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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Parque Nacional Serra da Bocaina: Tira Chapéu, Cachoeira do Santo Isidro e das Posses (2 dias)

No intuito de caminhar em mais um feriado prolongado do ano, meu primo e eu decidimos fazer uma trilha. Então a região escolhida foi a do Parque Nacional Serra da Bocaina, em São José do barreiro – SP. Mais especificamente o Pico do Tira Chapéu e depois a trilha do ouro. No Tira Chapéu seria um acampamento no topo pra apreciar um possível pôr do sol e o nascer do sol, no dia seguinte. Para tanto não precisaria de nenhum tipo de autorização, pois, apesar de estar nas imediações do parque, não se passa por uma portaria propriamente dita. Mas esse não é o caso pra se fazer a trilha do ouro, pra esta é preciso obter uma autorização prévia via e-mail. Como não fizemos isso, não pudemos fazer a travessia e nem ficar mais de um dia no parque, o jeito então foi realizar um bate e volta até a Cachoeira das Posses, visitando também a Cachoeira do Santo Isidro na volta.

Topo Tira Chapéu

Até tínhamos noção desse agendamento, mas achamos por melhor não alterar o local de viagem, apesar de se ter uma lista grande de trilhas e travessias interessantes que ainda não conhecemos. Com isso, pegamos estrada, meu primo revisou seu carro dias antes, passamos no posto de combustível, enchemos o tanque e foi ajustado o mapa no waze pra seguir sem problemas até São José do Barreiro. No portal da cidade, onde tem um posto policial, tinha um grupo coletando alguns itens para algum evento que não ouvi bem do que se tratava, nós apenas seguimos rumo à estrada de acesso à parte alta, ao Parna Serra da Bocaina. Em tal estrada seguiríamos por uns 26km num trajeto que mistura trechos de chão batido e outros de asfalto, meu primo subiu na cautela pra não danificar seu carro sedan.

Essa subida é repleta de mirantes, pelo menos uns 3 são estruturados para a apreciação da vista. Um pouco antes de se atingir a portaria do parque, terá uma bifurcação com uma placa indicando o acesso ao Pico do Tira Chapéu à direita. Então pra lá seguimos. Aqui o trecho ficou bem mais irregular, muitos buracos e bem barrento. Sorte que não era muito longo. Com isso, alguns minutos depois chegamos no ponto de estacionamento e lá foi onde iniciamos nossa gravação do tracklog, disponível no link: Wikiloc | Trilha Pico do Tira Chapéu - ida

Fiquei imaginando como seria essa estrada em sua continuidade, pois, a fim de cortar um caminho, o waze sugere que não se passe por São José do Barreiro e acesse essa estrada bem antes de se chegar ao portal da cidade. No caso preferimos não fazer isso. Agora falando acerca do estacionamento é só deixar o carro na beira de um caminho de acesso a uma fazenda, lá ninguém mexe e não há proibição, pois outros carros estacionam no mesmo local. Então foi só ajeitar as mochilas, os lanches, a água e começar a caminhada! O tempo estava nublado e às 11h10 já estávamos na ativa. (obs: atenção sobre água. Se for acampar no cume, é bom carregar bastante, pois não há ponto de coleta no trajeto até o Pico do Tira Chapéu.)
Sto Isidro

Esse trajeto inicial é mais aberto, se dá numa estrada erodida e com pouco acesso. Aos poucos vamos ganhando altitude até chegar na bifurcação que dá início à Trilha do Pai Thomaz, com um pouco mais de 1,5km de andança. Aqui então tomamos à direita, subindo e subindo, depois de passar por uma porteira pequena bem do lado da placa indicando o nome da trilha. Assim sendo, esse trecho passa a obter um aspecto mais de trilha mesmo.

Agora a subida vem constante, a trilha bem demarcada e sem bifurcações. Por vezes é preciso tomar fôlego, principalmente se estiver um tempo bem ensolarado – que não era nosso caso. Portanto, foi só subir na cautela. Visual? Pra nós dessa vez não iria dar certo, porém a esperança permanecia. Com mais 2km chegamos no alto da boa vista, vencendo o trecho mais sinuoso de subida e marcando o que seria uma segunda parte da trilha. A terceira parte consiste em menos de 4km até o topo, o trajeto fica sem muitas irregularidades pra então ter um ataque final bem de boa! Passamos por 2 rapazes que estavam descendo, fizeram um bate e volta e se surpreenderam ao saber que iriamos acampar lá em cima. No entanto, a previsão que vimos não era de tempo ruim, por isso a expectativa de o tempo abrir era real.

Cachoeira das Posses

Mas nada, chegamos no topo sem visual, após vencer os aproximados 500 metros de desnível altimétrico. Montamos a barraca rapidamente, pois uma garoa ameaçava começar. Fiz um lanche pra poder esperar fazer o almoço só mais tarde, que já serviria de janta também. Com isso, rodei um pouco a crista do pico e depois fui tirar um cochilo. No topo tem algumas áreas mais protegidas do vento, boas pra montar acampamento, mas ainda assim faz um frio razoável à noite. Lá no alto há também uma cruz e uma placa instalada pela prefeitura.

Ao acordar, percebi que havia mais 4 campistas em 2 barracas. Uma barraca deles foi montada num lugar mais afastado, num pasto mais abaixo do topo, então nem tivemos contato. Já o outro casal cozinhou sua janta junto com nosso fogareiro, pois o deles tinha dado erro.



Uma questão muito importante é sobre os provimentos de água, sobretudo pra quem vai acampar, pois não há fonte hídrica na trilha toda e devido a isso precisei carregar pelo menos uns 4 litros.

Após um bom sono, acordei 1h da madrugada pra urinar, nesse momento vi o céu mais aberto, inclusive com estrelas. Com isso fiquei atento pra acordar a tempo de apreciar um possível nascer do sol. De fato teve algo muito breve, pois a neblina teimava em ofuscar o visual do horizonte, porém nas vezes que revelava tudo era muito bonito e impressionante.


Café da manhã tomado então era a hora da descida. O tempo nublou de vez com uma leve garoa. Não chegava a molhar a roupa, apenas a barra da calça e o tênis que molhou um pouco devido ao contato na trilha. Foram mais 7km até o carro, numa boa. Agora seguimos para a portaria do parque sede garrafão. Lá fomos ao banheiro, abastecemos de água, fizemos mais um lanche ao estacionar o carro. Após atestar que não poderíamos fazer a travessia planejada por não termos enviado um pedido de agendado, então nos pusemos a fazer um bete e volta até as Cachoeira das Posses.

