quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Pedal Anchieta 2019 + Praia Grande até Bertioga

Pedal Anchieta 2019 + Praia Grande até Bertioga

O direito de ir e vir de São Paulo até o litoral foi consolidado mais uma vez no dia 1 de dezembro de 2019. Lógico que é fruto de uma longa luta na base do diálogo que cicloativistas organizados em comitê cobram do Estado para que se faça valer a lei da Rota Márcia Prado. Como não estou totalmente inteirado com as pautas, cabe a mim apenas citar o pouco que sei.

Foi a primeira vez que participei do Pedal Anchieta e estava com meu primo Fepa nesse passeio mágico e libertador. A bike realmente nos remete muito à liberdade, aos bons sentidos do corpo e da mente. E ao estarmos reunidos com milhares de outras pessoas de bike, a sensação de pertencimento é maior, e transborda esperança para dias futuros com mais bikes e também estruturas na cidade para tal. Além de acreditar que se pode pedalar respeitando e sendo respeitado.

Por vezes a bicicleta se assemelha muito com a própria vida, pois, em ambas, para se manter o equilíbrio é necessário estar em movimento.

No planejamento, para aproveitar a descida pra Santos, eu pensei em seguir mais uns dias pedalando até Caraguatatuba, lógico que parando em diversas praias desde Guarujá, Bertioga, Barra do Una, Boiçucanga,  etc. Porém, abortei a missão já no dia do pedal.

Eram 05:30 do dia 01 quando segui para a casa do Fepa, até então eu estava com toda a bagagem pra uma cicloviagem, mas os problemas vieram um atrás do outro. Primeiro perdi o freio de trás, depois meu pneu de trás murchou repentinamente e tava me sentindo pesado demais. Sendo assim, decidi deixar as tralhas na casa do Fepa e seguir pra fazer somente o Pedal Anchieta.

Saímos umas 06h00 do Grajaú sentido a balsa da represa billings seguindo pela Av Dona Belmira Marin.  Atravessamos a primeira balsa e pedalamos até a passagem do rodoanel Mario Covas, fica antes da segunda balsa. Lá já tinha um grupo de ciclistas se preparando, nós já seguimos direto numa boa. Tínhamos que pedalar em torno de 10km até a saída para a rodovia Anchieta, e assim se fez. Fizemos uma parada para o Fepa trocar a câmara de trás, mas foi tudo tranquilo.

Cruzamos na Anchieta por volta do km35 se não me engano e pudemos já acompanhar a multidão ciclística. O tempo tava bom, um sol quente, mas com uma temperatura não muito alta. Pegamos uns trechinhos de subida leve mas constante. Em algumas partes se tinha um certo congestionamento e ao chegar na descida da serra houve uma pausa para descer em comboio, então os veículos da PM controlavam a velocidade.

No geral não vi acidentes, porém fiquei sabendo que ocorreram alguns. Eu apenas imaginava que algo poderia acontecer, pois alguns ciclistas passavam muito rápido costurando na pista. Com isso, o risco de acidentes aumenta, todos os vídeos de acidentes que vi circulando na net foram nessa situação.

Já próximo do porto de Santos, fizemos uma pausa, eu estava exausto e com dor de cabeça, fiquei muito vidrado nas bagagens antes de sair de casa que não me atentei a um bom café da manhã e nem fazer um lanchinho pro pedal. Deitei no gramado e logo continuamos penando até a rodoviária de santos. Antes tinha uma van de apoio que nos entregou banana e água. Salvou!

Depois tirei até um cochilo na praça após ter feito um lanche e assim seguimos pra praia grande, trombar outros primos, a Bruna e o Ítalo. Foram mais 13km até a Aviação pra então passarmos uma tarde maravilhosa na praia. Nos empolgamos tanto que perdemos o último busão pra sp. No entanto, fomos passar a noite no hostel Valdemar. Mais 8km da rodoviária até o hostel.

Impagável essa vivência!!!


Dia seguinte, uma garoinha pairava Praia Grande e por volta de 12h30 deixamos o hostel pra procurar um lugar para almoçar. Fomos num self-serviçe e lá que Fepa deu uma ideia ótima, a de pedalar até Bertioga e de lá pegar um ônibus para Mogi das Cruzes. A garoa já tinha cessado, a disposição tava a mil. Por que não? Rsrs.

