Final de ano de 2025, dia 29/12, parti da região rural de Várzea, que fica distante uns 17km do centro de Piatã, para a região da Guiné e, após umas dicas, decidi ir via Mucugê. No entanto, a estrada que peguei judiou um pouco do carro sedan normal que eu tava. Realmente uma estradinha bem ruim fez com que não compensasse os quilômetros ganhos de distância se comparado ao outro trajeto – que ia sentido Boninal. Pra quem quiser saber sobre a primeira parte da viagem pra Piatã, deixarei o link aqui: https://pedenatureza.blogspot.com/2026/07/chapada-diamantina-pico-do-barbado-e.html
Com uma trajeto desse não deu outra e meu pneu dianteiro
direito furou ou estourou, não sei. Pois ainda cheguei a rodar um pouco sem
perceber o que estava acontecendo, mas a direção puxando e o cheio de borracha
subindo fizeram com que eu parasse e observasse o ocorrido. Por bem dizer, não
faltava muito pra chegar, porém não era esperado que perder mais tempo pra
iniciar a trilha, até porque não tava contando com um locomoção tão lenta
devido às condições já mencionadas.
Troquei o pneu sob aquele sol rachando a cuca. Depois disso
fiquei até mais apreensivo porque nenhum pneu poderia mais furar, um lugar bem
remoto não teria uma borracharia tão acessível. Contudo, até a chegada ao estacionamento
Aleixo, nada mais ocorreu.
Logo quando cheguei, percebi uma placa informando que em
breve cobraria uma taxa pra estacionamento, não estava vigente nessa época e
com isso apenas deixei o carro, arrumei a mochila, conferi o mapa no celular e
comecei a caminhada. O plano era o seguinte: 2 pernoites acampado na Casa Agnaldo
e Miguel.
- 1° dia: Mirante Aleixo; Mirante Vale do Pati; Igrejinha;
Cachoeiras Lajeado, Funis, Bananeiras; Camping Agnaldo e Miguel. (10,5km);
- 2° dia: Morro do Castelo; Mirante Pati Baixo; Camping
Agnaldo e Miguel. (7km);
- 3° dia: Subida da Fenda; Mirante da Fenda; Mirante
Cachoeirão; Mirante Aleixo e Estacionamento Aleixo. (17km);
Dia 1
Por volta das 11h30, do dia 29/12, iniciei a trilha sob um
sol forte, ainda bem que eu estava com meu chapéu de palha pra salvar um pouco.
Eu olhava pra frente e via um paredão a ser vencido, praticamente logo de cara,
pra mostrar que o trekking do vale do pati não é só molezinha e visuais
esplendidos proporcionados pelos chapadões da natureza. Era uma segunda-feira e
já havia alguns grupos mais pra frente e outros que iriam começar ainda, só
estavam numa resenha lá no estacionamento. Como eu estava sozinho já fui no meu
ritmo sem tantas paradas de início, isso até chegar na metade da subida, aí sim
senti um pouco o calor, a mochila e as pernas rs. Sem crise, num ritmo mais de
boa, logo cheguei no Mirante dos Aleixos, somos agraciados até com um abrigo
natural das rochas. Lá, uma trilheira estava passando mal e seu guia a ajudou.
Ofereci uma banana que minha mãe fez questão que eu levasse, mas não era caso
de câimbra e eles agradeceram.
Até aqui foi rodado apenas 1,5km, enquanto uma galera fazia sua pausa ali, eu segui. Agora o cenário era mais plano e já podia avistar três morros imponentes bem mais ao fundo. Sim, um trecho bem agradável até a chegada do Rio Preto, onde abasteci de água usando clorin. Aproveitei e perguntei pra um guia se estavam bebendo dessa água normal, daí ele me disse que pra ele era de boa, mas que alguns clientes já passaram mal por não ter o costume. Enfim, eu também não tive problemas. Nessa travessia do rio é possível fazer a pausa pra banhos e uma galera fazia isso também. Eu segui!
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| vista da subida do Aleixo |
Com uns 5km, desde o início, cheguei no Mirante do Pati. Um cenário incrível aquilo ali, coisa de outro mundo que custei a acreditar em tamanha beleza. Isso só faz reforçar que estar ali valeu muito a pena. E revigora pra continuar a caminhada, agora enfrentar uma íngreme descida. Após, segui à esquerda, que é o caminho que contorna o morro e passa pela igrejinha e pelas cachoeiras. Se eu seguisse a trilha reta, daria no Morro do Cruzeiro.
