![]() |
| Topo Tira Chapéu |
![]() |
| Sto Isidro |
![]() |
| Cachoeira das Posses |
![]() |
| Topo Tira Chapéu |
![]() |
| Sto Isidro |
![]() |
| Cachoeira das Posses |
A Travessia Lapinha x Tabuleiro em MG é um dos trekkings mais clássicos do Brasil e cruza a Serra do Espinhaço numa extensão de aproximados 36 km. (Sem o Pico do Breu).
Essa rota liga o vilarejo de
Lapinha da Serra, que pertence a Santana do Riacho, à portaria do Parque
Natural Municipal do Tabuleiro, já em Conceição do Mato Dentro.
O trajeto tem um visual dos
gerais bem deslumbrante e finaliza na icônica Cachoeira do Tabuleiro (a maior
de Minas Gerais, com 273 metros de queda).
- Trilha de nível fácil
orientação/técnica, mas pela exigência física vai de moderado a difícil.
- Trilha possui bons pontos de
água e exposição ao sol.
Segue o tracklog que gravei:
https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travessia-lapinha-x-tabuleiro-mg-2-dias-fev-26-250740192
![]() |
| Cachoeira Tabuleiro |
Relato:
Determinado a realizar essa
notável travessia, logo pesquisei sobre a logística que seria aplicada.
Basicamente me deslocaria de ônibus até Santana do Riacho e então pagaria algum
transporte até a Lapinha da Serra ou iria na caminhada por uns 12km – inclusive
deixei o wikiloc do trajeto já baixado no aplicativo. Esta última opção apenas se
nada mais desse certo. Já pra volta eu teria que embarcar num ônibus de
Conceição do Mato Dentro, mas sem antes conseguir um transfer até a rodoviária
desde a portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro – que fica no final
da travessia.
Da rodoviária do Tietê, em SP,
segui rumo a Belo Horizonte, num feriado prolongado de carnaval. O plano era
chegar no sábado pela manhã na rodoviária de BH a tempo de embarcar no próximo
ônibus, que sairia às 07h30, rumo a Santana do Riacho. Acontece que por poucos
minutos não foi possível ir nesse horário, daí tive que esperar até à tarde. A
única opção seria às 15h00, uma passagem que custava em torno de R$60,00 pela
Saritur. Como eu estava sozinho decidi não procurar outra opção, pois
certamente sairia mais caro. Além do mais, esse dia seria reservado para
deslocamentos mesmo e já com um plano de acampar em Lapinha da Serra uma noite.
![]() |
| Lapinha da trilha |
O trajeto durou mais de 3 horas,
com um caminho bonito e passando pela Serra do Cipó. Fato é que cheguei e Santana do Riacho já estava escuro. O motorista perguntou quem iria descer lá
na praça, que é o final da linha. Nessa eu já fui pros assentos da frente e
tinha um casal lá, perguntei se iriam pra Lapinha e disseram que sim.
Ofereci-me pra repartir o valor se caso tivesse vaga e disseram ok. Pessoal
gente boa. Assim estava garantida a minha ida, sem precisar ir a pé na noite
escura.
Esse trecho foi no modo emoção, o
motorista colocou o uno pra jogo na estrada de chão batido, enquanto falava um
pouco sobre Lapinha da Serra e sobre a abertura daquela estrada. Rapidamente chegamos
à vila, e assim me pus a ir pro Camping Central, onde eu passaria a noite por
R$60,00. Montei a barraca eu fui atrás de um lugar pra tomar uma breja e a vila
tava numa vibe boa. Não estiquei muito, pois teria que acordar cedo no dia
seguinte.
![]() |
| chegando Prainha |
Dia 1
Iniciei a caminhada no dia 15/02/26,
às 07h, tomei um café da manhã reforçado na padaria. O tempo estava aberto, céu
limpo, nesse começo do dia. Logo cheguei num ponto que teria que atravessar um
trecho alagado, perto da barragem. Como eu não queria molhar o tênis, tirei e
atravessei. Nesse momento passou por mim outro trilheiro e durante todo o
percurso nos encontramos algumas vezes nas paradas pra descanso de cada um.
Acho que nos cruzamos pelo menos 2 vezes depois.