Dicas Dia 2

- Trilheiros: Fuca e Felipe Fepa.
- Entrada Gratuita

- A Cachoeira do Santo Isidro e a Cachoeira das Posses ficam no Parque Nacional Serra da Bocaina em São José do Barreiro - SP.

- De lá que sai a famosa e clássica travessia até Angra dos Reis, a chamada Trilha Do Ouro (Caminhos de Mambucaba).

- Até tínhamos a intenção de fazê-la, porém não agendamos antecipadamente e não pudemos ir, mas o acesso pras cachoeiras num bate e volta era possível.

- Se o plano inicial era acampar na Dona Palmira, no dia seguinte fazer um bate e volta até a Cachoeira do Veado e então - no 3° dia - subir de volta pra entrada do parque, só fizemos essa trilha gravada num dia. E foi o suficiente pro dia, pois já tínhamos voltado do Pico do Tira Chapéu, andando um total de 7km até iniciar essa trilha.

- A travessia fica pra uma próxima, mas as Cachoeiras valem a pena demais. E, apesar de se estar em meio à mata, a trilha na verdade é uma pequena estrada de terra. Nos trechos de atalho aí sim é trilha.

Obs:
- Como dito, esta caminhada coincide com o trecho inicial da Trilha do Ouro. A cachoeira das Posses tem uma queda de cerca de 40m de altura e fica a aproximados 8 km da portaria do Parque.

- Já a Cachoeira do Santo Isidro visitamos na volta. Ela é um dos destaques do Parque e sua queda possui impressionantes 70 metros de altura. Está localizada a apenas 1,5 km da entrada e a trilha é bem sinalizada - possui alguns degraus e corrimões.

Obs2: na noite anterior tínhamos acampado no Pico do Tira Chapéu e fizemos uns 7km de trilha voltando de lá. Pegamos o carro o fomo até a portaria do parque, onde estacionamos o carro de graça e é seguro.

- na portaria tem água, lixeiras e banheiros.

- no dia tinha wifi livre também, conexão boa!

Pé de Natureza!!!

domingo, 2 de agosto de 2026

Travessia Lapinha x Tabuleiro - MG (2 dias)

A Travessia Lapinha x Tabuleiro em MG é um dos trekkings mais clássicos do Brasil e cruza a Serra do Espinhaço numa extensão de aproximados 36 km. (Sem o Pico do Breu).

Essa rota liga o vilarejo de Lapinha da Serra, que pertence a Santana do Riacho, à portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro, já em Conceição do Mato Dentro.

O trajeto tem um visual dos gerais bem deslumbrante e finaliza na icônica Cachoeira do Tabuleiro (a maior de Minas Gerais, com 273 metros de queda).

- Trilha de nível fácil orientação/técnica, mas pela exigência física vai de moderado a difícil.

- Trilha possui bons pontos de água e exposição ao sol.

Segue o tracklog que gravei:

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travessia-lapinha-x-tabuleiro-mg-2-dias-fev-26-250740192

Cachoeira Tabuleiro

Relato:

Determinado a realizar essa notável travessia, logo pesquisei sobre a logística que seria aplicada. Basicamente me deslocaria de ônibus até Santana do Riacho e então pagaria algum transporte até a Lapinha da Serra ou iria na caminhada por uns 12km – inclusive deixei o wikiloc do trajeto já baixado no aplicativo. Esta última opção apenas se nada mais desse certo. Já pra volta eu teria que embarcar num ônibus de Conceição do Mato Dentro, mas sem antes conseguir um transfer até a rodoviária desde a portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro – que fica no final da travessia.

Da rodoviária do Tietê, em SP, segui rumo a Belo Horizonte, num feriado prolongado de carnaval. O plano era chegar no sábado pela manhã na rodoviária de BH a tempo de embarcar no próximo ônibus, que sairia às 07h30, rumo a Santana do Riacho. Acontece que por poucos minutos não foi possível ir nesse horário, daí tive que esperar até à tarde. A única opção seria às 15h00, uma passagem que custava em torno de R$60,00 pela Saritur. Como eu estava sozinho decidi não procurar outra opção, pois certamente sairia mais caro. Além do mais, esse dia seria reservado para deslocamentos mesmo e já com um plano de acampar em Lapinha da Serra uma noite.

Lapinha da trilha

O trajeto durou mais de 3 horas, com um caminho bonito e passando pela Serra do Cipó. Fato é que cheguei e Santana do Riacho já estava escuro. O motorista perguntou quem iria descer lá na praça, que é o final da linha. Nessa eu já fui pros assentos da frente e tinha um casal lá, perguntei se iriam pra Lapinha e disseram que sim. Ofereci-me pra repartir o valor se caso tivesse vaga e disseram ok. Pessoal gente boa. Assim estava garantida a minha ida, sem precisar ir a pé na noite escura.

Esse trecho foi no modo emoção, o motorista colocou o uno pra jogo na estrada de chão batido, enquanto falava um pouco sobre Lapinha da Serra e sobre a abertura daquela estrada. Rapidamente chegamos à vila, e assim me pus a ir pro Camping Central, onde eu passaria a noite por R$60,00. Montei a barraca eu fui atrás de um lugar pra tomar uma breja e a vila tava numa vibe boa. Não estiquei muito, pois teria que acordar cedo no dia seguinte.

chegando Prainha

Dia 1

Iniciei a caminhada no dia 15/02/26, às 07h, tomei um café da manhã reforçado na padaria. O tempo estava aberto, céu limpo, nesse começo do dia. Logo cheguei num ponto que teria que atravessar um trecho alagado, perto da barragem. Como eu não queria molhar o tênis, tirei e atravessei. Nesse momento passou por mim outro trilheiro e durante todo o percurso nos encontramos algumas vezes nas paradas pra descanso de cada um. Acho que nos cruzamos pelo menos 2 vezes depois.

É importante carregar um mapa pra fazer essa travessia, pois existem algumas bifurcações pra outras travessias ou outros atrativos na região, as opções são muitas, uma região muita rica para os amantes de caminhadas na natureza, faz parte da chamada cordilheira do espinhaço. O nome Espinhaço vem do aspecto da cadeia montanhosa, que lembra uma "espinha dorsal" atravessando parte do território brasileiro. Em resumo, a Cordilheira do Espinhaço é uma longa cadeia de montanhas que atravessa Minas Gerais e Bahia, destacando-se pela riqueza geológica, pelas nascentes de rios e pela impressionante biodiversidade.