Mais 1,5km desde o Mirante, ou seja, 6,5 desde o início,
cheguei na Igrejinha e logo reabasteci a garrafa de água, pra mim é bom sempre
andar com muita água porque no calor eu consumo bastante. Percebi que tinha uma
galera montando acampamento, mas o ideal ali é para se hospedar nos quartos. Inclusive
depois encontrei com essa galera que lá acampou e disseram mesmo não ser
estruturado pra camping.
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| Altina |
Mais uns 500 metros passo por um cemitério, pra mais adiante
chegar a primeira cachoeira do dia, no meu mapa diz Cachoeira da Altina. Digo
isso porque analisei outros mapa e continha outro nome, mas, enfim, lá foi onde
tomei aquele banho refrescante e merecido. Sensacional! Aquela pausa pra
contemplação e lanches.
Continuei meio que uma trilha ao lado do leito do rio, até
interceptar a trilha pra chegada na Cachoeira dos Funis, esta com uma
característica já diferente da anterior, pois possui um belo poço é mais
estreita e fechada. Como já havia me banhado, só fiz uma breve pausa. A trilha
continua na outra margem do rio e em pouco tempo – bem de boa – cheguei na
Cachoeira das Bananeiras. Tinha um grupo lá, inclusive reconheci um guia que
era de sp, mas eu segui já na vontade chegar ao Abrigo Agnaldo e Miguel.
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| Cachoeira dos Funis |
No caso minha preocupação era quanto à refeição, porque eu
não agendei nada! Como minha viagem eu mesclava os compromissos com minha mãe
em leva-la pra visitar as pessoas e das minhas aventuras trilheiras, ficou
difícil pra eu cravar a data que realmente eu iria fazer essa travessia. Vide
que a primeira parte da viagem, relatada no post anterior, eu fazia mais uns
bate e volta, como escape.
Sei que com uns 10km desde o início eu cheguei na Pousada
Agnaldo e Miguel. De fato eu não teria janta naquele dia, mas tinham outras opções
pra comer algo. Assim sendo, montei minha barraca, relaxei e fui pro banho. Se
eu não me engano os chuveiros são frios, não são energizados. Eu mesmo que não
tomaria banho quente num dia de calor daquele. O valor do camping nesta data
foi de R$60,00 e a janta é o mesmo valor. Além de deliciosos pasteis, eles
vendem refrigerantes e cervejas. Tomei algumas latinhas pra relaxar junto com
pastéis. A cerveja sai mais cara devido ao trabalho de se chegar até lá.
Lembrem-se que é uma acomodação bem remota, não se chega veículo motorizado com
facilidade. Agora tem a opção de camas em quartos compartilhados e acredito que
um quarto individual, daí é preciso checar e fazer reservas. A energia chega
através de placas solares.
Dia 2
Acordei bem cedo, rodeado pelas montanhas e aquela neblina
costumeira de uma manhã em meio à serra. Esperei o café da manhã, farto por
demais, já pra dar energia pra trilha do dia: Morro do Castelo.
O Morro do Castelo é o ponto culminante do Vale do Pati, pra
alcança-lo é necessário fazer uma trilha íngreme e irregular, porém bem batida,
sem tantas dificuldades de navegação – nesse dia seria um bate e volta até a
pousada (mochila de ataque). Logo nos primeiros quilômetros tem um ponto de
água que achei impressionante, água geladinha e limpa. Na volta foi a salvação,
pois eu estava com sede já.
Já quase no topo tem uma gruta, que estava interditada e por
isso não acessei, mas vi algumas pessoas que acessaram. Deviam estar sendo
guiados por guias de fora da região, ou de cidades adjacentes. Enfim, pela
preservação e pelo risco de dano, eu preferi não ir e seguir na trilha mais
recente pra evitar a gruta.
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| Mirante Pati Baixo |
Ainda sem nenhum visual, visitei o Mirante do Pati de Baixo.
Lá aguardei o tempo abrir e assim se fez. Mais um espetáculo na Chapada
Diamantina. Adiante, aí sim, fui pra outra parte do Morro do Castelo, tempo já
aberto também. Um visual de 360º podendo ver várias regiões, a Cachoeira do
Calixto – que eu não iria visitar nessa ocasião.
A volta foi tranquila e à noite teria a tão esperada janta,
que de fato me surpreendeu. Comida local sem frescuras e em grande quantidade.
O tempero maravilhoso e na hora lembrei da minha mãe e minhas tias, pois muitas
coisas eu já tinha o costume de comer. Feijão Andu, Arroz Vermelho, Palma,
Abobora com quiabo, vixi – muita coisa. Um caldo/creme de ervilha saboroso pra
opção de proteína sem origem animal. Incrível! Imagino pros gringos como deve
ser essa experiência de alimentação, de muito valor!