É importante carregar um mapa pra
fazer essa travessia, pois existem algumas bifurcações pra outras travessias ou
outros atrativos na região, as opções são muitas, uma região muita rica para os
amantes de caminhadas na natureza, faz parte da chamada cordilheira do
espinhaço. O nome Espinhaço vem do aspecto da cadeia montanhosa, que lembra uma
"espinha dorsal" atravessando parte do território brasileiro. Em
resumo, a Cordilheira do Espinhaço é uma longa cadeia de montanhas que
atravessa Minas Gerais e Bahia, destacando-se pela riqueza geológica, pelas
nascentes de rios e pela impressionante biodiversidade.
Existem também, nessa trilha,
muitas porteiras ao longo do trajeto, me parece que indicam que há vários proprietários
particular e trechos de parque propriamente dito. Acho que há uma transição com
relação a isso, ou não.
![]() |
| vista p/ Ana Benta |
Adiante, a caminhada fica
tranquila, sem muitos aclives ou declives acentuados, lembrando que não subi o
pico do breu. Com uns 7km desde o início, fiz outra pausa num ponto de água. A
seguir veio a Prainha Ana benta e depois a pousada Ana Benta/Lucas. Eu só
passei pela porteira desse estabelecimento que é histórico para a consolidação
dessa travessia. A partir de agora vem um trecho de subida e quando já passados
os 15km de caminhada eu cheguei no ponto de apoio Chico Lages/Celi. Lá faço uma
pausa, bebo uma cerveja, como um queijinho, troco uma prosa e sigo a caminhada,
pois faltam apenas uns 3km pra se chegar no ponto de apoio Zé de Olinta. Quando
chego no Zé de Olinta já vou logo montar a barraca, o espaço de camping é um
pouco mais abaixo do ponto de apoio. Reservei minha janta e fui pro banho. Depois
encontrei o Augusto do RJ, o trilheiro que eu tinha trombado na trilha e gente
boa demais, ele utilizou a mesma parada como base. Trocamos uma ideia sobre o
trajeto do dia seguinte e combinamos de trilhar juntos a segunda parte da
travessia. Então, com isso, faríamos em 2 dias. E eu como tava com essa parte
do roteiro em aberto, declinei em fazer em 3 dias e foi a melhor opção mesmo.
Já que Augusto tinha um resgaste combinado lá na portaria do parque.
![]() |
| vista camping Olinta |
Não tivemos um nascer do sol
devido à neblina, mas o dia não prometia chuvas. Deitei mais um pouco
aguardando o café da manhã, porém devia acordar um pouco mais cedo para ajeitar
tudo e depois partir, pois esse dia seria de despedida do ponto de apoio Zé
Olinta. O plano seria ir até a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, passar
pelo mirante da parte alta e depois ir pra parte baixa, passando pelo mirante
da parte baixa e portaria do parque.
Pra ir na pauta alta, algumas
pessoas escondem a mochila na bifurcação que separa os dois trajetos e levam
somente o básico para parte alta. Até chegar essa bifurcação, saindo do Zé
Olinta, deu em torno de uns 2km. Preferi ir de mochila mesmo já que estávamos
num ritmo bom. Passamos uns 3 grupos que saíram na frente, mas todos com os
guias bem legais, o pessoal de lá é muito solicito com informações e trocas de
ideias: Tabuleiro Eco Aventuras, também outro guia do Eco vivência que faz o
Parna Cipó 360º, etc.
![]() |
| cachoeira no canion |
Logo veio um trecho de descida,
mas lembrando que voltaríamos por esse mesmo trecho pra enfim ir sentido
portaria. Então na volta seria subida. Na parte alta é preciso um pouco mais de
atenção, tanto quanto aos riscos de queda durante a navegação quantos aos risco
de tromba d’água em tempo de chuva, neste último caso é preciso abortar a
missão.
Já bem próximo do topo da queda
dá uma certa vertigem, então, mais uma vez, cuidado redobrado. Passamos ainda
por outro mirante que já está constando uma placa de risco de desmoronamento na
beira do mirante. Depois dessas visitas inebriantes, voltamos pra bifurcação
das mochilas e, adiante, rumo aos quilômetros finais da travessia, sem antes
passar pelo mirante parte baixa.
![]() |
| topo tabuleiro |
Foi show de bola essa experiência! Sem sombra de dúvidas essa travessia é uma experiência marcante para os amantes do ecoturismo e do trekking. Foram cerca de 35 a 36 km de extensão, atravessando campos rupestres, cânions, riachos e mirantes de grande beleza cênica, exigindo bom preparo físico devido aos trechos íngremes e à duração de dois dias de caminhada. E, por fim, terminando próximo à imponente Cachoeira do Tabuleiro, considerada uma das mais altas do país. Sem contar a oportunidade de conversar com outras pessoas que curtem o mesmo mundo trekking e de montanhas.