Existem também, nessa trilha, muitas porteiras ao longo do trajeto, me parece que indicam que há vários proprietários particular e trechos de parque propriamente dito. Acho que há uma transição com relação a isso, ou não.

vista p/ Ana Benta
O primeiro ponto de referência e de pausa é a Capela de Nossa Senhora Aparecida, quando passei tinha um trilheiro lá dentro ajoelhado rezando. Até aqui andei uns 3,5 km e já quase marcando o fim de uma subida inicial com um visual bem legal da Vila ao fundo e de toda lagoa abaixo. Fazia um tempo que o céu estava nublado e assim fui poupado de se ter um sol sobre mim, nisso a caminhada se dava num ambiente bem tranquilo. Logo pude visualizar a imensidão dos gerais, coisa linda demais que nem cabe numa foto, é ver pra crer.

Adiante, a caminhada fica tranquila, sem muitos aclives ou declives acentuados, lembrando que não subi o pico do breu. Com uns 7km desde o início, fiz outra pausa num ponto de água. A seguir veio a Prainha Ana benta e depois a pousada Ana Benta/Lucas. Eu só passei pela porteira desse estabelecimento que é histórico para a consolidação dessa travessia. A partir de agora vem um trecho de subida e quando já passados os 15km de caminhada eu cheguei no ponto de apoio Chico Lages/Celi. Lá faço uma pausa, bebo uma cerveja, como um queijinho, troco uma prosa e sigo a caminhada, pois faltam apenas uns 3km pra se chegar no ponto de apoio Zé de Olinta. Quando chego no Zé de Olinta já vou logo montar a barraca, o espaço de camping é um pouco mais abaixo do ponto de apoio. Reservei minha janta e fui pro banho. Depois encontrei o Augusto do RJ, o trilheiro que eu tinha trombado na trilha e gente boa demais, ele utilizou a mesma parada como base. Trocamos uma ideia sobre o trajeto do dia seguinte e combinamos de trilhar juntos a segunda parte da travessia. Então, com isso, faríamos em 2 dias. E eu como tava com essa parte do roteiro em aberto, declinei em fazer em 3 dias e foi a melhor opção mesmo. Já que Augusto tinha um resgaste combinado lá na portaria do parque.

vista camping Olinta
Dia 2

Não tivemos um nascer do sol devido à neblina, mas o dia não prometia chuvas. Deitei mais um pouco aguardando o café da manhã, porém devia acordar um pouco mais cedo para ajeitar tudo e depois partir, pois esse dia seria de despedida do ponto de apoio Zé Olinta. O plano seria ir até a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, passar pelo mirante da parte alta e depois ir pra parte baixa, passando pelo mirante da parte baixa e portaria do parque.

Pra ir na pauta alta, algumas pessoas escondem a mochila na bifurcação que separa os dois trajetos e levam somente o básico para parte alta. Até chegar essa bifurcação, saindo do Zé Olinta, deu em torno de uns 2km. Preferi ir de mochila mesmo já que estávamos num ritmo bom. Passamos uns 3 grupos que saíram na frente, mas todos com os guias bem legais, o pessoal de lá é muito solicito com informações e trocas de ideias: Tabuleiro Eco Aventuras, também outro guia do Eco vivência que faz o Parna Cipó 360º, etc.

cachoeira no canion

Logo veio um trecho de descida, mas lembrando que voltaríamos por esse mesmo trecho pra enfim ir sentido portaria. Então na volta seria subida. Na parte alta é preciso um pouco mais de atenção, tanto quanto aos riscos de queda durante a navegação quantos aos risco de tromba d’água em tempo de chuva, neste último caso é preciso abortar a missão.

Já bem próximo do topo da queda dá uma certa vertigem, então, mais uma vez, cuidado redobrado. Passamos ainda por outro mirante que já está constando uma placa de risco de desmoronamento na beira do mirante. Depois dessas visitas inebriantes, voltamos pra bifurcação das mochilas e, adiante, rumo aos quilômetros finais da travessia, sem antes passar pelo mirante parte baixa.

topo tabuleiro
Após passar por cenários incríveis e num tempo relativamente bom, chegamos na portaria onde é cobrado R$10,00 de cada pessoa. Lá, por incrível que pareça, tinha um chuveiro disponível pra tomar um bom banho antes de seguir rumo à rodoviária de Conceição do Mato Dentro. Para se chegar na rodoviária, o resgaste que o Augusto agendou já estava lá, ainda almoçamos uma deliciosa refeição tipicamente mineira em Tabuleiro e partimos pra rodoviária, pra então seguir pra BH. E aqui também, direção no modo mais emoção possível rs.

Foi show de bola essa experiência! Sem sombra de dúvidas essa travessia é uma experiência marcante para os amantes do ecoturismo e do trekking. Foram cerca de 35 a 36 km de extensão, atravessando campos rupestres, cânions, riachos e mirantes de grande beleza cênica, exigindo bom preparo físico devido aos trechos íngremes e à duração de dois dias de caminhada. E, por fim, terminando próximo à imponente Cachoeira do Tabuleiro, considerada uma das mais altas do país. Sem contar a oportunidade de conversar com outras pessoas que curtem o mesmo mundo trekking e de montanhas.

Pé de Natureza.






sexta-feira, 24 de julho de 2026

Vale do Pati – Chapada Diamantina: circuito 3 dias via Guiné

Final de ano de 2025, dia 29/12, parti da região rural de Várzea, que fica distante uns 17km do centro de Piatã, para a região da Guiné e, após umas dicas, decidi ir via Mucugê. No entanto, a estrada que peguei judiou um pouco do carro sedan normal que eu tava. Realmente uma estradinha bem ruim fez com que não compensasse os quilômetros ganhos de distância se comparado ao outro trajeto – que ia sentido Boninal. Pra quem quiser saber sobre a primeira parte da viagem pra Piatã, deixarei o link aqui: https://pedenatureza.blogspot.com/2026/07/chapada-diamantina-pico-do-barbado-e.html

Com uma trajeto desse não deu outra e meu pneu dianteiro direito furou ou estourou, não sei. Pois ainda cheguei a rodar um pouco sem perceber o que estava acontecendo, mas a direção puxando e o cheio de borracha subindo fizeram com que eu parasse e observasse o ocorrido. Por bem dizer, não faltava muito pra chegar, porém não era esperado que perder mais tempo pra iniciar a trilha, até porque não tava contando com um locomoção tão lenta devido às condições já mencionadas.

