais 2km e cheguei na cachoeira do Pedro David sem muitas dificuldades. Me deparei com um parque bem estruturado e melhor ainda, nada de super lotação, eu estava sozinho ali. Foi papo de um banho mais que merecido pra dar uma acordada no corpo e na mente que já queriam descanso, ainda mais após o almoço e sem dormir direito.
Com várias mini quedas, vista de vários ângulos, diversas corredeiras para um bom descanso, tudo isso em meio a mata e tranquilidade da natureza, e ainda por cima vinha o sol a reluzir na águas cristalinas dos poços que se formavam após as quedas. Show, atração que se encaixou da melhor maneira no meu roteiro, sem muita caminhada e sem muito perrei. Como eu tinha que pegar um busão de volta pro camping, me atentei ao horário, o próximo sairia as 17h00 e assim as 16h10 eu tava voltando pro centro. Na hora de sair encontrei com um funcionário do parque, batemos um papo e segui embora, quase no portão avistei uma cobra que passou bem na minha frente, ainda mostrei pra ele a cobra e ele falou que era venenosa e tal. Se não me engano disse ser Jaracuçu (foto 11).
Camping Canto dos Pássaros
De volta ao camping e após meia hora, consegui adentrar e ser muito bem recebido. O camping tem uma estrutura bem bacana, passa um rio perto da área de acampamento e tem um ambiente bem arborizado. Conta com cozinha coletiva, sala de convivência, entre outras coisas que podem ser vistas no link do site (aqui). E por via das duvidas é sempre bom ligar ou enviar um e-mail antes de ir.
Como minha estadia foi de uma noite, não consegui nadar no Rio do Peixe que passa pelo camping, vai ficar pra próxima, pois já estou programando de ir pra SFX novamente, pra fazer o queixo d'anta e também ver de fazer um rapel com um guia que mora no camping, o Estevan.
Após o banho e de ter comido uns salgados fui pro sono. Preguei os olhos e só acordei lá pras 07h20. Um pouco atrasado, pois tinha pretensão de pegar o busão das 07h30, acabei esperando pra pegar o que passava as 09h30 no ponto perto do sítio. Antes de sair, trombei com o Estevan, que após uma breve conversa fiquei sabendo que ele é guia pela Mantiqueira EcoAventura. Mais um que me recepcionou muito bem e foi também bastante assertivo com relação a previsão do tempo na serra. Do camping dá pra avistar o pico do focinho d'anta e tinha uma frente fria naquela direção e ele explicou que pra travessia estava favorável, pois a serra na direção de Monte Verde estava limpa, e que aquelas nuvens viam de Sapucaí Mirim. Na hora pensei que era apenas um apoio psicológico, mas na verdade estava bem do jeito que ele falou, me disse também de como tava a trilha e tudo mais, informações que bateram, realmente mostrando que tem conhecimento do que faz.
Bom, então foi a hora de eu partir pra Travessia São Xico x Monte Verde, um pouco ressabiado e também ansioso, me pus a trilhar um caminho maravilhoso...
Fotos da Cachoeira Pedro David:
Cachoeira Pedro David
Quedas Pedro David
Ponte de acesso, tá chegando
uma lida na placa
tá chegando
eu
angulo1
foco1
foco2
angulo2
Jaracuçu?
Dia 2 - 31/03/2017
Travessia São Francisco Xavier (SP) até Monte Verde (MG)
O bom de escrever próximo da realização da viagem é que muito da euforia ainda emana na palavras e linhas digitadas, que flashs vêm a todo momento fazendo sentir a sensação da aventura, e agora logicamente com o corpo descansado. Minha maior duvida era como eu me comportaria nessa travessia e também como o clima se mostraria durante essas 6 horas. O plano era de passar pelo Mirante (Pedra da Onça) numa altitude 1950 metros e depois seguir pra Monte Verde. E apesar de estar com a barraca eu ia pernoitar só em Monte Verde, pois queria pegar um busão pra Itapeva no dia seguinte.
Cheguei as 09h50 no final, na mesma Praça do dia anterior, e passei na padaria/ restaurante, também era a mesma. Tomei um café reforçado, comprei mais uns salgados pra levar comigo e as 10h05 iniciei a pernada sentido bairro dos ferreiras. Fiz o mesmo caminho seguindo pela Rua XV de Novembro por detrás da Igreja Matriz e na bifurcação fui à direita pra sair na Estrada dos Ferreiras. De lá foi só começar a subir mais e mais. Passei por umas casas e algumas travessas dos ferreiras, alguns metros acima veio o Vale dos Bambus e nesse momento tive um ar de refresco, pois mesmo que o sol não estava estralando, eu já me encontrava de corpo quente. Avistei diversas placas da Pousada Itaki, e da Fazenda Monte Verde só começou a aparecer mais tarde.