Pé de Natureza.
Final de ano de 2025, dia 29/12, parti da região rural de Várzea, que fica distante uns 17km do centro de Piatã, para a região da Guiné e, após umas dicas, decidi ir via Mucugê. No entanto, a estrada que peguei judiou um pouco do carro sedan normal que eu tava. Realmente uma estradinha bem ruim fez com que não compensasse os quilômetros ganhos de distância se comparado ao outro trajeto – que ia sentido Boninal. Pra quem quiser saber sobre a primeira parte da viagem pra Piatã, deixarei o link aqui: https://pedenatureza.blogspot.com/2026/07/chapada-diamantina-pico-do-barbado-e.html
Com uma trajeto desse não deu outra e meu pneu dianteiro
direito furou ou estourou, não sei. Pois ainda cheguei a rodar um pouco sem
perceber o que estava acontecendo, mas a direção puxando e o cheio de borracha
subindo fizeram com que eu parasse e observasse o ocorrido. Por bem dizer, não
faltava muito pra chegar, porém não era esperado que perder mais tempo pra
iniciar a trilha, até porque não tava contando com um locomoção tão lenta
devido às condições já mencionadas.
Troquei o pneu sob aquele sol rachando a cuca. Depois disso
fiquei até mais apreensivo porque nenhum pneu poderia mais furar, um lugar bem
remoto não teria uma borracharia tão acessível. Contudo, até a chegada ao estacionamento
Aleixo, nada mais ocorreu.
Logo quando cheguei, percebi uma placa informando que em
breve cobraria uma taxa pra estacionamento, não estava vigente nessa época e
com isso apenas deixei o carro, arrumei a mochila, conferi o mapa no celular e
comecei a caminhada. O plano era o seguinte: 2 pernoites acampado na Casa Agnaldo
e Miguel.
- 1° dia: Mirante Aleixo; Mirante Vale do Pati; Igrejinha;
Cachoeiras Lajeado, Funis, Bananeiras; Camping Agnaldo e Miguel. (10,5km);
- 2° dia: Morro do Castelo; Mirante Pati Baixo; Camping
Agnaldo e Miguel. (7km);
- 3° dia: Subida da Fenda; Mirante da Fenda; Mirante
Cachoeirão; Mirante Aleixo e Estacionamento Aleixo. (17km);
![]() |
| Mirante do Pati |
Dia 1
Por volta das 11h30, do dia 29/12, iniciei a trilha sob um
sol forte, ainda bem que eu estava com meu chapéu de palha pra salvar um pouco.
Eu olhava pra frente e via um paredão a ser vencido, praticamente logo de cara,
pra mostrar que o trekking do vale do pati não é só molezinha e visuais
esplendidos proporcionados pelos chapadões da natureza. Era uma segunda-feira e
já havia alguns grupos mais pra frente e outros que iriam começar ainda, só
estavam numa resenha lá no estacionamento. Como eu estava sozinho já fui no meu
ritmo sem tantas paradas de início, isso até chegar na metade da subida, aí sim
senti um pouco o calor, a mochila e as pernas rs. Sem crise, num ritmo mais de
boa, logo cheguei no Mirante dos Aleixos, somos agraciados até com um abrigo
natural das rochas. Lá, uma trilheira estava passando mal e seu guia a ajudou.
Ofereci uma banana que minha mãe fez questão que eu levasse, mas não era caso
de câimbra e eles agradeceram.
Até aqui foi rodado apenas 1,5km, enquanto uma galera fazia sua pausa ali, eu segui. Agora o cenário era mais plano e já podia avistar três morros imponentes bem mais ao fundo. Sim, um trecho bem agradável até a chegada do Rio Preto, onde abasteci de água usando clorin. Aproveitei e perguntei pra um guia se estavam bebendo dessa água normal, daí ele me disse que pra ele era de boa, mas que alguns clientes já passaram mal por não ter o costume. Enfim, eu também não tive problemas. Nessa travessia do rio é possível fazer a pausa pra banhos e uma galera fazia isso também. Eu segui!
