quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

6. Mochilão África do Sul / Zâmbia: Da Cidade do Cabo até Durban

Relato Parte 5: Rolê na Península do Cabo


Da Cidade do Cabo até Durban

Nesta parte do relato vou focar na minha ida a Durban. No dia 09 de julho completou meu quinto dia na Cidade do Cabo e eu tinha o ingresso da Ilha Robben que eu tanto queria visitar, mas nesse dia choveu, então o tour foi cancelado e me reembolsaram no cartão vtm. Era um domingo e eu andei pelo centro na intenção de fazer outra atividade, estava tudo vazio e ainda mais com chuva então decidi passear pela Long Street. Aqui vai um alerta acerca dessa rua nos domingos e a noite pois pode ser perigoso na questão de furtos ou roubos.

Mesmo sem programa eu pensei em sair pra beber, mas que logo decidi ficar mais tranquilo, almoçar bem e organizar os próximos passos do roteiro. Por bem dizer só fui tomar uma gelada lá em Zâmbia, mas é coisa pros próximos capítulos. 

No dia 10 de julho iniciou minha viagem de Bas Buz pela costa sul africana sentido Joanesburgo. Como peguei uma sequência de chuvas nas tardes e era inverno, decidi passar direto até Durban, eu poderia ter comprado uma passagem pela Intercape, no entanto eu havia fechado um pacote com Bas Buz e de certa forma eu iria percorrer a costa, só que apenas de passagem. E assim fiz, foram dois dias de viagem com uma pernoite em Port Elisabeth. Na verdade meu objetivo maior era a Cordilheira de Drakensberg, quase pensei em ir direto pra lá, mas passar um dia em Durban seria bom.

Em Port Elisabeth fiquei acomodado no Hostel Jikeleza e logo de manhã a Van passou novamente rumo a Durban, onde eu fiquei no Curiocity BackPackers, chequei a disponibilidade de camas já que eu não havia agendado, acertei por duas noites no curiocity. A estrutura do hostel é bem bacana, camas confortáveis, wifi nos quartos, tomada na cama, mini luminaria, etc. 

Um dia em Durban - 12/07/2017 - 8º dia

Depos de uma noite bem dormida, acordei umas 9h00, tomei café da manhã e parti rumo ao museu Kwa Muhle, isso já era bem umas 10h00. Caminhei até o museu, não durou nem 40 minutos do hostel. Assim como o Museu da Robben Island, esse me deixou bastante emocionado, acredito que até mais, pois me deparei com a história, imagens e depoimentos de Andrew Zondo*. Outra seção muito bem detalhada era a que tratava da história da lei do passe. Nesse museu tinha também uma sala dedicada a informações para conhecimento e preservação contra a AIDS e tuberculose também.

Logo depois do museu passei no prédio onde ocorreu a III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas em setembro de 2001, e contou com mais de 16 mil participantes de 173 países.

Após ter esse contato histórico fui passear pela cidade, andei até porto pelo calçadão e foi bem tranquilo. Procurei um lugar pra almoçar e segui sentido a South Beach. Cheguei na praia já de tarde e tinha uma movimentação razoável, tendo em vista que era meio de semana. Um ambiente bem legal, as pessoas se divertiam bastante e o interessante foi ver mais moradores locais curtindo a praia. 

Todo esse rolê fiz à pé, e na volta pro hostel ainda passei por umas ruas fora da rota turística, assim tive mais contato e deu pra sentir a atmosfera do local, moraria ali de boa. O contato era mais quando eu ia comprar algo e já fazia alguma pergunta ou algum comentário. Nesse trecho aumentou também o número de moradores indianos. Por indicação dos funcionários do hostel eu andei sem a câmera fotográfica e sem muito dinheiro no bolso, pois disseram haver risco de roubo. Ainda bem que comigo correu tranquilo, mas só tirei fotos pelo celular, essa foi a desvantagem, já que ele não é top.

Por fim, e depois de camelar um tanto, foi momento de relaxar no hostel. No dia seguinte eu tinha viagem pronta para a grande e tão esperada Cordilheira de Drakensberg!