Troquei o pneu sob aquele sol rachando a cuca. Depois disso fiquei até mais apreensivo porque nenhum pneu poderia mais furar, um lugar bem remoto não teria uma borracharia tão acessível. Contudo, até a chegada ao estacionamento Aleixo, nada mais ocorreu.

Logo quando cheguei, percebi uma placa informando que em breve cobraria uma taxa pra estacionamento, não estava vigente nessa época e com isso apenas deixei o carro, arrumei a mochila, conferi o mapa no celular e comecei a caminhada. O plano era o seguinte: 2 pernoites acampado na Casa Agnaldo e Miguel.

- 1° dia: Mirante Aleixo; Mirante Vale do Pati; Igrejinha; Cachoeiras Lajeado, Funis, Bananeiras; Camping Agnaldo e Miguel. (10,5km);

- 2° dia: Morro do Castelo; Mirante Pati Baixo; Camping Agnaldo e Miguel. (7km);

- 3° dia: Subida da Fenda; Mirante da Fenda; Mirante Cachoeirão; Mirante Aleixo e Estacionamento Aleixo. (17km);

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/vale-do-pati-circuito-3-dias-via-guine-chapada-diamantina-dez-25-245467478

Mirante do Pati

Dia 1

Por volta das 11h30, do dia 29/12, iniciei a trilha sob um sol forte, ainda bem que eu estava com meu chapéu de palha pra salvar um pouco. Eu olhava pra frente e via um paredão a ser vencido, praticamente logo de cara, pra mostrar que o trekking do vale do pati não é só molezinha e visuais esplendidos proporcionados pelos chapadões da natureza. Era uma segunda-feira e já havia alguns grupos mais pra frente e outros que iriam começar ainda, só estavam numa resenha lá no estacionamento. Como eu estava sozinho já fui no meu ritmo sem tantas paradas de início, isso até chegar na metade da subida, aí sim senti um pouco o calor, a mochila e as pernas rs. Sem crise, num ritmo mais de boa, logo cheguei no Mirante dos Aleixos, somos agraciados até com um abrigo natural das rochas. Lá, uma trilheira estava passando mal e seu guia a ajudou. Ofereci uma banana que minha mãe fez questão que eu levasse, mas não era caso de câimbra e eles agradeceram.

Até aqui foi rodado apenas 1,5km, enquanto uma galera fazia sua pausa ali, eu segui. Agora o cenário era mais plano e já podia avistar três morros imponentes bem mais ao fundo. Sim, um trecho bem agradável até a chegada do Rio Preto, onde abasteci de água usando clorin. Aproveitei e perguntei pra um guia se estavam bebendo dessa água normal, daí ele me disse que pra ele era de boa, mas que alguns clientes já passaram mal por não ter o costume. Enfim, eu também não tive problemas. Nessa travessia do rio é possível fazer a pausa pra banhos e uma galera fazia isso também. Eu segui!

vista da subida do Aleixo

Com uns 5km, desde o início, cheguei no Mirante do Pati. Um cenário incrível aquilo ali, coisa de outro mundo que custei a acreditar em tamanha beleza. Isso só faz reforçar que estar ali valeu muito a pena. E revigora pra continuar a caminhada, agora enfrentar uma íngreme descida. Após, segui à esquerda, que é o caminho que contorna o morro e passa pela igrejinha e pelas cachoeiras. Se eu seguisse a trilha reta, daria no Morro do Cruzeiro.

Mais 1,5km desde o Mirante, ou seja, 6,5 desde o início, cheguei na Igrejinha e logo reabasteci a garrafa de água, pra mim é bom sempre andar com muita água porque no calor eu consumo bastante. Percebi que tinha uma galera montando acampamento, mas o ideal ali é para se hospedar nos quartos. Inclusive depois encontrei com essa galera que lá acampou e disseram mesmo não ser estruturado pra camping.

Altina

Mais uns 500 metros passo por um cemitério, pra mais adiante chegar a primeira cachoeira do dia, no meu mapa diz Cachoeira da Altina. Digo isso porque analisei outros mapa e continha outro nome, mas, enfim, lá foi onde tomei aquele banho refrescante e merecido. Sensacional! Aquela pausa pra contemplação e lanches.

Continuei meio que uma trilha ao lado do leito do rio, até interceptar a trilha pra chegada na Cachoeira dos Funis, esta com uma característica já diferente da anterior, pois possui um belo poço é mais estreita e fechada. Como já havia me banhado, só fiz uma breve pausa. A trilha continua na outra margem do rio e em pouco tempo – bem de boa – cheguei na Cachoeira das Bananeiras. Tinha um grupo lá, inclusive reconheci um guia que era de sp, mas eu segui já na vontade chegar ao Abrigo Agnaldo e Miguel.

Cachoeira dos Funis

No caso minha preocupação era quanto à refeição, porque eu não agendei nada! Como minha viagem eu mesclava os compromissos com minha mãe em leva-la pra visitar as pessoas e das minhas aventuras trilheiras, ficou difícil pra eu cravar a data que realmente eu iria fazer essa travessia. Vide que a primeira parte da viagem, relatada no post anterior, eu fazia mais uns bate e volta, como escape.

Sei que com uns 10km desde o início eu cheguei na Pousada Agnaldo e Miguel. De fato eu não teria janta naquele dia, mas tinham outras opções pra comer algo. Assim sendo, montei minha barraca, relaxei e fui pro banho. Se eu não me engano os chuveiros são frios, não são energizados. Eu mesmo que não tomaria banho quente num dia de calor daquele. O valor do camping nesta data foi de R$60,00 e a janta é o mesmo valor. Além de deliciosos pasteis, eles vendem refrigerantes e cervejas. Tomei algumas latinhas pra relaxar junto com pastéis. A cerveja sai mais cara devido ao trabalho de se chegar até lá. Lembrem-se que é uma acomodação bem remota, não se chega veículo motorizado com facilidade. Agora tem a opção de camas em quartos compartilhados e acredito que um quarto individual, daí é preciso checar e fazer reservas. A energia chega através de placas solares.

 

Bananeiras

Dia 2

Acordei bem cedo, rodeado pelas montanhas e aquela neblina costumeira de uma manhã em meio à serra. Esperei o café da manhã, farto por demais, já pra dar energia pra trilha do dia: Morro do Castelo.

O Morro do Castelo é o ponto culminante do Vale do Pati, pra alcança-lo é necessário fazer uma trilha íngreme e irregular, porém bem batida, sem tantas dificuldades de navegação – nesse dia seria um bate e volta até a pousada (mochila de ataque). Logo nos primeiros quilômetros tem um ponto de água que achei impressionante, água geladinha e limpa. Na volta foi a salvação, pois eu estava com sede já.