![]() |
| vista da subida do Aleixo |
Com uns 5km, desde o início, cheguei no Mirante do Pati. Um cenário incrível aquilo ali, coisa de outro mundo que custei a acreditar em tamanha beleza. Isso só faz reforçar que estar ali valeu muito a pena. E revigora pra continuar a caminhada, agora enfrentar uma íngreme descida. Após, segui à esquerda, que é o caminho que contorna o morro e passa pela igrejinha e pelas cachoeiras. Se eu seguisse a trilha reta, daria no Morro do Cruzeiro.
Mais 1,5km desde o Mirante, ou seja, 6,5 desde o início,
cheguei na Igrejinha e logo reabasteci a garrafa de água, pra mim é bom sempre
andar com muita água porque no calor eu consumo bastante. Percebi que tinha uma
galera montando acampamento, mas o ideal ali é para se hospedar nos quartos. Inclusive
depois encontrei com essa galera que lá acampou e disseram mesmo não ser
estruturado pra camping.
![]() |
| Altina |
Mais uns 500 metros passo por um cemitério, pra mais adiante
chegar a primeira cachoeira do dia, no meu mapa diz Cachoeira da Altina. Digo
isso porque analisei outros mapa e continha outro nome, mas, enfim, lá foi onde
tomei aquele banho refrescante e merecido. Sensacional! Aquela pausa pra
contemplação e lanches.
Continuei meio que uma trilha ao lado do leito do rio, até
interceptar a trilha pra chegada na Cachoeira dos Funis, esta com uma
característica já diferente da anterior, pois possui um belo poço é mais
estreita e fechada. Como já havia me banhado, só fiz uma breve pausa. A trilha
continua na outra margem do rio e em pouco tempo – bem de boa – cheguei na
Cachoeira das Bananeiras. Tinha um grupo lá, inclusive reconheci um guia que
era de sp, mas eu segui já na vontade chegar ao Abrigo Agnaldo e Miguel.
![]() |
| Cachoeira dos Funis |
No caso minha preocupação era quanto à refeição, porque eu
não agendei nada! Como minha viagem eu mesclava os compromissos com minha mãe
em leva-la pra visitar as pessoas e das minhas aventuras trilheiras, ficou
difícil pra eu cravar a data que realmente eu iria fazer essa travessia. Vide
que a primeira parte da viagem, relatada no post anterior, eu fazia mais uns
bate e volta, como escape.
Sei que com uns 10km desde o início eu cheguei na Pousada
Agnaldo e Miguel. De fato eu não teria janta naquele dia, mas tinham outras opções
pra comer algo. Assim sendo, montei minha barraca, relaxei e fui pro banho. Se
eu não me engano os chuveiros são frios, não são energizados. Eu mesmo que não
tomaria banho quente num dia de calor daquele. O valor do camping nesta data
foi de R$60,00 e a janta é o mesmo valor. Além de deliciosos pasteis, eles
vendem refrigerantes e cervejas. Tomei algumas latinhas pra relaxar junto com
pastéis. A cerveja sai mais cara devido ao trabalho de se chegar até lá.
Lembrem-se que é uma acomodação bem remota, não se chega veículo motorizado com
facilidade. Agora tem a opção de camas em quartos compartilhados e acredito que
um quarto individual, daí é preciso checar e fazer reservas. A energia chega
através de placas solares.
![]() |
| Bananeiras |
Dia 2
Acordei bem cedo, rodeado pelas montanhas e aquela neblina
costumeira de uma manhã em meio à serra. Esperei o café da manhã, farto por
demais, já pra dar energia pra trilha do dia: Morro do Castelo.
O Morro do Castelo é o ponto culminante do Vale do Pati, pra
alcança-lo é necessário fazer uma trilha íngreme e irregular, porém bem batida,
sem tantas dificuldades de navegação – nesse dia seria um bate e volta até a
pousada (mochila de ataque). Logo nos primeiros quilômetros tem um ponto de
água que achei impressionante, água geladinha e limpa. Na volta foi a salvação,
pois eu estava com sede já.
Já quase no topo tem uma gruta, que estava interditada e por
isso não acessei, mas vi algumas pessoas que acessaram. Deviam estar sendo
guiados por guias de fora da região, ou de cidades adjacentes. Enfim, pela
preservação e pelo risco de dano, eu preferi não ir e seguir na trilha mais
recente pra evitar a gruta.
![]() |
| Mirante Pati Baixo |
Ainda sem nenhum visual, visitei o Mirante do Pati de Baixo.
