A Travessia Lapinha x Tabuleiro em MG é um dos trekkings mais clássicos do Brasil e cruza a Serra do Espinhaço numa extensão de aproximados 36 km. (Sem o Pico do Breu).
Essa rota liga o vilarejo de
Lapinha da Serra, que pertence a Santana do Riacho, à portaria do Parque
Natural Municipal do Tabuleiro, já em Conceição do Mato Dentro.
O trajeto tem um visual dos
gerais bem deslumbrante e finaliza na icônica Cachoeira do Tabuleiro (a maior
de Minas Gerais, com 273 metros de queda).
- Trilha de nível fácil
orientação/técnica, mas pela exigência física vai de moderado a difícil.
- Trilha possui bons pontos de
água e exposição ao sol.
Segue o tracklog que gravei:
https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/travessia-lapinha-x-tabuleiro-mg-2-dias-fev-26-250740192
Relato:
Determinado a realizar essa
notável travessia, logo pesquisei sobre a logística que seria aplicada.
Basicamente me deslocaria de ônibus até Santana do Riacho e então pagaria algum
transporte até a Lapinha da Serra ou iria na caminhada por uns 12km – inclusive
deixei o wikiloc do trajeto já baixado no aplicativo. Esta última opção apenas se
nada mais desse certo. Já pra volta eu teria que embarcar num ônibus de
Conceição do Mato Dentro, mas sem antes conseguir um transfer até a rodoviária
desde a portaria do Parque Natural Municipal do Tabuleiro – que fica no final
da travessia.
Da rodoviária do Tietê, em SP,
segui rumo a Belo Horizonte, num feriado prolongado de carnaval. O plano era
chegar no sábado pela manhã na rodoviária de BH a tempo de embarcar no próximo
ônibus, que sairia às 07h30, rumo a Santana do Riacho. Acontece que por poucos
minutos não foi possível ir nesse horário, daí tive que esperar até à tarde. A
única opção seria às 15h00, uma passagem que custava em torno de R$60,00 pela
Saritur. Como eu estava sozinho decidi não procurar outra opção, pois
certamente sairia mais caro. Além do mais, esse dia seria reservado para
deslocamentos mesmo e já com um plano de acampar em Lapinha da Serra uma noite.
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| Lapinha da trilha |
O trajeto durou mais de 3 horas,
com um caminho bonito e passando pela Serra do Cipó. Fato é que cheguei e
Santana do Riacho já estava escuro. O motorista perguntou quem iria descer lá
na praça, que é o final da linha. Nessa eu já fui pros assentos da frente e
tinha um casal lá, perguntei se iriam pra Lapinha e disseram que sim.
Ofereci-me pra repartir o valor se caso tivesse vaga e disseram ok. Pessoal
gente boa. Assim estava garantida a minha ida, sem precisar ir a pé na noite
escura.
Esse trecho foi no modo emoção, o
motorista colocou o uno pra jogo na estrada de chão batido, enquanto falava um
pouco sobre Lapinha da Serra e sobre a abertura daquela estrada. Rapidamente chegamos
à vila, e assim me pus a ir pro Camping Central, onde eu passaria a noite por
R$60,00. Montei a barraca eu fui atrás de um lugar pra tomar uma breja e a vila
tava numa vibe boa. Não estiquei muito, pois teria que acordar cedo no dia
seguinte.
Dia 1
Iniciei a caminhada no dia 15/02/26,
às 07h, tomei um café da manhã reforçado na padaria. O tempo estava aberto, céu
limpo, nesse começo do dia. Logo cheguei num ponto que teria que atravessar um
trecho alagado, perto da barragem. Como eu não queria molhar o tênis, tirei e
atravessei. Nesse momento passou por mim outro trilheiro e durante todo o
percurso nos encontramos algumas vezes nas paradas pra descanso de cada um.
Acho que nos cruzamos pelo menos 2 vezes depois.
É importante carregar um mapa pra
fazer essa travessia, pois existem algumas bifurcações pra outras travessias ou
outros atrativos na região, as opções são muitas, uma região muita rica para os
amantes de caminhadas na natureza, faz parte da chamada cordilheira do
espinhaço. O nome Espinhaço vem do aspecto da cadeia montanhosa, que lembra uma
"espinha dorsal" atravessando parte do território brasileiro. Em
resumo, a Cordilheira do Espinhaço é uma longa cadeia de montanhas que
atravessa Minas Gerais e Bahia, destacando-se pela riqueza geológica, pelas
nascentes de rios e pela impressionante biodiversidade.