*Andrew Zondo
Ele cresceu no município de KwaMashu de Durban, teve seu despertar politico aos 14 anos inconformado com a Lei de Educação Bantu e se juntou ao CNA quando tinha 16 anos. Foi treinado como combatente no exílio em Angola e realizou várias operações clandestinas contra o governo do apartheid sul-africano.

A explosão no Amanzimtoti, no período de compras pro natal, foi o seu mais proeminente. Cinco pessoas foram mortas e Zondo foi capturado seis dias depois.

Em 20 de dezembro de 1985, as forças de segurança sul-africanas realizaram uma incursão em Lesoto, matando nove ativistas anti-apartheid. Em retaliação, os agentes da Umkhonto weSizwe, incluindo Andrew Zondo, colocaram uma bomba (mina) no centro comercial Amanzimtoti Sanlam em 23 de dezembro de 1985, matando três adultos e duas crianças, enquanto outras 40 pessoas ficaram feridas. Por este ato Andrew Zondo foi amplamente criticado pela população branca na África do Sul. O alvo seria uma agência do governo.

Também teve criticas por parte do CNA, Oliver Tambo, ex-presidente do CNA, indicou que o assassinato de civis foi contra a política do CNA e, consequentemente, ele desaprovou o bombardeio, mas entendeu as razões.

A Execução
Em 6 de setembro de 1986, a família de Andrew Zondo foi visitá-lo na Prisão de Segurança Máxima em Pretoria, onde estava aguardando sua execução. Ele estava em paz consigo mesmo e com o mundo e ele disse a sua família:
"Eu não quero que vocês chorem. Não quero que as pessoas venham e chorem por mim. O que eu tinha que fazer, eu fiz. Agora minha vida está terminando."

Menos de nove meses após o bombardeio, na terça-feira, 9 de setembro de 1986, Andrew Sibusiso Zondo foi enforcado com dois homens de KwaMashu. Lucky Paye e Sipho Xulu, que também morreram sob instruções políticas.

"A pena de morte na África do Sul foi reservada como uma punição por assassinato premeditado, traição ou como parte da justiça militar."
"A execução de criminosos e opositores políticos foi usada para punir e reprimir a dissensão política."
A última palavra de Andrew Zondo foi "Amandla", o grito de guerra da luta anti-apartheid!

Reprodução caderneta de passe -museu durban

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

5. Mochilão África do Sul / Zâmbia: Rolê na Península do Cabo

Relato Parte 4: Museu Robben Island e Praia Camps Bay
http://pedenatureza.blogspot.com.br/2018/01/4-mochilao-africa-do-sulzambia-museu.html
Relato Parte 3: Subida à Table Mountain
https://pedenatureza.blogspot.com.br/2018/01/3-mochilao-africa-do-sulzambia-subida.html
Relato Parte 2: De SP a Cape Town
http://pedenatureza.blogspot.com.br/2018/01/2-mochilao-africa-do-sulzambia-de-sp.html
Relato Parte 1: Introdução e Roteiro
http://pedenatureza.blogspot.com.br/2018/01/mochilao-africa-do-sul-zambia.html

4* Dia -  08/07/17 - Cape Peninsula Tour (BasBuz) - Ilha das Focas, Praia dos Pinguins e Cabo da Boa Esperança

Acordei cedo, tomei café no próprio hostel com aquele gelado matinal, cheguei pela varanda e a brisa leve indicava que viria dia bom pela frente. Não pra menos eu faria o Day Tour na Península do Cabo, rolê guiado que mesclava história com a bela paisagem oceânica e montanhosa do sul do país e da Cidade do Cabo. Eu havia agendado esse tour no dia anterior pelo Baz Bus e já comprei a passagem de van que vai desde a Cidade do Cabo até Joanesburgo passando por diversas cidades e hostels. Com isso fechei um pacote e ficou 2780 Rands. (+ ou - R$700,00).