Lá aguardei o tempo abrir e assim se fez. Mais um espetáculo na Chapada
Diamantina. Adiante, aí sim, fui pra outra parte do Morro do Castelo, tempo já
aberto também. Um visual de 360º podendo ver várias regiões, a Cachoeira do
Calixto – que eu não iria visitar nessa ocasião.
A volta foi tranquila e à noite teria a tão esperada janta,
que de fato me surpreendeu. Comida local sem frescuras e em grande quantidade.
O tempero maravilhoso e na hora lembrei da minha mãe e minhas tias, pois muitas
coisas eu já tinha o costume de comer. Feijão Andu, Arroz Vermelho, Palma,
Abobora com quiabo, vixi – muita coisa. Um caldo/creme de ervilha saboroso pra
opção de proteína sem origem animal. Incrível! Imagino pros gringos como deve
ser essa experiência de alimentação, de muito valor!
Por fim, foi só dormir, sem antes pegar o celular que estava
carregando, mas a carga foi lenta. Sorte que eu tava com o power bank – é
necessário esse item pra quem tiver acompanhando o mapa pelo celular durante os
3 dias.
![]() |
| visual no Castelo |
Dia 3
É dia 31/12, véspera de ano novo, todo mundo combinando onde
passar o réveillon, alguns falavam de algum forró pelo Pati, outros em fogueira
e luar, enfim, no meu caso seria o dia da volta, fechar o circuito de volta pro
Aleixo passando pelo Mirante do Cachoeirão, mas sem antes vencer a subida da
Fenda. A questão é que esse dia já seria trilha com cargueira mesmo.
Desmontei a barraca e arrumei a mochila. Tomei mais um café
da manhã reforçado, acertei as contas e parti. Este é o dia derradeiro e onde
mais se caminha, serão mais de 16km. A trilha segue de boa, passei pela Pousada
da Léia, depois da Dona Raquel e, ao avistar a Pousada do Zé Preto, virei à
direita rumo à ascensão até a Fenda. Essa subida eu sabia que seria braba. Não
foi pra menos. Nesse dia eu segui praticamente sozinho, pois não era o plano de
ninguém deixar o Pati no dia da virada do ano. Depois de uns 2km de subida árdua, cheguei no
Mirante da Fenda e me aloquei numa espécie de abrigo, ali com cuidado fui
caminhando. Em seguida veio a subida final da Fenda, neste local a trilha deu
uma confundida, mas seguindo a direção do tracklog ajuda demais a se orientar.
Aqui já passei a racionar mais a água já que na subida eu
bebi bastante. Impressionante que, além da beleza cênica, os tipos de trilha
são variados. Até aqui já passei por morros íngremes, por leito de rio, por
rochas, por areias, por lugares mais planos dos gerais, perto de gruta, cumes,
vales, etc. É demais, um sonho sendo realizado, um desejo de anos atrás que
parecia distante, mas que nessa ocasião se fez real.
![]() |
| chegando na Fenda |
Esse dia, uma caminhada mais longa, fui na cautela até
chegar o Cachoeirão. Um espetáculo novamente. No caso eu não consegui ver a
queda nitidamente, pois, pelo horário, estava sombreado o local da cachoeira.
Mas o mirante é magnifico, não tinha ninguém também quando cheguei, não pude
tirar aquela foto que o pessoal se arrisca mais rs. Apesar de que nem é muito
meu perfil me arriscar por uma foto, mas ter uma fotinha dali seria loko
demais.
O sol estralava, água já no limite. O próximo ponto de
abastecimento hídrico estava por chegar. A caminhada continuava sentido o
Mirante Aleixo, tinha chão ainda. Cruzei o Rio Preto novamente e lá fiz uma
pausa.
Só sei que no fim da tarde eu cheguei no estacionamento e fu
direto na vendinha que estava aberta, na verdade quase pra fechar! Dei sorte e
pedi um refri e uma cerveja pra comemorar. Utilizei o wifi do local pra pagar
no pix e já carreguei o caminho de volta pra Piatã. Decidido a não fazer o
mesmo trajeto da ida. Foi aí que o rapaz do estacionamento me indicou o melhor
caminho e, como ele já estava fechando, disse pra segui-lo que ele ia mostrar
os caminhos até ele chegar na casa dele e de lá eu poderia seguir numa boa que
iria dar na estrada rumo à Boninal.