Já quase no topo tem uma gruta, que estava interditada e por isso não acessei, mas vi algumas pessoas que acessaram. Deviam estar sendo guiados por guias de fora da região, ou de cidades adjacentes. Enfim, pela preservação e pelo risco de dano, eu preferi não ir e seguir na trilha mais recente pra evitar a gruta.

Mirante Pati Baixo

Ainda sem nenhum visual, visitei o Mirante do Pati de Baixo. Lá aguardei o tempo abrir e assim se fez. Mais um espetáculo na Chapada Diamantina. Adiante, aí sim, fui pra outra parte do Morro do Castelo, tempo já aberto também. Um visual de 360º podendo ver várias regiões, a Cachoeira do Calixto – que eu não iria visitar nessa ocasião.

A volta foi tranquila e à noite teria a tão esperada janta, que de fato me surpreendeu. Comida local sem frescuras e em grande quantidade. O tempero maravilhoso e na hora lembrei da minha mãe e minhas tias, pois muitas coisas eu já tinha o costume de comer. Feijão Andu, Arroz Vermelho, Palma, Abobora com quiabo, vixi – muita coisa. Um caldo/creme de ervilha saboroso pra opção de proteína sem origem animal. Incrível! Imagino pros gringos como deve ser essa experiência de alimentação, de muito valor!

Por fim, foi só dormir, sem antes pegar o celular que estava carregando, mas a carga foi lenta. Sorte que eu tava com o power bank – é necessário esse item pra quem tiver acompanhando o mapa pelo celular durante os 3 dias.

 

visual no Castelo

Dia 3

É dia 31/12, véspera de ano novo, todo mundo combinando onde passar o réveillon, alguns falavam de algum forró pelo Pati, outros em fogueira e luar, enfim, no meu caso seria o dia da volta, fechar o circuito de volta pro Aleixo passando pelo Mirante do Cachoeirão, mas sem antes vencer a subida da Fenda. A questão é que esse dia já seria trilha com cargueira mesmo.

Desmontei a barraca e arrumei a mochila. Tomei mais um café da manhã reforçado, acertei as contas e parti. Este é o dia derradeiro e onde mais se caminha, serão mais de 16km. A trilha segue de boa, passei pela Pousada da Léia, depois da Dona Raquel e, ao avistar a Pousada do Zé Preto, virei à direita rumo à ascensão até a Fenda. Essa subida eu sabia que seria braba. Não foi pra menos. Nesse dia eu segui praticamente sozinho, pois não era o plano de ninguém deixar o Pati no dia da virada do ano.  Depois de uns 2km de subida árdua, cheguei no Mirante da Fenda e me aloquei numa espécie de abrigo, ali com cuidado fui caminhando. Em seguida veio a subida final da Fenda, neste local a trilha deu uma confundida, mas seguindo a direção do tracklog ajuda demais a se orientar.

Aqui já passei a racionar mais a água já que na subida eu bebi bastante. Impressionante que, além da beleza cênica, os tipos de trilha são variados. Até aqui já passei por morros íngremes, por leito de rio, por rochas, por areias, por lugares mais planos dos gerais, perto de gruta, cumes, vales, etc. É demais, um sonho sendo realizado, um desejo de anos atrás que parecia distante, mas que nessa ocasião se fez real.

chegando na Fenda

Esse dia, uma caminhada mais longa, fui na cautela até chegar o Cachoeirão. Um espetáculo novamente. No caso eu não consegui ver a queda nitidamente, pois, pelo horário, estava sombreado o local da cachoeira. Mas o mirante é magnifico, não tinha ninguém também quando cheguei, não pude tirar aquela foto que o pessoal se arrisca mais rs. Apesar de que nem é muito meu perfil me arriscar por uma foto, mas ter uma fotinha dali seria loko demais.

O sol estralava, água já no limite. O próximo ponto de abastecimento hídrico estava por chegar. A caminhada continuava sentido o Mirante Aleixo, tinha chão ainda. Cruzei o Rio Preto novamente e lá fiz uma pausa.

Só sei que no fim da tarde eu cheguei no estacionamento e fu direto na vendinha que estava aberta, na verdade quase pra fechar! Dei sorte e pedi um refri e uma cerveja pra comemorar. Utilizei o wifi do local pra pagar no pix e já carreguei o caminho de volta pra Piatã. Decidido a não fazer o mesmo trajeto da ida. Foi aí que o rapaz do estacionamento me indicou o melhor caminho e, como ele já estava fechando, disse pra segui-lo que ele ia mostrar os caminhos até ele chegar na casa dele e de lá eu poderia seguir numa boa que iria dar na estrada rumo à Boninal.

Mirante Cachoeirão

Dito e feito, segui sua moto por umas estradas de chão batido, mas bem transitável, esse rapaz foi super gente boa, ainda convidou pra fazer uma pausa lá com seu pessoal, já era clima de ano novo, mas eu disse que ainda ia encontrar minha mãe e minha tia lá em Piatã. Já em Boninal eu abasteci de combustível – que tava na reserva já. Nenhum pneu a mais furado. A única questão é que cheguei bem cansado na roça onde estava hospedado. Tomei uma ducha rápida e ainda tive que levar minha mãe lá pra cidade, pra ver os fogos da virada em Piatã. Contudo eu nem aproveitei, nem do carro eu sai. Infelizmente no dia seguinte tivemos a notícia do falecimento de minha querida tia Bela, em sp. Mantivemos a volta pro dia 4, pois não daria pra voltar pra sp tão rápido assim. Também não dei continuidade em outros roteiros que tinha no pente, fica pra uma próxima! O misto de sentimento tava instaurado, não poderíamos nos despedir da minha tia, a mais grudada com minha mãe e a que muito conversava comigo. Dias antes eu havia visitado, pela primeira vez adulto, o local onde elas nasceram e cresceram – uma casa já sem telhas, na roça, cercada pelas montanhas. As memórias permanecerão!

Pé de Natureza!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Chapada Diamantina: Pico do Barbado e Cachoeiras na região de Piatã – BA

Pico do Barbado e Cachoeiras na região de Piatã – BA (Chapada Diamantina)

Vou relatar a seguir uma parte da viagem que fiz para a Bahia, mais especificamente pra Piatã, na região da Chapada Diamantina. Fui com minha mãe e viajamos de carro justamente pra ter uma autonomia maior, apesar de ser cansativo pegar estrada por 2 dias diretos, enfrentando sol e chuva; por vez até um certo trânsito. Mas, por fim, valeu a pena demais.