A subida seguia, ora íngreme ora muito íngreme, passei por uma bica, mas não peguei água ali, só fui encher o cantil após uma hora e meia de subida e já passando pela porteira que inicia a trilha propriamente dita. Passei por ali as 11h25, antes conversei com um moço da fazenda, pois eu vi várias placas de proibido invadir e tal. Ele disse que era só seguir acima que tava liberado. Na real, eu o chamei também pra ter mais uma pessoa sabendo que eu passei por ali rs então eu continuei.
Logo que passei a porteira, vi uma placa da trilha muriqui, e fui subindo por uma trilha já bem erodida. Ponto de água tem vários. Então não precisei carregar muita água, ainda mais que o tempo tava nublado ainda. Após muito zigue zague subindo, sai num trecho um pouco mais tranquilo, subia ainda mas era mais suave, isso já tinha mais de uma hora de trilha e mais de duas horas e meia de caminhada. Dali em menos de trinta minutos cheguei na bifurcação que pra esquerda me levaria pro mirante e à direita pra Monte Verde.
Após reconhecer o local e ver que tava dando certo, nessa bifurcação já me animei mais. Decidi subir pela esquerda e aumentei o ritmo. Mas como ainda era bem íngreme esse trecho, reduzi e fui na calma. Passei por um mirante, tirei umas fotos e segui. Sei que as 13h10 estava eu no topo da Pedra da Onça. O tempo tava aberto e a euforia tomava conta de mim, andei pra lá e pra cá vendo todos os ângulos até que sentei numa pedra e comecei a devorar meu lanche. Foi aí que do nada escutei um barulho vindo da trilha que segue pra Pedra Partida, eram uns cavalos, todos numa boa caminhando pelo pico e comendo grama.
Ao terminar minha alimentação, fui bater umas fotos e apreciar melhor o visual. Dá pra ver a Pedra partida, SFX, o estado de SP e muito mais. A minha condição física tava de boa, estava com as pernas tremendo um pouco depois de relaxar na pedra, o psicológico estava a milhão, super satisfeito, mas ainda preocupado com o restante da travessia. Eu tinha ciência que num trecho eu poderia me complicar, bem no Bosque dos Duendes.
Depois de meia hora no pico, eu voltei pra trilha descendo até a bifurcação e as 14h00 eu iniciei a parte que me levaria até MV. Muito rapidamente veio o Vale dos Duendes (foto 21), lugar belo e é realmente como disseram um cenário de filmes, nesse trecho tive muita atenção pra não sair nas trilhas que os cavalos abriram, e foi coisa de 10 minutos eu já tava seguindo por uma trilha muito bem demarcada, uma caminhada bem sussa, sendo a maioria do caminho descendo. O sol estava presente e me iluminava pelas frestas das árvores. Aqui algo pra se prestar atenção é que havia vários trechos com bambus numas árvores meio que indicando a trilha que não deveria ser seguida e a evitar que abrissem novos caminhos, provavelmente pra guiar os cavalos.
As 14h30 atravessei o primeiro riacho, abasteci de água e fiz uma breve pausa pra seguir. A trilha continuou bem tranquila e demarcada, não trombei com nenhum muriqui, mas avistei diversos pássaros. Após 30 minutos a trilha deu uma inclinada e as 15h10 me deparei com o segundo e último riacho da travessia, que já estava quase no seu fim. Pra atravessá-lo eu tirei o bute, pois até nisso o relato que eu levei ajudou, e evitei de molhar já no final. (relato aqui).
Depois de 10 minutos passados, eu continuei pra reta final da trilha, que em mais 10 minutos atravessei a cerca tendo à minha direita a Missões, saí numa caixa d'água grande onde se tem também uma lixeira azul. Dali eu fui pela Rua Taurus até interceptar a Av das Montanhas pras 16h00 chegar no posto Ipiranga, que fica já perto do portal de Monte Verde. Troquei de roupa no banheiro do posto, comprei algumas coisas pra comer e um refrigerante pra beber no camping recanto dos bambus, que fica a 4km do centro. As 16h40 embarquei numa lotação da Cassalho Turismo pra antes das 17h00 me apresentar no camping que eu havia passado por lá 15 dias antes quando fiz os picos de monte verde.
De fato o lado da descida pra MV é mais de boa, até porque a altitude de MV está a quase 1600 metros, tendo então menos desnível com relação ao pico. Realizado com a travessia, indescritível a sensação que sentia e apesar do cansaço, um gosto de quero mais. Assim fui descansar numa noite gelada de MV.
*Na foto 24 tem os horários do busão Cassalho Turismo