![]() |
| Mirante Cachoeirão |
Dito e feito, segui sua moto por umas estradas de chão batido, mas bem transitável, esse rapaz foi super gente boa, ainda convidou pra fazer uma pausa lá com seu pessoal, já era clima de ano novo, mas eu disse que ainda ia encontrar minha mãe e minha tia lá em Piatã. Já em Boninal eu abasteci de combustível – que tava na reserva já. Nenhum pneu a mais furado. A única questão é que cheguei bem cansado na roça onde estava hospedado. Tomei uma ducha rápida e ainda tive que levar minha mãe lá pra cidade, pra ver os fogos da virada em Piatã. Contudo eu nem aproveitei, nem do carro eu sai. Infelizmente no dia seguinte tivemos a notícia do falecimento de minha querida tia Bela, em sp. Mantivemos a volta pro dia 4, pois não daria pra voltar pra sp tão rápido assim. Também não dei continuidade em outros roteiros que tinha no pente, fica pra uma próxima! O misto de sentimento tava instaurado, não poderíamos nos despedir da minha tia, a mais grudada com minha mãe e a que muito conversava comigo. Dias antes eu havia visitado, pela primeira vez adulto, o local onde elas nasceram e cresceram – uma casa já sem telhas, na roça, cercada pelas montanhas. As memórias permanecerão!
Pé de Natureza!
Pico do Barbado e Cachoeiras na região de Piatã – BA (Chapada Diamantina)
Vou relatar a seguir uma parte da viagem que fiz para a
Bahia, mais especificamente pra Piatã, na região da Chapada Diamantina. Fui com
minha mãe e viajamos de carro justamente pra ter uma autonomia maior, apesar de
ser cansativo pegar estrada por 2 dias diretos, enfrentando sol e chuva; por
vez até um certo trânsito. Mas, por fim, valeu a pena demais.
Fomos no final de ano, tive 15 dias de recesso do trabalho e
por isso era hora de colocar o plano em ação. No caso minha mãe é nascida em
Piatã e por muitos anos não havia mais visitado o local. Então, se da minha
parte eu iria curtir um pouco de aventura nas trilhas, pudemos também rememorar
histórias de parentes em visitas e conversas.
Pode-se dizer que esses atrativos que relatarei aqui não são os mais visitados em termos turísticos de Chapada Diamantina, mas ainda assim são belos roteiros pra se fazer.
![]() |
| Do Pico do Barbado - BA |
Dia 23/12/2025 – Cachoeira do Cochó e Cachoeira do Patrício
(de carro)
Dia 24/12/2025 – Trilha para o Pico do Barbado (bate e
volta)
Dia 25/12/2025 – Trilha para a Cachoeira do Michilânia
Só no dia 22/12 que chegamos no centro de Piatã. No primeiro
dia de viagem pegamos trânsito parado (completamente parado) em dois trechos da
Fernão Dias, um na chegada de Extrema e outro já perto de Três Corações – MG.
Ambos foi devido a acidentes e com o volume alto de carro, deu no nisso: horas
de atraso. Com isso o plano inicial já foi alterado. Se no primeiro dia eu
queria ter chagado até Montes Claros, no máximo que deu foi um pouco depois de
BH, Contagem eu acho.
Decidimos que não compensava parar em pousada ou hotel após
esse atraso, então o jeito foi procurar um posto pra fazer uma pausa e acordar
bem cedo e seguir viagem no intuito de descontar o tempo não rodado no
primeiro. No segundo dia preferimos parar perto de Monte Azul, ainda estaríamos
há 5 horas de Piatã. Um ponto bom é que as estradas não eram ruins, eu
imaginava que seria uma viagem muito cadenciada, mas não foi. Mesmo que ao
cruzar a fronteira de MG/BA a pista era de uma mão, então eu deveria fazer
ultrapassagens de ônibus e caminhões. Enfim, tudo correu bem tranquilo.
Destaque imenso pra serra do espinhado em boa parte da viagem, algumas
montanhas inclusive já pesquisei pois um dia quem sabe – Serra Nova, Serra
Talhada, etc.
Assim sendo, no dia 23/12 eu já estava partindo pra um rolê de cachoeiras, só pra aquecer rs. Com isso, de carro mesmo, decidi ir pra Cachoeira do Cochó e depois pra Cachoeira do Patrício.