Fomos no final de ano, tive 15 dias de recesso do trabalho e por isso era hora de colocar o plano em ação. No caso minha mãe é nascida em Piatã e por muitos anos não havia mais visitado o local. Então, se da minha parte eu iria curtir um pouco de aventura nas trilhas, pudemos também rememorar histórias de parentes em visitas e conversas.

Pode-se dizer que esses atrativos que relatarei aqui não são os mais visitados em termos turísticos de Chapada Diamantina, mas ainda assim são belos roteiros pra se fazer.

Do Pico do Barbado - BA


Dia 23/12/2025 – Cachoeira do Cochó e Cachoeira do Patrício (de carro)

https://pt.wikiloc.com/trilhas-carro/cachoeira-do-cocho-e-cachoeira-do-patricio-com-partida-em-piata-bahia-244555898

Dia 24/12/2025 – Trilha para o Pico do Barbado (bate e volta)

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/pico-do-barbado-com-partida-em-catole-sabambaia-de-cima-244655812

Dia 25/12/2025 – Trilha para a Cachoeira do Michilânia

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/cachoeira-do-michilania-ouro-verde-catoles-abaira-piata-ba-244721197

Só no dia 22/12 que chegamos no centro de Piatã. No primeiro dia de viagem pegamos trânsito parado (completamente parado) em dois trechos da Fernão Dias, um na chegada de Extrema e outro já perto de Três Corações – MG. Ambos foi devido a acidentes e com o volume alto de carro, deu no nisso: horas de atraso. Com isso o plano inicial já foi alterado. Se no primeiro dia eu queria ter chagado até Montes Claros, no máximo que deu foi um pouco depois de BH, Contagem eu acho.

Decidimos que não compensava parar em pousada ou hotel após esse atraso, então o jeito foi procurar um posto pra fazer uma pausa e acordar bem cedo e seguir viagem no intuito de descontar o tempo não rodado no primeiro. No segundo dia preferimos parar perto de Monte Azul, ainda estaríamos há 5 horas de Piatã. Um ponto bom é que as estradas não eram ruins, eu imaginava que seria uma viagem muito cadenciada, mas não foi. Mesmo que ao cruzar a fronteira de MG/BA a pista era de uma mão, então eu deveria fazer ultrapassagens de ônibus e caminhões. Enfim, tudo correu bem tranquilo. Destaque imenso pra serra do espinhado em boa parte da viagem, algumas montanhas inclusive já pesquisei pois um dia quem sabe – Serra Nova, Serra Talhada, etc.

Assim sendo, no dia 23/12 eu já estava partindo pra um rolê de cachoeiras, só pra aquecer rs. Com isso, de carro mesmo, decidi ir pra Cachoeira do Cochó e depois pra Cachoeira do Patrício.

Cochó


Cachoeira do Cochó

Visitar a Cachoeira do Cochó foi uma experiência marcada pelo contato direto com a natureza e pela tranquilidade do ambiente. Pois cercada por belas paisagens, forma um cenário ideal para relaxar, apreciar as águas cristalinas e contemplar a vegetação da região. O som da queda d'água, aliado à atmosfera acolhedora do local, proporcionou aquele tão esperado momento de descanso, aventura e conexão com as riquezas naturais baianas.

Saindo do centro de Piatã, peguei a BR148 sentido Boninal e depois de uns 9km acessei uma estrada à esquerda, a BA560. Nessa rodovia percorri mais 5km e acessei à direita, já numa estrada de chão batido. Dali foi só seguir mais alguns quilômetros. A dica aqui é colocar o roteiro no google maps que segue direitinho, ou usar o próprio wikiloc, vou deixar o link do que eu gravei. No mais, desconheço transporte público para a região. Enfim, partindo do centro de Piatã são 10 km de asfalto e 14 km de estrada de terra.

É possível nadar tranquilamente na Cachoeira do Cochó, pois além de possuir uma bela queda d’água de uns 12 metros de altura e águas cristalinas, tem um poço rodeado por uma prainha de areias claras. Nessa visita estava bem vazia, mas nos finais de semana costuma lotar e alterar um pouco a coloração da água. Como dito, seu acesso de carro é feito por uma estrada de terra em boas condições e depois é só seguir por uma trilha curta, sem desnível e de fácil acesso. Com isso, é muito prático de se visitar. Não há cobrança de taxa, apesar de estar localizada numa propriedade particular. Também não visualizei nenhum serviço de bar/lanchonete/mercado no local. Leve seus lanches.

Patrício


Cachoeira do Patrício

A Cachoeira do Patrício destaca-se por sua beleza cênica, águas cristalinas e ambiente preservado. Sua fauna diversificada inclui aves, pequenos mamíferos e outros animais típicos da Chapada Diamantina, tornando a visita uma excelente oportunidade de contato com a natureza. Com uns 30 metros de altura, a cachoeira está cercada por matas ciliares e paredões rochosos. Essa tem uma trilha pra se chegar, nada muito extenso, mas não chega a ser tão prático e curta como chegar na cachoeira do cochó. Possui um poço também e possível sentir a águas descendo forte pra um banho gelado e revigorante. Coo eu já havia me banhado na cochó, nessa eu fiquei pra contemplação.

Se utilizar como referência o centro de Piatã são 10km de asfalto e 12 km de estrada de terra. Mas como eu emendei a partir do Cochó, então a dica é seguir o wikiloc que gravei ou colocar no próprio google maps. É de boa!

É possível e muito bom – pena que não deu tempo nesse dia – ir pra outras quedas mais abaixo, Da lua e também das Escadas. Eu tinha olhado pelo mapa, mas nessa ocasião não deu.

visual do barbado

Barbado


Pico do Barbado – dia 24/12/25

É cume mais alto da região Nordeste do Brasil. Parti de Vargem, Piatã - Bahia. Com isso, fui de carro até o Mirante Catolés de Cima, onde se iniciou a caminhada...

Saí da roça e fui pra cidade em Piatã e de lá joguei no mapa google pra chegar até o mirante Catolés. O trecho na rodovia 148 foi asfaltado em boas condições, depois, ao virar à direita, no portal de Ouro Verde, que indica a direção do Pico do Barbado, daí a estrada fica de chão batido, o pó da estrada rs.

Passei por alguns vilarejos, lugares agradáveis por demais até chegar no Mirante Catolés de Cima, a estrutura me surpreendeu, tinha banheiros, banquinhos e até wifi livre pra poder carregar o mapa da trilha numa boa. Entrada gratuita!