Digestão feita e pedal que começa. Continuamos numa boa pela ciclovia da praia grande, após boqueirão pegamos à esquerda para acessar a pista expressa e assim seguir até São Vicente.

Logo depois veio Santos e uma parada breve pra tomar uma água de coco. Adiante, fomos até a balsa que faz a travessia para Guarujá. A partir de então a ciclovia ficou mais cheia, mas aos poucos as pessoas foram pro seus destino e nós seguimos pela ciclovia até a Praia da Enseada e continuamos um pedal bem bacana, o mar sempre na nossa direita. 

Ao avistarmos as placas de Praia Pernambuco e Praia Perequê, demos uma guinada pra esquerda e demos de encontro com a estrada que nos levaria até a balsa de bertioga. Foram uns 15km até chegar à balsa, a estrada tinha um ambiente muito bom, sem muito fluxo e poucos desníveis. Paramos no Bar da Bica Brasil no km13 e lá tomamos água da bica, algumas brejas e pedimos uma porção de ostras. Primeira vez que comi e achei muito bom. 

Já estava escurecendo quando saímos do bar, mas o pedal continuou fluindo numa leveza imensa. Indescritível. Já era noite quando bem contentes e satisfeitos com o rolê fizemos a travessia pra Bertioga. Show!!!

Balsa de Guarujá até Bertioga!


Pra voltar pegamos um ónibus até Mogi da Cruzes, R$26,00, não aceitam cartão na breda. Pagamento só em dinheiro e assim embarcamos as 20h00 rumo sp. 

Se valeu a pena? Vish, palavras não descrevem rs. Saiu bem melhor do que eu havia planejado, enfim é necessário estar flexivel para improvisos e inclusive nos roteiros, pois o importante é estar bem e em movimento!!!

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Pico das Agulhas Negras – Parque Nacional Itatiaia – MG/RJ


Pico das Agulhas Negras – Parque Nacional Itatiaia – MG/RJ
30-31/10/2019



Hey! Hoje segue um breve relato da subida ao Pico das Agulhas Negras, o 5º ponto mais alto do Brasil, de acordo com dados do IBGE (alt.2791m), e que se situa no Parque Nacional do Itatiaia, o primeiro parque de conservação a ser criado no país e isso foi em 1937. O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) sendo um dos berços do montanhismo contando com vários picos no ranking das montanhas mais altas brasileiras, faz parte então da famosa Serra da Mantiqueira.
É importante frisar que o acesso ao Pico das Agulhas Negras, assim como às Prateleiras, deve se dar com acompanhamento de guia e equipamentos de segurança. Contudo, existem outros picos e atrativos para serem visitados no parque (Morro do Couto, Pedra do Sino, Asa de Hermes, Circuito 5 lagos, Pedra do Altar, etc.), lembrando que estou tratando da parte alta, o planalto do parque.
Nessa parte do parque a logística para ir de ônibus é um tanto complicada, percebi nas minhas pesquisas que se deve ir até Itamonte e de lá contratar um táxi para levar até a entrada Posto do Marcão. Parece-me que Itamonte está a 20km da Garganta do Registro, que fica a 13km da portaria parte alta. Enfim, pra ir a pé se torna difícil.
Com isso, eu me juntei ao grupo Aventureiros Anônimos, que é uma agência de viagens focada sobretudo no ecoturismo. Desde já recomendo o serviço deles, pois tive uma boa experiência com eles, tudo correu bem planejado, organizado e com preço justo. Custou R$199,00 um bate volta saindo do Tatuapé em SP, na noite de 30/10, para chegarmos na portaria umas 04h15 da manhã (31/10) e voltar no mesmo dia.
A ideia de fazer uma trilha no meio de semana me possibilitou de ir, geralmente aos fins de semana não consigo participar, então essa foi mais uma deixa pra eu seguir junto com os Aventureiros. O grupo era reduzido, estávamos em 6 pessoas, assim a viagem ocorreu sem maiores problemas e de forma confortável na van própria da agência. Fizemos uma parada de 20 minutos pra então chegarmos na portaria e poder descansar um pouco até a abertura do parque, que seria às 7h00 da manhã.
Acordamos, fomos ao banheiro e após preencher uma ficha fomos autorizados a ir de van até o abrigo Rebouças, poupando então alguns km de caminhada. Tem uma concessionária (BR parques) que auxilia em algumas questões do parque e estão cobrando o estacionamento agora, (sobre isso ver mais infos no site do parque, aqui).