![]() |
| Cochó |
Cachoeira do Cochó
Visitar a Cachoeira do Cochó foi uma experiência marcada
pelo contato direto com a natureza e pela tranquilidade do ambiente. Pois cercada
por belas paisagens, forma um cenário ideal para relaxar, apreciar as águas
cristalinas e contemplar a vegetação da região. O som da queda d'água, aliado à
atmosfera acolhedora do local, proporcionou aquele tão esperado momento de
descanso, aventura e conexão com as riquezas naturais baianas.
Saindo do centro de Piatã, peguei a BR148 sentido Boninal e
depois de uns 9km acessei uma estrada à esquerda, a BA560. Nessa rodovia
percorri mais 5km e acessei à direita, já numa estrada de chão batido. Dali foi
só seguir mais alguns quilômetros. A dica aqui é colocar o roteiro no google
maps que segue direitinho, ou usar o próprio wikiloc, vou deixar o link do que
eu gravei. No mais, desconheço transporte público para a região. Enfim, partindo
do centro de Piatã são 10 km de asfalto e 14 km de estrada de terra.
É possível nadar tranquilamente na Cachoeira do Cochó, pois além de possuir uma bela queda d’água de uns 12 metros de altura e águas cristalinas, tem um poço rodeado por uma prainha de areias claras. Nessa visita estava bem vazia, mas nos finais de semana costuma lotar e alterar um pouco a coloração da água. Como dito, seu acesso de carro é feito por uma estrada de terra em boas condições e depois é só seguir por uma trilha curta, sem desnível e de fácil acesso. Com isso, é muito prático de se visitar. Não há cobrança de taxa, apesar de estar localizada numa propriedade particular. Também não visualizei nenhum serviço de bar/lanchonete/mercado no local. Leve seus lanches.
![]() |
| Patrício |
Cachoeira do Patrício
A Cachoeira do Patrício destaca-se por sua beleza cênica,
águas cristalinas e ambiente preservado. Sua fauna diversificada inclui aves,
pequenos mamíferos e outros animais típicos da Chapada Diamantina, tornando a
visita uma excelente oportunidade de contato com a natureza. Com uns 30 metros
de altura, a cachoeira está cercada por matas ciliares e paredões rochosos. Essa
tem uma trilha pra se chegar, nada muito extenso, mas não chega a ser tão
prático e curta como chegar na cachoeira do cochó. Possui um poço também e
possível sentir a águas descendo forte pra um banho gelado e revigorante. Coo
eu já havia me banhado na cochó, nessa eu fiquei pra contemplação.
Se utilizar como referência o centro de Piatã são 10km de
asfalto e 12 km de estrada de terra. Mas como eu emendei a partir do Cochó,
então a dica é seguir o wikiloc que gravei ou colocar no próprio google maps. É
de boa!
É possível e muito bom – pena que não deu tempo nesse dia – ir pra outras quedas mais abaixo, Da lua e também das Escadas. Eu tinha olhado pelo mapa, mas nessa ocasião não deu.
![]() |
| visual do barbado |
![]() |
| Barbado |
Pico do Barbado – dia
24/12/25
É cume mais alto da região Nordeste do Brasil. Parti de
Vargem, Piatã - Bahia. Com isso, fui de carro até o Mirante Catolés de Cima,
onde se iniciou a caminhada...
Saí da roça e fui pra cidade em Piatã e de lá joguei no mapa
google pra chegar até o mirante Catolés. O trecho na rodovia 148 foi asfaltado
em boas condições, depois, ao virar à direita, no portal de Ouro Verde, que
indica a direção do Pico do Barbado, daí a estrada fica de chão batido, o pó da
estrada rs.
Passei por alguns vilarejos, lugares agradáveis por demais
até chegar no Mirante Catolés de Cima, a estrutura me surpreendeu, tinha
banheiros, banquinhos e até wifi livre pra poder carregar o mapa da trilha numa
boa. Entrada gratuita!
Agora sobre a viagem até lá eu deveria ter saido mais cedo
da roça, pois a intenção era subir o Barbado e logo depois o Pico do Elefante,
de acordo com o tracklog que baixei, mas enfim...fiz o Barbado e fiquei super
contente.
A trilha é só subida mesmo, e com a temperatura mais quente,
pra mim foi uma subida cautelosa, lenta e com várias paradas, no km final da
subida se dá uma sequência de escalaminhada, não teve perigo momento algum, foi
só ter paciência e ir apreciando o lugar. (E claro: prestar atenção nos totens
e no mapa que estiver seguindo).