Região do Cabo da Boa Esperança


Baz Bus é basicamente um transporte que busca na acomodação e deixa em outra acomodação ao longo da costa sul africana. Essas acomodações inclui hostel, hotel e casa de hospedes. São mais de 200 acomodações entre 40 cidades. Existem diversos tipos de passagens, apenas de ida por 7, 14 ou 21 dias, e também ida e volta. Dessa forma facilita bastante a viagem para quem não está de carro, e acessando os horários disponíveis se planeja perfeitamente a viagem. Bas Buz oferece alguns tours como o da Cape Peninsula. (site bas buz).

Ainda não tinha alcançado as 8h da manhã e a van já estava em frente ao hostel, passou por outras acomodações e com o grupo fechado, todos a bordo, foi hora de seguir pra viagem. O que nos esperava era primeiramente a Hout Bay, de lá partia um barco até a Ilha das focas. Depois, na cidade de Simon, a visita à Boulder Beach (Praia dos Pinguis). Por fim na Reserva Natural Cape Point, Cabo da Boa Esperança, etc. Incluido uma caminhada leve e um rolê de 6km de bike.

Seal Island
O Lobo Marinho do Cabo (Arctocephalus Pusillus)
Há 35 espécies de focas no mundo. A ilha de Duiker é um santuário de aves e de lobos marinhos do Cabo, onde se contam aos milhares estas focas e muitas aves tais como o corvo marinho do Cabo, o corvo marinho do banco, as gaivotas de dorso negro, etc. (...)
O lobo marinho do Cabo mergulha a profundidade de 36 metros, variando esta aptidão de espécie para espécie. Ao mergulhar, os ouvidos e as narinas fecham-se hermeticamente, não sendo possível a respiração debaixo da água. Mesmo quando dorme, torna-se necessário emergir para respirar. O animal adulto consegue permanecer debaixo de água durante 30 minutos e os mais novos de 10 a 15 minutos. 
- De um modo geral alimentam-se de peixe, camarão, crustáceos e lulas.
- As focas gozam de boa audição fora da água, ouvindo muito melhor quando submersas. A sua aptidão de detectar a origem dos sons é excelente.
- Os olhos estão adaptados paar verem tanto na água como em terra.
- O seu corpo é mantido a uma temperatura constante de 38,5º C.
- OS machos chegam a pesar 350kgs e as fêmeas 113kgs.


Seal Island - Hout Bay

a caminho Seal Island

Boulders Beach
Aninhado em uma enseada abrigada entre a cidade de Simon e Cape Point, Boulders tornou-se mundialmente famosa por sua colônia próspera de Penguin Africano e magníficas praias protegidas de vento e seguras. 
A partir de apenas dois pares reprodutores em 1982, a colônia de pinguins cresceu para cerca de 2200 nos últimos anos. Isto é em parte devido à redução do arrasto pelágico comercial em False Bay, que aumentou o suprimento de pilchard e anchovas, que fazem parte da dieta dos pinguins.

Boulders Beach

Casal Pinguins

A segunda parte do tour é marcada pela ida até a região do Cabo da Boa Esperança (Cape of Good Hope) e uma caminhada até a Ponta do Cabo (Cape Point). Ao chegar ao parque nacional da montanha da mesa, iniciou-se uma pedalada de 6 km, a bicicleta é cedida pela agencia, assim como, os capacetes de segurança. Após essa atividade fizemos um bom lanche da tarde, pra já seguirmos rumo à ponta da África. O Cabo da Boa Esperança representa o extremo sudoeste do continente, já o extremo sul é por conta do Cabo das Agulhas que não é tão famoso quanto o da esperança, que já foi chamado de tormentas por Bartolomeu Dias. O guia perpassou pelas histórias das navegações, realmente muita referencia histórica no local, que tem por característica a difícil navegação.



Ao visitar todos esses atrativos, seguimos de volta a cidade, o sol já estava se pondo, avistamos também diversos babuínos na beira da estrada, algumas pessoas paravam os carros, desciam e se aproximavam para tirar fotos, algo que não é muito aconselhável. Vale lembrar que foi um grande tour, o serviço muito divertido dos guias e reuniu uma galera bacana. Vale a pena!!!



Links para consulta de horários e preços!

Fotos:


Na trilha Cape Point

Junção de oceanos

na estrada

Cabo da Boa Esperança


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