Existem também, nessa trilha,
muitas porteiras ao longo do trajeto, me parece que indicam que há vários proprietários
particular e trechos de parque propriamente dito. Acho que há uma transição com
relação a isso, ou não.
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| vista p/ Ana Benta |
Adiante, a caminhada fica
tranquila, sem muitos aclives ou declives acentuados, lembrando que não subi o
pico do breu. Com uns 7km desde o início, fiz outra pausa num ponto de água. A
seguir veio a Prainha Ana benta e depois a pousada Ana Benta/Lucas. Eu só
passei pela porteira desse estabelecimento que é histórico para a consolidação
dessa travessia. A partir de agora vem um trecho de subida e quando já passados
os 15km de caminhada eu cheguei no ponto de apoio Chico Lages/Celi. Lá faço uma
pausa, bebo uma cerveja, como um queijinho, troco uma prosa e sigo a caminhada,
pois faltam apenas uns 3km pra se chegar no ponto de apoio Zé de Olinta. Quando
chego no Zé de Olinta já vou logo montar a barraca, o espaço de camping é um
pouco mais abaixo do ponto de apoio. Reservei minha janta e fui pro banho. Depois
encontrei o Augusto do RJ, o trilheiro que eu tinha trombado na trilha e gente
boa demais, ele utilizou a mesma parada como base. Trocamos uma ideia sobre o
trajeto do dia seguinte e combinamos de trilhar juntos a segunda parte da
travessia. Então, com isso, faríamos em 2 dias. E eu como tava com essa parte
do roteiro em aberto, declinei em fazer em 3 dias e foi a melhor opção mesmo.
Já que Augusto tinha um resgaste combinado lá na portaria do parque.
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| vista camping Olinta |
Não tivemos um nascer do sol
devido à neblina, mas o dia não prometia chuvas. Deitei mais um pouco
aguardando o café da manhã, porém devia acordar um pouco mais cedo para ajeitar
tudo e depois partir, pois esse dia seria de despedida do ponto de apoio Zé
Olinta. O plano seria ir até a parte alta da Cachoeira do Tabuleiro, passar
pelo mirante da parte alta e depois ir pra parte baixa, passando pelo mirante
da parte baixa e portaria do parque.
Pra ir na pauta alta, algumas
pessoas escondem a mochila na bifurcação que separa os dois trajetos e levam
somente o básico para parte alta. Até chegar essa bifurcação, saindo do Zé
Olinta, deu em torno de uns 2km. Preferi ir de mochila mesmo já que estávamos
num ritmo bom. Passamos uns 3 grupos que saíram na frente, mas todos com os
guias bem legais, o pessoal de lá é muito solicito com informações e trocas de
ideias: Tabuleiro Eco Aventuras, também outro guia do Eco vivência que faz o
Parna Cipó 360º, etc.
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| cachoeira no canion |
Logo veio um trecho de descida,
mas lembrando que voltaríamos por esse mesmo trecho pra enfim ir sentido
portaria. Então na volta seria subida. Na parte alta é preciso um pouco mais de
atenção, tanto quanto aos riscos de queda durante a navegação quantos aos risco
de tromba d’água em tempo de chuva, neste último caso é preciso abortar a
missão.
Já bem próximo do topo da queda
dá uma certa vertigem, então, mais uma vez, cuidado redobrado. Passamos ainda
por outro mirante que já está constando uma placa de risco de desmoronamento na
beira do mirante. Depois dessas visitas inebriantes, voltamos pra bifurcação
das mochilas e, adiante, rumo aos quilômetros finais da travessia, sem antes
passar pelo mirante parte baixa.
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| topo tabuleiro |
Foi show de bola essa experiência! Sem sombra de dúvidas essa travessia é uma experiência marcante para os amantes do ecoturismo e do trekking. Foram cerca de 35 a 36 km de extensão, atravessando campos rupestres, cânions, riachos e mirantes de grande beleza cênica, exigindo bom preparo físico devido aos trechos íngremes e à duração de dois dias de caminhada. E, por fim, terminando próximo à imponente Cachoeira do Tabuleiro, considerada uma das mais altas do país. Sem contar a oportunidade de conversar com outras pessoas que curtem o mesmo mundo trekking e de montanhas.
Pé de Natureza.