Levei 3 litros de água e assim não precisei abastecer no
trajeto. (Talvez seja preciso usar clorin nos pontos de água, existem animais
pastando na trilha).
Nesta data não tinha ninguém na trilha, só na volta, já no
meio da descida, que um trilheiro passou por mim indo acampar no pico, era
véspera do natal.
O visual é magnifico, 360° só de montanhas ao redor, pena
que conheço pouco a região da Chapada Diamantina, eis o primeiro contato, mas
acredito ter reconhecido a Serra da Tromba rs.
Obs: Tem um livro de registro meio que camuflado na parte de
baixo da rocha marcada de cume.
Em suma, “a visita ao Pico do Barbado, na Chapada
Diamantina, proporciona uma experiência única de contato com a natureza e
superação pessoal. Com 2.033 metros de altitude, é o ponto mais alto da Bahia e
de todo o Nordeste brasileiro. A trilha até o cume revela paisagens
deslumbrantes, campos de altitude, formações rochosas e vistas panorâmicas que
recompensam o esforço da caminhada, tornando o passeio inesquecível para os
amantes do ecoturismo e do montanhismo.”
Cachoeira do Michilânia – 25/12/25
Cachoeira da Michilania, Ouro Verde, Bahia.
Ouro Verde é um povoado situado no município de Abaíra, na
região da Chapada Diamantina, tendo a Serra da Tromba como vizinha. Fica também
no caminho pra quem vai pra Catolés e pro Pico do Barbado. Então pra se chegar
lá usei a mesma entrada na BA148 da vez que fui pro Pico do Barbado.
Partindo de Piatã, joguei no google maps: "Cachoeira da
Michilania" e então fui de carro até uma barragem/ponte na comunidade do
funil, uns 4km antes da cachoeira, a partir de então fui a pé.
A entrada é gratuita e a trilha é fácil e agradável. Algumas
poucas bifurcações que, se seguindo um mapa, não tem erro. Por vezes é possível
ver o rio no lado direito e passar por alguns pouco moradores.
Todo o ambiente e o visual ao redor é sensacional e após 1
hora de caminhada suave chega-se nas areias da Cachoeira da Michilania. Isso
mesmo, há um bom trecho na base da cachoeira com aquelas areias de praia, e um
amplo espaço para acampamentos, descanso e picnics.
É possível nadar no seu poço, mas pra quem não sabe nadar ou
não tem tanta confiança, tem uma queda bem relaxante bem na ponta esquerda, pra
quem olha de frente.
Enfim, mais um lugar incrível na parte ainda menos visitada
da Chapada Diamantina.
- trilheiro: Fuca
- leve água e um lanche leve de trilha.
- use calcados fechados na caminhada.
- não deixe lixo no local nem no caminho (lá estava tudo bem
limpo)
- respeite os moradores locais.
- boa parte da estrada é de terra (o pó da estrada) e fui de
carro sedan compacto, algum trecho foi preciso ir mais devagar, com atenção
devido a buracos.
- o lugar que estacionei o carro não tive problemas, região tranquila.
Conclusão
Eis aí o que considero a primeira parte dessa visita
aventureira pela Chapada Diamantina. É também minha primeira caminhada pelo
nordeste. Nesse contexto, como dito no início, eu visitei parentes e conhecidos
da minha mãe e o pessoal de Piatã foi muito receptivo, incrível demais. No
próximo capítulo relatarei a parte derradeira, em termos de trilha, dessa
viagem. Fiz o Vale do Pati em 3 dias, uns dos maiores desafios da minha vida.
Péde natureza! TMJ.
![]() |
| Queda Patrício |
![]() |
| Estrada na volta |
| Cachoeira do Mandembe I - Luminárias - MG |
| Rua Prefeito Antônio Furtado |
| tomei à esquerda |
| esquerda novamente |
| outra esquerda |
| seguir direto! |
| tinha uma cobra no caminho |
| Cachoeira Mandembe, direita da ponte |
| placa da entrada |
| Cachoeira Pedra Furada, Panorama das quedas! |
| festas tradicionais e natureza |
| chegando estrada de terra |
| seguir pra direita |
| agora pra esquerda |
| seguir esquerda, falta 3km |
| à esquerda, já tá chegando |
| cheguei |
| as quedinhas de perto |
| Pedra Furada |
| outro ângulo do poço |
| o furo na parte de cima |