Agora bora trilhar!

Por volta das 07h20 demos início à caminhada, uma trilha bem demarcada passando pelo abrigo Rebouças, sem maiores dificuldades. Sempre trilhando com cuidado para não esmagar os sapinhos que vivem em meio à trilha e quando percebem a aproximação de alguém eles meio que se desesperam e não dá pra prever pra que lado vão, são bem pequeninos mesmo e representam o símbolo do parque.
Ao passar por uma espécie de barragem/reservatório a referência a seguir (depois de 1km) é uma ponte pênsil sobre o Rio Negro, - outra característica do parque é que possui algumas nascentes que acabam por drenar para grandes bacias hidrográficas, tal como o Rio Grande, afluente do Rio Paraná. Nesse trecho ainda com navegação bem tranquila, passamos por uma bifurcação e por um riacho onde é possível carregar os cantis e as garrafas, dali já estamos perto da base das agulhas negras.
Chegamos na base com menos de 1 hora de trilha, a partir de então acabou a “brincadeira”, foi preciso usar as mãos nas sucessivas escalaminhadas e ter muita atenção na aderência dos pés nas rochas, sempre no sentido de evitar escorregões e quedas. Existe uma orientação para seguir, mas não é uma trilha demarcada especifica, a gente ia trilhando e fazendo caminho sobre as rochas de acordo com a intuição de cada pessoa. Ao passarmos dois paredões sem a necessidade de uso de corda, eis que chegou um ponto onde a subida se dá de forma segura por corda. Nesse paredão ainda tem a opção de contornar por um caminho mais longo e bem perigoso, no caso foi esse que o guia me levou já que eu não estava preparado pra subir o paredão pelas cordas, até tentei, mas faltou jeito e força nos braços pra aguentar e confiar no meu peso rs.
Depois nos embocamos a subir por uma fenda entre a montanha, sempre com cautela e seguindo as dicas dos guias. Adiante, passamos por outro trecho de corda, agora mais tranquilo pra subir, porém ainda perigoso. Bastou mais alguns minutos para que pudéssemos estar no topo do Pico das Agulhas Negras, após muito suor derramado e muita força despendida na natureza. Um total de um pouco mais de 3 horas de subida desde o abrigo Rebouças.
Durante todo o trajeto tivemos um tempo aberto podendo ver que cada vez mais o nosso horizonte se ampliava, no entanto, bastou chegar ao topo que as nuvens foram chegando e por vezes surgia uns pingos de chuva. Bom, o risco de chuva era fato já que estávamos no final de outubro e não deu outra, por volta das 11h30 a chuva veio pra valer e assim colocou mais um desafio na nossa trilha de volta. A paciência mais uma vez se tornou virtude, mesmo com o frio e o risco muito maior de escorregar prosseguimos, pois não tinha outra opção, ainda bem que contávamos com o apoio dos guias. Num momento eu imaginei se tivesse sozinho a enrascada que eu estaria metido rs.
Na volta a exigência dos braços foi muito maior e nos paredões que tínhamos subido a pé, descemos de bunda no chão e apoiando a sola nas fendas para não escorregar ladeira abaixo. Em alguns trechos a tensão aumentava, pra mim foi mais no rapel tive que descer bem na calma. Por fim, acabou que tudo deu certo e a chuva acabou servindo de mais uma pitada de um bom sabor que é o de subir montanhas e poder contemplar a natureza!
Pé de Natureza! E nóis!

Guias: Ward e Daniel
Participantes: Heloísa, Jessica, Junior e eu.
Obs1: página Aventureiros Anônimos: https://pt-br.facebook.com/aventureirosanonimos/

Obs3: Na Garganta do Registro se tem diversas lanchonetes onde se vende muitas coisas, tais como: Queijos, Pimentas, Pamonhas, Cachaças, Doces, enfim uma variedade e diversos lanches também!

Fotos:

região das Prateleiras

depois da base, primeiro paredão

vamos subindo pela fenda

famosa escalaminhada

subida com sol

mais outro lance

quase chegando

na cautela quase lá

eis que cheguemo no topo

me preparando pra foto no cume

Dicas gerais para prática de trilhas na natureza!
https://pedenatureza.blogspot.com/2019/01/dicas-gerais-para-pratica-de-trilhas-na.html
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