Agora sobre a viagem até lá eu deveria ter saido mais cedo da roça, pois a intenção era subir o Barbado e logo depois o Pico do Elefante, de acordo com o tracklog que baixei, mas enfim...fiz o Barbado e fiquei super contente.

A trilha é só subida mesmo, e com a temperatura mais quente, pra mim foi uma subida cautelosa, lenta e com várias paradas, no km final da subida se dá uma sequência de escalaminhada, não teve perigo momento algum, foi só ter paciência e ir apreciando o lugar. (E claro: prestar atenção nos totens e no mapa que estiver seguindo).

Levei 3 litros de água e assim não precisei abastecer no trajeto. (Talvez seja preciso usar clorin nos pontos de água, existem animais pastando na trilha).

Nesta data não tinha ninguém na trilha, só na volta, já no meio da descida, que um trilheiro passou por mim indo acampar no pico, era véspera do natal.

O visual é magnifico, 360° só de montanhas ao redor, pena que conheço pouco a região da Chapada Diamantina, eis o primeiro contato, mas acredito ter reconhecido a Serra da Tromba rs.

Obs: Tem um livro de registro meio que camuflado na parte de baixo da rocha marcada de cume.

Em suma, “a visita ao Pico do Barbado, na Chapada Diamantina, proporciona uma experiência única de contato com a natureza e superação pessoal. Com 2.033 metros de altitude, é o ponto mais alto da Bahia e de todo o Nordeste brasileiro. A trilha até o cume revela paisagens deslumbrantes, campos de altitude, formações rochosas e vistas panorâmicas que recompensam o esforço da caminhada, tornando o passeio inesquecível para os amantes do ecoturismo e do montanhismo.”

 

Michilânia

Cachoeira do Michilânia – 25/12/25

Cachoeira da Michilania, Ouro Verde, Bahia.

Ouro Verde é um povoado situado no município de Abaíra, na região da Chapada Diamantina, tendo a Serra da Tromba como vizinha. Fica também no caminho pra quem vai pra Catolés e pro Pico do Barbado. Então pra se chegar lá usei a mesma entrada na BA148 da vez que fui pro Pico do Barbado.

Partindo de Piatã, joguei no google maps: "Cachoeira da Michilania" e então fui de carro até uma barragem/ponte na comunidade do funil, uns 4km antes da cachoeira, a partir de então fui a pé.

A entrada é gratuita e a trilha é fácil e agradável. Algumas poucas bifurcações que, se seguindo um mapa, não tem erro. Por vezes é possível ver o rio no lado direito e passar por alguns pouco moradores.

Todo o ambiente e o visual ao redor é sensacional e após 1 hora de caminhada suave chega-se nas areias da Cachoeira da Michilania. Isso mesmo, há um bom trecho na base da cachoeira com aquelas areias de praia, e um amplo espaço para acampamentos, descanso e picnics.

É possível nadar no seu poço, mas pra quem não sabe nadar ou não tem tanta confiança, tem uma queda bem relaxante bem na ponta esquerda, pra quem olha de frente.



Enfim, mais um lugar incrível na parte ainda menos visitada da Chapada Diamantina.

- trilheiro: Fuca

- leve água e um lanche leve de trilha.

- use calcados fechados na caminhada.

- não deixe lixo no local nem no caminho (lá estava tudo bem limpo)

- respeite os moradores locais.

- boa parte da estrada é de terra (o pó da estrada) e fui de carro sedan compacto, algum trecho foi preciso ir mais devagar, com atenção devido a buracos.

- o lugar que estacionei o carro não tive problemas, região tranquila.

Conclusão

Eis aí o que considero a primeira parte dessa visita aventureira pela Chapada Diamantina. É também minha primeira caminhada pelo nordeste. Nesse contexto, como dito no início, eu visitei parentes e conhecidos da minha mãe e o pessoal de Piatã foi muito receptivo, incrível demais. No próximo capítulo relatarei a parte derradeira, em termos de trilha, dessa viagem. Fiz o Vale do Pati em 3 dias, uns dos maiores desafios da minha vida.

Péde natureza! TMJ.

Queda Patrício

Estrada na volta


sábado, 8 de fevereiro de 2020

Luminárias MG: Cachoeira do Mandembe + Cachoeira Pedra Furada


Luminárias: Cachoeira do Mandembe + Cachoeira Pedra Furada (ônibus e a pé)
(02/02/2020 a 05/02/2020)

Localizada no sul de Minas Gerais, Luminárias é um município que faz parte do antigo caminho da estrada real e possui, assim, diversas Cachoeiras cercadas por uma região montanhosa. Apesar de todo o potencial dessa cidade, não aparenta ser tão visitada quanto São Thomé das Letras e Carrancas, que são alguns municípios limítrofes, e que recebem um maior contingente turístico do que Luminárias.
Bom, então partindo de São Thomé das Letras, eu fui fazer uma visita a esse lindo e tranquilo lugar. O transporte foi o coletivo mesmo e para ir aos atrativos eu encarei a estrada na caminhada. Numa boa, na paz! Fiquei hospedado na Pousada Vó Vevinha, no centro de Luminárias. Pra almoçar eu fui ao Restaurante Padre Bento, comida boa e é self-service!
O roteiro foi bem simples: Um dia na Cachoeira do Mandembe e outro dia na Cachoeira da Pedra Furada, lembrando que fiquei com muita dúvida pois queria ir pra região da Cachoeira Serra Grande, mas ficará pra próxima ida!

Como Cheguei
Embarquei no ônibus da Viação Coutinho saindo de São Thomé das Letras rumo à São Bento Abade, o horário foi o das 13h15, era domingo. Cheguei em São bento às 14h e o próximo ônibus que me levaria pra Luminárias só passava às 18h, a viação é a Trectur. Bom, aproveitei a tarde de domingo nas lanchonetes, bares e na praça de São Bento. Enfim, cheguei em Luminárias às 18h45 e a pousada já é na rua do ponto final da linha. Foi tranquilo!