Por fim, foi só dormir, sem antes pegar o celular que estava
carregando, mas a carga foi lenta. Sorte que eu tava com o power bank – é
necessário esse item pra quem tiver acompanhando o mapa pelo celular durante os
3 dias.
Dia 3
É dia 31/12, véspera de ano novo, todo mundo combinando onde
passar o réveillon, alguns falavam de algum forró pelo Pati, outros em fogueira
e luar, enfim, no meu caso seria o dia da volta, fechar o circuito de volta pro
Aleixo passando pelo Mirante do Cachoeirão, mas sem antes vencer a subida da
Fenda. A questão é que esse dia já seria trilha com cargueira mesmo.
Desmontei a barraca e arrumei a mochila. Tomei mais um café
da manhã reforçado, acertei as contas e parti. Este é o dia derradeiro e onde
mais se caminha, serão mais de 16km. A trilha segue de boa, passei pela Pousada
da Léia, depois da Dona Raquel e, ao avistar a Pousada do Zé Preto, virei à
direita rumo à ascensão até a Fenda. Essa subida eu sabia que seria braba. Não
foi pra menos. Nesse dia eu segui praticamente sozinho, pois não era o plano de
ninguém deixar o Pati no dia da virada do ano. Depois de uns 2km de subida árdua, cheguei no
Mirante da Fenda e me aloquei numa espécie de abrigo, ali com cuidado fui
caminhando. Em seguida veio a subida final da Fenda, neste local a trilha deu
uma confundida, mas seguindo a direção do tracklog ajuda demais a se orientar.
Aqui já passei a racionar mais a água já que na subida eu
bebi bastante. Impressionante que, além da beleza cênica, os tipos de trilha
são variados. Até aqui já passei por morros íngremes, por leito de rio, por
rochas, por areias, por lugares mais planos dos gerais, perto de gruta, cumes,
vales, etc. É demais, um sonho sendo realizado, um desejo de anos atrás que
parecia distante, mas que nessa ocasião se fez real.
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| chegando na Fenda |
Esse dia, uma caminhada mais longa, fui na cautela até
chegar o Cachoeirão. Um espetáculo novamente. No caso eu não consegui ver a
queda nitidamente, pois, pelo horário, estava sombreado o local da cachoeira.
Mas o mirante é magnifico, não tinha ninguém também quando cheguei, não pude
tirar aquela foto que o pessoal se arrisca mais rs. Apesar de que nem é muito
meu perfil me arriscar por uma foto, mas ter uma fotinha dali seria loko
demais.
O sol estralava, água já no limite. O próximo ponto de
abastecimento hídrico estava por chegar. A caminhada continuava sentido o
Mirante Aleixo, tinha chão ainda. Cruzei o Rio Preto novamente e lá fiz uma
pausa.
Só sei que no fim da tarde eu cheguei no estacionamento e fu
direto na vendinha que estava aberta, na verdade quase pra fechar! Dei sorte e
pedi um refri e uma cerveja pra comemorar. Utilizei o wifi do local pra pagar
no pix e já carreguei o caminho de volta pra Piatã. Decidido a não fazer o
mesmo trajeto da ida. Foi aí que o rapaz do estacionamento me indicou o melhor
caminho e, como ele já estava fechando, disse pra segui-lo que ele ia mostrar
os caminhos até ele chegar na casa dele e de lá eu poderia seguir numa boa que
iria dar na estrada rumo à Boninal.
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| Mirante Cachoeirão |
Dito e feito, segui sua moto por umas estradas de chão batido, mas bem transitável, esse rapaz foi super gente boa, ainda convidou pra fazer uma pausa lá com seu pessoal, já era clima de ano novo, mas eu disse que ainda ia encontrar minha mãe e minha tia lá em Piatã. Já em Boninal eu abasteci de combustível – que tava na reserva já. Nenhum pneu a mais furado. A única questão é que cheguei bem cansado na roça onde estava hospedado. Tomei uma ducha rápida e ainda tive que levar minha mãe lá pra cidade, pra ver os fogos da virada em Piatã. Contudo eu nem aproveitei, nem do carro eu sai. Infelizmente no dia seguinte tivemos a notícia do falecimento de minha querida tia Bela, em sp. Mantivemos a volta pro dia 4, pois não daria pra voltar pra sp tão rápido assim. Também não dei continuidade em outros roteiros que tinha no pente, fica pra uma próxima! O misto de sentimento tava instaurado, não poderíamos nos despedir da minha tia, a mais grudada com minha mãe e a que muito conversava comigo. Dias antes eu havia visitado, pela primeira vez adulto, o local onde elas nasceram e cresceram – uma casa já sem telhas, na roça, cercada pelas montanhas. As memórias permanecerão!
Pé de Natureza!









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