Cachoeira do Mandembe I - Luminárias - MG

Cachoeira do Mandembe
Distante menos de 8km do centro de Luminárias, a Cachoeira Mandembe é linda e de fácil acesso, possui pelo menos duas quedas e alguns poços para banho. As quedas não são grandes, mas são bem agradáveis e com água cristalina. Não há necessidade de se fazer trilhas extensas, pois se está bem próxima da estrada e dos dois lados da estrada se tem quedas. Vale a pena demais. Vou dizer como foi minha caminhada até lá!
Acordei cedo, tomei café da manhã na pousada e já segui pro destino do dia. Conferi se o celular estava com a bateria devidamente carregada, até porque o mapa da cachoeira estava nele e seria minha referência. No caso fiz umas cópias do mapa do google e de trackloc com uma aproximação bem boa pra não me perder na caminhada.
Às 08h, eu passo pela placa que indica a estrada para Cruzília e Cachoeira Mandembe, na Rua Prefeito Antônio Furtado. Segui direto até chegar na Estrada do Areião, com isso já veio uma ladeira pra subir numa boa e após ter subido o morro me deparei com a primeira bifurcação, tomei à esquerda pois na direita eu iria pra estrada da torre. A partir de então começou uma descida! Nisso já eram 08h40min.
Rua Prefeito Antônio Furtado

tomei à esquerda
Mais 15 minutos e encontrei outra bifurcação e tomei à esquerda novamente! Tinha até uma espécie de barricada na via da direita, acho que muita gente se perdia ali. Mas enfim, segui mais 10 minutos e tomei à esquerda novamente! Passei por umas casinhas que na ida não tinha ninguém ao redor, mas na volta eles me cumprimentaram, com aquele ar bem receptivo. Eu já tinha passado por diversos pastos, o visual das montanhas era lindo e com algumas tonalidades de verde, por vezes eu via as pedreiras trabalhando e deixando suas marcas nas montanhas! Não se passava muitos carros, passaram algumas motos e caminhões carregados de pedras.
esquerda novamente

outra esquerda
Às 09h15, ou seja, 10 minutos depois da última bifurcação, eu continuei à esquerda e a partir de então segui pela estrada de terra sempre na principal até chegar numa ponte, vejam bem, ponte é ponte não é mata burro rs. Na ponte já é a Cachoeira Mandembe, daí é só escolher o lado que quiser visitar primeiro. Eu desci pra direita primeiro, depois subi pra esquerda!
seguir direto!

tinha uma cobra no caminho

Cachoeira Mandembe, direita da ponte

Curti numa boa paz aquela queda, o sol começava a aparecer naquele poço, pois já se ia passando das 10h00, arrumei uma “cama” natural bem em frente à queda e lá fiquei por um tempo. Depois segui o leito do rio, que estava tão calmo e reluzia o sol numa beleza imensa, assim fui até encontrar uma confluência com um rio bem turvo e então eles seguiam juntos virando para a direita. Voltei, e fui pro outro lado da ponte!

placa da entrada

parte da esquerda

Foi então que me surpreendi mais ainda, formando um poço enorme e muito cristalino e límpido, não sei como explicar direito, mas ali fiquei bem contente, sensação ótima de estar ali e como era meio de semana, eu era dono do lugar por alguns instantes. Até nadar eu nadei, mas tem uma parte do poço que é bem funda, sempre bom ter cuidado!
Em suma, assim foi o meu dia. Voltei pra pousada numa caminhada agradável, totalizando uns 16km no dia. Almocei e fui relaxar escutando o barulho da chuva!
MAPA Google (https://goo.gl/maps/mQk1pY49XZ2Le9db7)


Cachoeira Pedra Furada, Panorama das quedas!

Cachoeira da Pedra Furada

Chuva fina pela manhã, tempo nublado e um frio de leve. Assim começou o dia 04/02, uma terça-feira. O meu programa era ir até a Pedra Furada e fui. Tomei um café da manhã sem nada de pressa e antes das 08h30 o tempo sinalizou, vá! Conferi o que tinha que levar e nesse dia a caminhada seria de mais 9km até o destino.  
Dessa vez segui pra Rua João Ferreira Diniz e assim mudou de asfalto para estrada de terra. A ladeira veio novamente como no dia anterior, mesmo sendo outro caminho. Em resumo, a primeira bifurcação apareceu depois de 1 hora de caminhada e fui pra direita! Tem uma placa tímida nessa bifurcação, mas na foto se vê como é. Mais 10 minutos e teve outra bifurcação, dessa vez segui à esquerda, pois direto ia rumo à Fazenda Palestina (tem placa mas já tava apagada).
festas tradicionais e natureza

chegando estrada de terra

seguir pra direita

agora pra esquerda

Menos de 10 minutos e mais uma à esquerda, que na verdade não se sai da principal, nessa bifurcação teve uma placa indicando que a Cachoeira Pedra Furada estaria a 3km dali. Assim segui e voltou uma leve subida de serra. Mais 40 minutos de caminhada e veio outra bifurcação, fui à esquerda e então já estava quase lá. Com mais 20 minutos andando, eu cheguei na Cachoeira. Tem um estabelecimento lá, pois é propriedade particular e cobra-se uma taxa de conservação de R$5,00. Como não tinha ninguém cobrando nesse dia eu desci direto e qualquer coisa na volta eu ia pagar.
 seguir esquerda, falta 3km

à esquerda, já tá chegando

Mais um lugar sensacional, superou a expectativa. Mesmo com o céu nublado a paisagem estava bela. São várias quedas ao longo do complexo Pedra Furada, tem algumas trilhas e vale a pena fazê-las para obter diferentes ângulos de mais um pedaço do paraíso. Novamente eu estava sozinho no local e pude ficar bem em paz. Acho que não preciso nem me alongar nas descrições, mas só por esses dois passeios que fiz deu pra perceber que Luminárias vale muito a pena e mesmo para quem esteja de carro, um fim de semana ainda é pouco. No entanto, se essa for a possibilidade de ir, por que não ir? Fica a dica! Quem sabe em breve eu volte pra ir ao Complexo de Cachoeiras Serra Grande e esticar até Carrancas... Pé de Natureza!

cheguei

as quedinhas de perto

Pedra Furada

outro ângulo do poço

o furo na parte de cima

- De São Thomé até São Bento Abade
Horário ida: 13h15, preço R$8,75
- De São Bento até Luminárias
Horário ida: 18h00, preço R$10,50

- De Luminárias até São Bento Abade
Horário volta: 07h00, preço R$10,50
- De São Bento até São Thomé
Horário volta: 07h50, preço R$8,75

Maiores informações de horário é bom ligar para a Viação Coutimnho e a Viação Trectur.

- Pousada Vó Vevinha: Diária com café da manhã, R$60,00
- Almoço no Restaurante Padre Bueno: R$17,00 self service
- Ótimo pastel na lanchonete de frente a Vó Vevinha.

- São bento Abade tem algumas lanchonetes legais também!

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